Sonhei!

Sonhei!

Há bastante trabalho a realizar. Vou a ele com muita disposição para recuperar o Rio para as pessoas.            

Qual é o meu sonho? Humanizar o Rio de Janeiro! Torná-lo um espaço que não oprima as pessoas nem dificulte a vida delas. Eu sonho com uma cidade em que todas as pessoas, indistintamente, se sintam bem nela. Será esse um sonho sem possibilidade de ser real?

Para realizar esse sonho, fui candidato a prefeito. Não venci, mas segui a orientação do craque urbanista Jaime Lerner. Ele sempre lembra que, quando a gente não realiza um sonho, não precisa se frustrar. Basta se dedicar a ele com profundidade, porque um dia ele volta e cutuca a gente. Esse momento, será a nossa segunda chance.

No domingo, eu assumirei a Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a convite do prefeito Marcelo Crivella. Nós nos enfrentamos no primeiro turno da campanha, com propostas parecidas. Eu gostaria de ter vencido, é evidente.

No segundo turno, contudo, percebi o meu sonho me cutucar e eu não poderia perder a chance. Então, dediquei-me à campanha de Crivella, porque vi, entre as propostas, a dele como a mais próxima do meu sonho: ter uma administração que pense nas pessoas e cuide para que elas tenham qualidade de vida. Faça com que todos nós que vivemos o Rio de Janeiro tenhamos paz e não o sentimento de opressão e medo.

O compromisso do prefeito está claro e sempre foi o meu: mudar a realidade ruim que há no Rio de Janeiro, uma cidade em colapso. Para mudar realidades ruins, é preciso vontade política e visão solidária. É preciso também usar a estratégia para fazer de cada problema uma solução. Os problemas da cidade afetam todas as pessoas, indistintamente.

No Urbanismo, a prefeitura esqueceu as normas técnicas e até mesmo éticas. O setor virou um balcão que cria exigências sem pé nem cabeça, burocracias e taxas absurdas. Seria obrigação do urbanismo estimular a integração da questão urbana à beleza natural e às virtudes do povo. Se há uma área na prefeitura com responsabilidade absoluta, mas nunca solitária, ela é o Urbanismo.

Na Infraestrutura, tenho o dever de implantar um conceito novo. A cidade passou por uma grande cirurgia e não tem como nem razão para fazer outras. É hora de entrar com a acupuntura, pequenas intervenções que para ter escolas, unidades de saúde e todos os órgãos públicos com ambientes agradáveis e funcionais. As ruas, praças e, principalmente, calçadas, com estruturas decentes.

Na Habitação, é preciso inserir o conceito de residência, de lar. Não é suficiente construir. É preciso conservar e integrar o ambiente. Tentar aproximar lar, trabalho e mobilidade. Na habitação será essencial também ter um projeto para segurança dos conjuntos habitacionais.

Enfim, há bastante trabalho a realizar. Vou a ele com muita disposição para recuperar o Rio para as pessoas.

Crédito da foto: Reprodução/Internet

A caixa-preta do governo do Rio

A caixa-preta do governo do Rio

Os governadores Cabral e Pezão deveriam ter investido em políticas públicas para aprimorar o projeto das UPPs                        

Quando cai um avião, procura-se a causa do acidente nas caixas-pretas. O governo do estado do Rio de Janeiro sofreu um grave acidente e está insolvente a ponto de provocar cenas humilhantes de servidores públicos ativos e aposentados dependentes da caridade pública. O que diz a caixa-preta do governo sobre as causas?

Fala-se na queda vertiginosa do preço do petróleo. Como o estado costurou todas as despesas e investimentos nos royalties, quebrou. Diz-se também que a concessão de incentivos fiscais aliada à crise econômica nacional causou os problemas. Dados do Ministério Público indicam que o Estado do Rio de Janeiro deixou de arrecadar R$ 150 bilhões no período entre 2010 e 2015 (governo Cabral e Pezão).

Pensemos bem e melhor. A época de ouro do petróleo foi a chance de os governadores usarem os royalties em investimentos que representassem a reversão de uma expectativa negativa na segurança pública e desordem das contas. E a favor do argumento é bom lembrar que o governo federal, na entrada do governador Anthony Garotinho, refinanciou o estado com a garantia dos royalties.

Com tamanha vantagem – preços bons do petróleo no mercado internacional e realinhamento das dívidas – os governadores Cabral e Pezão deveriam ter investido em políticas públicas para aprimorar o projeto das UPPs, por exemplo. Poderiam ter feito um projeto conjunto das polícias militar e civil com as guardas municipais dos municípios, que sofreram crescimento da violência, a partir das ocupações das áreas conflagradas no Rio de Janeiro.

Mas nada disso nem outras providências melhores se fez. Os governadores Cabral e Pezão preferiram inchar a máquina pública, gastar sem medidas e ceder arrecadação via incentivos fiscais concedidos com objetivos de manutenção do poder.

Para se adequar ao conceito correto, os incentivos fiscais representam desvantagens para a arrecadação  no momento inicial, para estimular a criação de novos negócios que, ao começarem a operar, produzirão empregos e, por consequência, impostos. Na ponta final, os impostos dispensados no início do processo retornarão via maior desenvolvimento econômico. Não foi o que aconteceu. Portanto, claramente, os critérios de concessão dos incentivos fiscais nada tiveram com os interesses econômicos do Estado do Rio.

Neste ponto, retorno ao início do texto para encontrar na caixa-preta do desastre econômico do Rio de Janeiro a resposta correta: a irresponsabilidade dos governos na administração das vantagens dos royalties do petróleo e a liberalidade absoluta ao conceder os incentivos fiscais.

Crédito da imagem: Agência O Globo

A violência ainda é um desafio

A violência ainda é um desafio

Na luta pela democracia, perdemos algumas batalhas até vencermos a guerra            

O ano caminha para o fim, um ano que é difícil definir. O Brasil venceu várias batalhas contra o crime de corrupção e isso é muito bom. O Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça fixaram marcos importantes de reversão das expectativas, pela punibilidade. No entanto, em outro front, o país tem perdido todas as batalhas. Falo da luta contra a violência e o crime nas ruas, principalmente, no Rio de Janeiro.

Os números da violência foram expostos recentemente na imprensa. Durante o ano, em média, 15 pessoas foram assassinadas por dia no estado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) – o que equivale dizer que, na semana entre o Natal e as festas de final de ano, mais 105 pessoas perderão a vida. É uma chacina por dia!

Nos últimos 11 meses, 4.572 pessoas foram assassinadas. É uma situação de enlouquecer.Mas, em dezembro de 2008, no Rio nascia uma esperança: as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O projeto dizia que a polícia ocuparia os espaços ocupados pelo crime para que a prefeitura, com políticas públicas consistentes, revertesse as expectativas. Assim, dariam às pessoas de bem a chance de ficarem livres no crime na porta de suas casas.

Contudo, as UPPs entraram e lá ficaram sozinhas. O projeto ficou restrito às ações policiais da Polícia Militar e já se sabia a que lugar isso nos levaria.

No ano passado, consegui que o PSD nacional financiasse estudos sobre o papel das prefeituras na Segurança Pública. O Centro de Liderança Pública coordenou o trabalho e fez duas apresentações do resultado final, uma no Rio e outra em São Paulo. Aqui no Rio, aconteceu na Casa do Saber, em Ipanema, e eu estive presente. Levantei as questões sobre a falência das UPPs. Fui contestado por um dos formuladores do projeto.

Julita Lemgruber, socióloga que estuda o tema há muito tempo, afirmou no jornal O Globo sobre as UPPS: “Até pouco tempo, essa política de segurança era festejada, falava-se em levá-la para outras cidades do estado, mas alguns especialistas sabiam que era algo insustentável a longo prazo”.

Eu confesso que só li e ouvi dos especialistas, naquele tempo, elogios. Eu, sem ser especialista, estava convencido que a ocupação pura e simples traria problemas. Por isso, propus ao atual prefeito do Rio que aplicássemos políticas públicas capazes de aproveitar o esforço de reduzir o crime. Eu estava na Secretaria de Esportes e levei a Eduardo Paes um programa, que ele não permitiu que eu tirasse do papel.

Bem, temos aí o desafio. É hora de tentar novamente por outros caminhos. É hora de pensar em nova alternativa. Fazer da luta contra o crime o que fizemos na luta a favor da democracia contra a inflação e contra a corrupção. Pensar, organizar e fazer.

Na luta pela democracia, perdemos algumas batalhas até vencermos a guerra. A luta contra a inflação e a corrupção tem sido igual.

 
Imagem: Infográfico Jornal O Globo.

Saúde ferida a tiros

Saúde ferida a tiros

Deve existir um meio de livrar o Rio dos confrontos armados entre policiais e bandidos      

Os confrontos armados entre policiais e bandidos acontecem há tanto tempo no Rio de Janeiro que a sociedade e os governos adotam mecanismos para conviver com eles. Um deles justifica a matéria publicada pelo jornal O Globo de hoje.

“Em dez meses, violência fechou um terço das clínicas e dos postos do município…Os confrontos registrados no Rio de Janeiro ferem gravemente os serviços de 232 unidades básicas de saúde. De janeiro a outubro deste ano, 77 delas, ou um terço do total (33,2%) fecharam em algum momento devido a tiroteios…E o prejuízo não é apenas para o bem-estar da população: como houve 380 paralisações no período e o custo médio de cada unidade é de R$ 32 mil por dia, a estimativa é que a insegurança tenha provocado perdas de cerca de R$ 12,1 milhões…”.

Os dados e outros tantos publicados na matéria (disponível abaixo) são do programa “Acesso Mais Seguro”, da prefeitura do Rio, que fixa regras de como devem proceder os profissionais que trabalham nas unidades de saúde do Rio, na ocasião dos confrontos armados. As condições de segurança são representadas por cores expostas nas unidades.

No mesmo momento que o programa demonstra o cuidado da prefeitura com os profissionais da saúde e com a própria população, representa a lamentável resignação de todos com uma situação crítica de violência e crime.  Deve existir um meio de livrar o Rio de Janeiro dos confrontos armados entre policiais e bandidos. As medidas de ocasião, aplicadas após ou durante as ocorrências, não têm dado resultado. Pelo contrário: geram prejuízos, tiram vidas de policiais e de gente indefesa de todas as idades e danificam as finanças tanto do governo como das empresas e iniciativas privadas.

Eu permaneço na defesa de metas que alcancem o médio e o longo prazo. A primeira seria o desarmamento: estrangular o sistema que fornece armas aos bandidos. As UPPs perderam a oportunidade de serem mais ativas nesse sentido. E, nesse ponto, seria fundamental, envolver o Ministério da Defesa. As armas têm registro e é medida primordial rastrear o caminho delas da produção ao momento da apreensão, para investigar e punir quem trafica. Isso poderia ser feito por uma Força-Tarefa, que envolvesse o Ministério da Defesa, o Ministério Público, a Polícia Federal e outros órgãos.

Para o longo prazo, a educação, com o conceito amplo de ensino integrado no horário integral, que dê aos alunos desde a primeira infância, acesso ao esporte, à cultura e ao lazer sadio, enquanto ensina.

Foto: Divulgaçao/Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/em-dez-meses-violencia-fechou-um-terco-das-clinicas-dos-postos-de-saude-do-rio-20668742#ixzz4TIg3n7y0

Turismo por vocação

Turismo por vocação

O turismo precisa ser a locomotiva que impulsiona as demais políticas públicas            

Como as cidades são formadas por pessoas, elas têm personalidade e vocação. O caminho mais curto para o desgosto econômico, frustrações e insatisfações é contrariar a inclinação natural. Quando a gente faz o que gosta e tem as habilidades essenciais para fazer, a chance de ter sucesso econômico é maior. Alguém com vocação para medicina será melhor médico do que torneiro mecânico ou engenheiro. E, certamente, será mais feliz.

O mesmo acontece com as cidades, porque elas nada mais são do que o conjunto das pessoas que nela residem e por ela transitam. O Rio deveria explorar melhor o turismo como atividade econômica, por ele ser a vocação natural da cidade. As belezas, a história, o clima, o povo, tudo no RIo de Janeiro inclina a cidade para um apelo ao turista.

Portanto, o turismo não deve caminhar a reboque das políticas públicas. Não é inteligente tratá-la como uma atividade acessória, alocada entre outras funções, como apêndice dedicado exclusivamente a cuidar do reveillon e do carnaval.

O turismo deve e precisa ser, ao contrário, a locomotiva que impulsiona e dá velocidade as demais políticas públicas, com a vantagem de ser uma atividade econômica que se alimenta do mercado de trabalho criado em outros lugares. As rendas criadas em outras cidades do Brasil e do mundo, nas mãos dos turistas que visitam o Rio por qualquer motivo, transformam-se em renda local, que é convertida em salários e impostos.

O Rio precisa, então, levar a sério o turismo, a ponto de estabelecer para a atividade uma política pública própria e integrada com todas as demais. O ponto de partida do planejamento estratégico para o turismo deve ser a resposta a uma questão simples na formulação, complexa na aplicação: o que faz com que uma pessoa que viva fora do Rio tome a decisão de visitar a cidade e permanecer nela por algum tempo?

No contexto, entram a segurança pública, a integração do sistema de transportes, para permitir o acesso fácil e seguro aos pontos de visitação, a fiscalização do comércio, a integração dos serviços públicos para funcionamento nas épocas de grande temporada. E assim por diante.

Certamente, os investimentos feitos com a ótica do turismo produzirão um retorno bem maior para a cidade em recursos que sustentarão as demais políticas públicas.

Foto: Arquivo/ Márcia Foletto/ O Globo

Como se pode educar quem não frequenta as escolas?

Como se pode educar quem não frequenta as escolas?

Tudo no Brasil conspira contra a Educação. No Rio de Janeiro, então, nem se fala

Érica Fraga, colunista da Folha de S.Paulo, comenta e compara os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, e do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), aplicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ela demonstra que “continua sendo difícil convencer os adolescentes de que vale a pena persistir e permanecer na escola”.

A base do argumento é a evasão de 1,3 milhão de jovens na faixa de idade de 15 a 17 anos das escolas no ano passado. Seis em cada 10 adolescentes desistiram ainda no ensino fundamental. Também pudera! Tudo no Brasil conspira contra a Educação. No Rio de Janeiro, então, nem se fala. Quando se trata das escolas públicas, pior ainda.

As estruturas das escolas públicas são péssimas. Não há conforto para os alunos, então, menos ainda para os professores e demais profissionais, mesmo nas raras exceções que servem à publicidade oficial.

Além disso, há escolas em áreas conflagradas, que ficam por dias, semanas e algumas vezes, meses inteiros sem funcionar por imposição dos bandidos ou dos confrontos deles com a polícia. Nestes locais, os professores são submetidos às mesmas condições sob nível de tensão maior, porque, além de temerem pelas próprias vidas, cuidam da segurança dos alunos.

O fato cria disparidades grandes entre o desempenho dos alunos, a depender das áreas em que residem. A indisciplina não tem limites, porque, como não é agradável aprender, os alunos ficam saturados, com paciência esgotada.

Enfim, como tudo conspira contra a educação, o Pisa mostra que alunos que deveriam estar no início do ensino médio estão, ainda, no fundamental. Não têm conhecimento básico em matemática, português e ciência, o que, na prática, significa não conseguirem interpretar textos básicos e efetuar cálculos elementares, situação que a OCDE identifica como limitadora do exercício pleno da cidadania.

Há, portanto, uma vasta rede de medidas a adotar no Rio de Janeiro se quisermos dar aos jovens e adolescentes chances de uma qualidade melhor de vida no futuro. O começo se dá no ensino na primeira idade (creches) e no ensino fundamental, ocasião em que a criança aprende a gostar de estudar.

Como está comprovado pelo PNAD: filhos de pais com nível maior de formação entendem melhor a importância do ensino para alcançar chances maiores no mercado de trabalho. Ou seja: alunos melhores hoje serão pais melhores amanhã de uma geração mais qualificada.

As medidas de reversão das expectativas devem ter como objetivo, traçado com metas e cronogramas, melhorar a condição de ensino nas creches e escolas, valorizar a carreira dos professores com promoção por mérito, que envolva o aprimoramento profissional e a formação com mais qualidade dos diretores e gestores escolares.

É urgente estabelecer no Rio de Janeiro um conjunto de ações e investimentos fundamentais para motivar os alunos a permanecerem nas escolas por gostarem de aprender. E os professores, pela paixão de ensinar e ver que os seus alunos, de fato, aprenderam.

Foto: Marcia Costa / Agência O Globo

Apesar de cruel, 2016 fez diferença

Apesar de cruel, 2016 fez diferença

Em meio a tantas notícias ruins deste ano, o prêmio “Faz Diferença” reconhece belas histórias

Fiquei orgulhoso hoje quando li O Globo. Em meio a tantas notícias ruins em 2016, entre crise econômica, casos de corrupção e tragédias que destruíram famílias, tivemos também exemplos que nos emocionaram e nos encheram de esperança no coração. Estou falando do tradicional e importante prêmio “Faz Diferença”, promovido pelo jornal, que escolherá histórias e as personalidades de um ano tão difícil e cruel para os brasileiros.

A menina Ana Júlia concorre na categoria País. Vítima da burocracia e do descaso, ela conseguiu, enfim, fazer um transplante para ganhar um coração novo. Em junho, a Força Aérea Brasileira passou a reservar um avião só para transportar órgãos. Isso só foi possível após denúncias de que aeronaves da FAB deixavam de fazer este tipo de serviço para serem usadas por autoridades. A garotinha, de apenas 8 anos, ganhou vida nova e futuro.

O que dizer de Rafaela Silva, uma das candidatas em Esportes? A judoca e moradora da Cidade de Deus, comunidade tão sofrida pela violência, emocionou o Brasil ao conquistar o primeiro ouro do país nos Jogos Olímpicos do Rio. Cidade esta onde vive e trabalha o empresário Maurício da Conceição, que concorre ao prêmio na categoria Rio. Ele flagrou assaltos da janela de seu escritório, postou mais de mil vídeos no Facebook e inspirou a implantação do projeto Operação Centro Presente.

Quanto orgulho!

Com Maurício, disputa Lorrayne Isidoro, aluna do colégio Pedro II. A estudante conquistou a única vaga para representar o Brasil na 16ª Olimpíada Internacional de Neurociência. Para viajar, a jovem teve de conseguir dinheiro e que o passaporte ficasse pronto a tempo. Na categoria Educação, concorre a história da Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã. A unidade quase foi demolida para dar lugar a obras da Copa do Mundo. O colégio não só se manteve de pé como obteve, em 2016, o maior Ideb entre os colégios públicos do Rio no início do ensino fundamental.

Quanto orgulho!

Há indicações ainda para Cinema, Teatro, Ciência e Saúde, Sustentabilidade, Economia, Desenvolvimento do Rio, Mundo, Música, Artes Visuais, Prosa, Ela, Televisão e Revista. 2016 está acabando. Novos horizontes para 2017!

Foto:  Agência o Globo

Passeio fatal

Passeio fatal

É preciso combater o tráfico e o comércio livre de armas para os bandidos              

Até quando seguiremos sem dar solução a uma situação absurda, que, no Rio de Janeiro, se tornou banal?

Roberto e Rino, dois turistas italianos, motociclistas, foram abordados por traficantes em Santa Teresa, na entrada do Morro dos Prazeres. Roberto foi assassinado e Rino ficou como refém dos assassinos durante duas horas sem saber se seria morto também. O chefe do tráfico decidiu deixá-lo com vida, porque é assim que a coisa acontece na cidade. Os bandidos têm o poder de deixar e de não deixar viver.

O fato sem outros detalhes já seria um absurdo. Mas ocorreu às 11 horas da manhã, no bairro de Santa Teresa, uma das áreas de maior movimento de turistas no Rio de Janeiro e recebeu de um dos mais experientes estudiosos do crime, o sociólogo Ignácio Cano, a seguinte observação: “É um fato triste, mas, que, infelizmente, não surpreende quem conhece a cidade…”.

É verdade. Não surpreende. Não causa mais espanto. Como também não causam as notícias de “troca de tiros entre policiais e bandidos”, que matam outras pessoas, vítimas de balas perdidas. Isso acontece todos os dias.

O fator principal é o porte livre de armas pelos bandidos. Armas de todo tipo e tamanho.

A notícia do crime cometido contra os turistas italianos mostra que, às 11 horas da manhã de um dia comum, traficantes estavam armados, posicionados para proteger o território onde operam a venda de drogas.

Por tudo o que se sabe, é possível acreditar que, retirando-se as armas do crime, ele ficará enfraquecido o suficiente para ser dominado. Então, está evidente a necessidade de uma ação organizada e inteligente do Estado Brasileiro, que abrange as duas polícias, em especial a de investigação, o Ministério Público, o Poder Judiciário e o Legislativo, para tirar as armas das ruas.

Quando a gente examina o Estatuto do Desarmamento, concordando com ele ou não, fica sem entender as causas de ainda existirem armas nas mãos dos bandidos. A lei é de 22 de dezembro de 2003. Está em vigor, portanto, há 13 anos. Ela impõe uma série de providências de controle de armas, medidas suficientes para tornar incompreensível existirem armas nas mãos de bandidos. E não só armas de baixo calibre, mas fuzis etc.

O que falta para o Estado Brasileiro agir com firmeza no combate à posse de armas pelos bandidos?

Por que não rastreiam as armas, que são apreendidas, desde a origem delas na fabricação?  Seria uma providência essencial. O Estatuto do Desarmamento exige o cadastro. Então, com base nele, seria possível rastrear, para responsabilizar e punir quem facilita a posse de armas pelos bandidos.

Enquanto não se conhecer com exatidão a causa de existirem armas nas mãos de bandidos, armas, inclusive de uso restrito das Forças Armadas e das forças policiais, o combate ao crime no Rio será como tem sido até aqui: enxugar gelo.

Eis aí uma boa tarefa para os Ministérios da Defesa e de Justiça: agir logo e de forma eficaz no combate ao tráfico e comércio livre de armas para os bandidos.

Foto: Os primos Roberto Bardella e Rino Polato – Reprodução Facebook

 

Nota de esclarecimento

Nota de esclarecimento

Votei por não concordar que agentes públicos possam usar a autoridade acima de qualquer limite

Com justos motivos, a sociedade perdeu a paciência com os políticos. Eu mesmo me sinto mal com as circunstâncias. Mas o Brasil precisava passar por elas. Eu poderia ter seguido a profissão dos meus pais e irmãos, muito bem-sucedidos. Poderia também ter me dedicado, exclusivamente, à advocacia, onde tive boas experiências profissionais. Contudo, tenho a política como vocação e vejo o quanto a corrupção dilui a política.

Fui vereador três mandatos, subprefeito e secretário municipal no Rio de Janeiro. Estou no segundo mandato de deputado federal e poderia estar no terceiro, pois optei pelo risco de ficar sem mandato quando aceitei ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra, em 2010. Entrei na luta para evitar que o PT continuasse no governo. E, francamente, se tivéssemos vencido a Dilma naquela eleição, a história do Brasil seria outra.

Em 2014, voltei a me candidatar para a Câmara dos Deputados. Vi o que fez o PMDB no Rio e o risco imenso que a cidade corria se repetisse o modelo criado no governo do estado. Então, sai candidato a prefeito neste ano. Não venci, mas não fugi à responsabilidade de escolher, no segundo turno, o candidato que eu acredito seria melhor para a cidade.

Apoiei o impeachment e votei por ele. Quando o Ministério Público Federal apresentou ao Brasil as 10 Medidas Contra a Corrupção, eu endossei e, com receio do que poderia o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, fazer com elas, transformei-as em projetos de lei para cercá-las com a segurança de que seriam debatidas e votadas. Verifiquei que precisavam de alterações para não ferir as cláusulas pétreas. Não se poderia autorizar, por exemplo, o uso de provas ilegítimas nas investigações.

As matérias foram ao plenário e, por decisão do atual presidente da Câmara e dos líderes, como se faz normalmente, se fez a pauta de votações e ela transcorreu na madrugada. Votei-as com a minha consciência e os meus votos foram todos no sentido de aprovar as medidas, conforme está provado.

No conjunto, veio a proposta que reconhece e pune o abuso de autoridade dos membros do Ministério Público e do Judiciário. Votei porque não posso concordar que agentes públicos possam, livremente, usar a autoridade acima de qualquer limite. Não só com relação ao Congresso, mas com relação a todas as pessoas. E com um ponto importante a ressaltar: quem julgará os crimes de abuso dos membros do Ministério Público e do Judiciário será o próprio Judiciário instruído pelo Ministério Público.

Ao contrário do que dizem e tentam afirmar, eu não votei na madrugada para aproveitar que as atenções do Brasil estavam no acidente do avião dos jogadores da Chapecoense. E tenho certeza que não foi essa a intenção de muitos que votaram. Também não votei para me livrar da Justiça porque nada me coloca no caminho dela.

Educação precisa ser prioridade

Educação precisa ser prioridade

A carreira de professor precisa ser valorizada para fazer justiça a sua atividade             

Certamente, ninguém discorda que a educação deve ser a prioridade no rol de políticas públicas, pela influência que tem sobre todas elas. Um povo com bom nível de educação tem menos problemas com a saúde. Uma juventude com excelente nível de educação não fica refém do crime e assim por diante. Mas como se identifica a prioridade? Eu entendo que tudo se inicia com a atenção que se dá aos professores, com investimentos em formação e qualidade de vida dos profissionais do ensino. Esses pontos eu tenho defendido sempre e na campanha para prefeito do Rio fiz isso com veemência.

Por isso, chama a minha atenção o ranking mundial em educação, publicado recentemente. O Brasil caiu no ranking mundial em educação em ciências, leitura e matemática. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgados hoje, mostram uma queda de pontuação nas três áreas avaliadas. O Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. Cingapura lidera em todas as matérias, pela prioridade que deu à Educação.

A causa apontada por especialistas pelo baixo desempenho do Brasil na Pisa 2015 é a dificuldade de proporcionar uma melhor formação para os professores.

A dificuldade de uma melhor formação tem a responsabilidade dos governos, mas também o obstáculo dos salários, que dificultam o investimento dos professores na própria formação. E nesse ponto, sobressai a reportagem do jornal O Globo sobre os aumentos salariais concedidos aos servidores públicos pelo Governo do Estado. O menor percentual de aumento foi dado aos professores, num absoluto contraste com os aumentos concedidos para os profissionais de Segurança Pública. Ao longo dos governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, dez categorias, de um total de 62, tiveram reajustes salariais superiores à inflação do período, que ficou em cerca de 81%, pelo IPCA-E. Observe a diferença: policias civis (185%), delegados (114%), policiais militares (165%), bombeiros (165%) e agentes penitenciários (139%).

E os professores? Apenas 33,49% de reajuste salarial!

Quem sabe se com mais investimentos em educação não seria possível menos gastos com a Segurança Pública. Mais escolas e menos presídios?

Foto: G1