G1: Indio da Costa é entrevistado pelo RJTV

G1: Indio da Costa é entrevistado pelo RJTV

Candidato do PSD falou sobre sua atuação parlamentar                       

Indio da Costa foi questionado sobre a investigação que o Ministério Público conduz a respeito da suspeita de irregularidades ambientais em torno da construção de uma casa com custos próximos a R$ 8 milhões no Jardim Botânico, Zona Sul. Segundo o candidato, a empresa responsável pela construção terceirizou a parte da obra alvo do inquérito e já não mais participa da construção.

O candidato do PSD também teve de explicar por que falou em 36 das 134 sessões enquanto era deputado federal. “Em todos os momentos em que o Brasil precisou, eu tava lá”, afirmou, acrescentando que, quando foi relator da lei da Ficha Limpa, chegou a ficar três meses sem ir ao Congresso “viajando o Brasil para ter força e aprovar a lei”. “Em nenhum momento eu faltei a alguma sessão importante.”

Nesta segunda-feira (19), foi entrevistada a candidata Jandira Feghali (PCdoB). Na terça (20), foi a vez de Marcelo Freixo (PSOL). Na quarta-feira (21) o entrevistado foi Marcelo Crivella (PRB), na quinta-feira (22), Pedro Paulo (PMDB), e na sexta (23), Flávio Bolsonaro (PSC).

Íntegra da entrevista com Indio da Costa (PSD)

Mariana Gross: o senhor já foi secretário estadual do meio ambiente, no seu programa de governo, o senhor defende o seguinte: “é preciso estar atento a cada atitude e repensar a forma como se vive dentro deste ambiente”. Entre os seus bens declarados à Justiça Federal, à Justiça Eleitoral, está uma casa em construção, no valor aproximado de R$ 8 milhões, e por causa dessa construção o senhor está sendo investigado pelo Ministério Público por dano ambiental. O Ministério Público disse que houve intervenção irregular na propriedade e supressão de vegetação sem devida autorização dos órgãos competentes. O caso foi revelado pela revista “Veja”. Pergunto ao senhor: como pode um candidato que já foi secretário do meio ambiente dizer que é preciso estar atento a cada atitude e, ao mesmo tempo, ser acusado de desmatamento na sua própria casa?

Indio da Costa: Olha, Mariana, meu pai é arquiteto. E eu sempre, como todo brasileiro, sonhei com a casa própria. Eu tô construindo essa casa desde 2011, foi a compra do primeiro terreno. Uma determinada empresa foi contratada para fazer o levantamento topográfico e aí houve um problema na época, tanto que eu troquei a empresa, coloquei outra empresa. Diferente do que você tá dizendo, eu não estou sendo investigado pelo Ministério Público. Ao contrário…

Mariana: Está sim, candidato.

Indio: Não, não estou. Deixa eu te contar o que está acontecendo. O que tá acontecendo é o seguinte: eu fui ao Ministério Público e sugeri um TAC, uma proposta..

Mariana: Um termo de ajustamento de conduta

Indio: Primeiro, a empresa que foi contratada na época para fazer o levantamento topográfico, ela que foi responsável por uma terceirização que acabou desmatando o terreno, ela saiu e pagou multa. Ela reconhece que foi ela quem fez, não fui eu. Não fui eu que peguei uma serra e fui lá detonar nada. Segundo, o terceiro lote não estava nem comprado. São três lotes. Eu comprei por causa disso. O sujeito que estava vendendo o terreno não tinha nada a ver com a história. Enfim, tava vendendo o terreno, acabei comprando e tá lá a casa. Eu tô propondo ao Ministério Público fazer o que eu nunca vi na história do Rio de Janeiro e nenhum lugar do Brasil, inclusive, que é replantar dez vezes mais a área que eles estimam que foram retiradas as árvores. São 1.800 metros quadrados. Eu tô propondo 18 mil metros quadrados. Eles sugerem tecnicamente, não teve ainda a opinião do promotor, de fazer o replantio de 28 mil metros quadrados. Eu fiz um pedido a eles: que seja no Parque Nacional da Tijuca. Então, assim, eu tô rigorosamente dentro da lei. E não há um processo sobre isso. Há uma conversa, um TAC, e eu tô, só para concluir…

Mariana: Passando a responsabilidade, como o senhor disse agora, para a construtora. Agora…

Indio: A construtora…

Mariana: Não é o que diz o inquérito, candidato, me permita continuar aqui. São 623 páginas, a gente conversou com o promotor, tá lá no parecer técnico 371, de 2014 o Ministério Público afirmando que houve, mesmo depois da devastação feita pela construtora, novo desmatamento. Ou seja, mesmo depois de essa construtora ser multada.

Indio: Não houve desmatamento, não, Mariana. Desculpa.

Mariana: Depois de o senhor ter conhecimento da história, o ataque à natureza continuou. A sua versão não tá batendo com a do MP.

Indio: Desculpa, você pode ver a casa daqui. Você tá vendo aquele muro enorme lá? Foi obrigação da Geo-Rio, porque ali já teve…

Mariana: Nós temos as imagens de satélite, candidato.

Mariana: O senhor vem dizendo que é bom gestor, tem 25 anos de experiência, que tá pronto. Que sabe como fazer. Agora, pergunto ao senhor: ter um problema desse dentro da própria casa; isso é ser um bom gestor?

Indio: Mariana, deixa explicar o seguinte: eu sou um ser humano normal, eu pago meus impostos em dia, eu estou à disposição da Justiça. Em nenhum momento eu fugi de ninguém. Eu contratei uma construtora, houve um problema, eu troquei a construtora por conta desse problema, que não é quem construiu a casa, a prefeitura me exige fazer um muro, eu faço um muro, eu tô cumprindo com todas as obrigações, tá certo?

Mariana: O senhor está lidando dentro da sua própria casa com uma empresa. Se o senhor for eleito prefeito, vai lidar com centenas, milhares de empresas. Pergunto ao senhor: o senhor também vai agir assim? Transferir a responsabilidade? Isso é ser um bom gestor?

Indio: Eu tô transferindo a responsabilidade ou eu tô dizendo que, embora do ponto de vista prático, não fui eu quem fiz e eu tô querendo pagar o replantio aqui no Parque Nacional?

Mariana: Candidato, o senhor é presidente estadual do seu partido. E olha a lista de escândalos envolvendo o seu partido. Mangaratiba, o ex-prefeito foi preso, foi condenado a 52 anos de prisão por formação de quadrilha, fraude em licitação, falsificação de documentos e coação de testemunhas. Desviou mais de R$ 10 milhões dos cofres públicos. Agora, outra prefeitura na atividade, também do seu partido, o ex-prefeito teve o mandato cassado por abuso de poder econômico e gastos ilícitos na campanha. Pergunto ao senhor: não é escândalo demais para um partido que existe só há cinco anos?

Indio: Mariana, partido é cartório, é o que te viabiliza de ser ou não ser candidato. No meu partido tinham 13 deputados com mandato antes de eu ser candidato a prefeito. E muita gente achou que eu não fosse conseguir ser candidato. Como eu era o presidente do partido, e eu tinha maioria do partido, então por isso eu consegui viabilizar. O PMDB pressionou tanto que saíram do meu partido 12 deputados. 12. Na verdade, contando com dois suplentes, eram 15. Somos, hoje, três. Dois estaduais, um suplente e o outro efetivo, e eu que sou deputado federal. Então veja só, partido é uma coisa assim, você imagina, são 30 e tantos no Brasil, são pessoas diferentes com visões diferentes e eu não compactuo com nada disso. Ao contrário. Por causa da minha lei, que eu briguei muito para aprovar, que é a Lei da Ficha Limpa, a gente conseguiu fazer com que essas pessoas não voltassem mais para a política.

Mariana: Falando em lei, o senhor é autor de um projeto de lei que propõe a criação de um teste de integridade dos agentes públicos. Pergunto ao senhor: por que, então, não está sendo capaz de avaliar a integridade dos políticos do partido que o senhor preside?

Indio: Olha, eu queria falar sobre isso. Eu não sou autor desse projeto, eu apresentei ele. Esse projeto é do Ministério Público Federal, é uma das dez medidas contra a corrupção. No ano passado, eu apresentei vários, são 19 projetos contra a corrupção e um projeto de emenda constitucional. Esses projetos são muito importantes, só falar rapidamente sobre eles porque eu soube que o presidente Eduardo Cunha, que era o presidente da Câmara na época, ele podia aceitar uma só, houve uma mobilização popular enorme no brasil, 1,5 milhão de assinaturas para aprovar essas medidas contra a corrupção. E a informação que eu tive é que ele ia jogar fora, no lixo, 19 e só ia ficar com um. Por isso fui autor desses projetos todos, inclusive da PEC, apresentei, colhi assinaturas em dezembro do ano passado. É o que eu estava dizendo aqui para a Ana, quer dizer, estar presente no plenário ou não, não quer dizer que você vai melhorar o Brasil. Você melhora o Brasil na produção do seu mandato.

Mariana: Candidato, falando em projeto de lei, como vereador o senhor foi autor de um projeto de lei que proibia a esmola no Rio. Proposta sua: multar quem desse dinheiro para quem estivesse pedindo esmola. O senhor justificou a importância desse projeto dizendo que as pessoas eram molestadas por pedidos insistentes, que os pedintes se entregavam a esse vício e faziam desse ato a sua profissão. Candidato, pedir esmola é vício?

Indio: Olha, quando eu entrei no metrô em Nova York, eu li assim: “É proibido dar esmola”. Aí eu fui lá na administração do metrô para entender o que era aquilo. E eles me explicara. Era a mesma coisa que aconteceu no Rio de Janeiro, acontecia no metrô lá. Pessoas mais velhas explorando as crianças para pedir esmola. Na Praça da Paz, tinha uma senhora, ela explorava 32 crianças. E foi por causa dessa senhora. Só para concluir, depois eu fui administrar Copacabana e eu descobri ONGs que recebiam dinheiro da Alemanha, da França, dos Estados Unidos e, quando eu consegui resolver a vida e tirar as crianças das ruas, as ONGs quebraram. E eu fui recebido, quer dizer, eu recebi lá no gabinete da administração em Copacabana e era a seguinte reclamação: “Como que a ONG vai sobreviver se as crianças não estão mais na rua?”.

Mariana: Em entrevista ao jornal “O Dia”, candidato, o senhor disse que esse projeto de lei foi um “factoide”. E eu pergunto ao senhor, não é uma irresponsabilidade assim só para chamar a atenção e dizer que essas pessoas em situação tão vulnerável, nas ruas, são viciadas? É um factoide, candidato?

Indio: Mariana, eu apresentaria projetos que resolvessem essa situação quaisquer que fossem. Eu estou dizendo que a exploração infantil na Praça da Paz acabou, que em Copacabana acabou, em vários lugares acabou esse tipo de exploração por conta de um movimento que foi feito na época e que, para chamar a atenção do movimento, eu apresentei um projeto e fui para as televisões debater e hoje qual é o resultado disso? Você não vê pessoas. Eu não sou contra dar esmola para ninguém, só para deixar claro. Mas explorar uma criança para ela tomar dinheiro de alguém e entregar para uma senhora, que para, sem ajudar essa criança em nada, inclusive, pegar esse dinheiro e enriquecer. Essa senhora da Praça da Paz, Mariana, ela tinha um apartamento.

Mariana: Mas o senhor disse que é um vício, o senhor chamou de vício. Estava na sua proposta, candidato.

Indio: Mariana, há quase 20 anos atrás, em 1997, quando eu fui vereador com 25 anos de idade, alguém me ajudou a fazer a justificativa. E o que me interessava era entrar no tema e eu consegui acabar com a exploração infantil e muitos lugares do Rio de Janeiro.

Fonte: G1 24/09/2016

One comment

  • Maria Beatriz Barros Sysak

    By Maria Beatriz Barros Sysak

    Reply

    Assisti a entrevista de Mariana Gross com o candidato a Prefeito, Indio da Costa, no RJ TV. Achei de uma grosseria única e exclusiva dessa jornalista com o candidato! TRUCULENTA! Aqui venho protestar contra esta jornalista que tem que ser imparcial! Ele foi até muito educado! Fora Mariana Gross!!!!

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