Piratas nas pistas: chega de enxugar gelo

Piratas nas pistas: chega de enxugar gelo

Hoje o trabalho da polícia no combate às gangues que atacam caminhões de carga é basicamente o de enxugar gelo.            

Li na revista Veja desta semana uma extensa reportagem, escrita pelo jornalista Pedro Moraes, sobre o roubo de cargas de caminhões na região metropolitana do Rio de Janeiro. Chamaram a minha atenção os números altos da violência nas nossas rodovias. No ano passado, foi registrado um roubo desta natureza a cada hora no Estado (9870 casos), um recorde histórico. O problema é conhecido, corriqueiro. Então, porque continua acontecendo? O que falta efetivamente? Duas respostas: trabalho de investigação e reestruturação da polícia.

Hoje o trabalho da polícia no combate às gangues que atacam caminhões de carga é basicamente o de enxugar gelo. Os criminosos roubam, os policiais recebem a denúncia e fazem as buscas. Combatem-se as consequências e não as causas. É preciso um forte trabalho de investigação.

As responsáveis pelos roubos são quadrilhas conhecidas das forças policiais, formadas por traficantes de drogas. Segundo a reportagem, a própria polícia acredita que facções como o Comando Vermelho estejam à frente de mais de 50% dos ataques. Mas, na contramão da solução, os investimentos nas operações de inteligência reduziram de R$ 39.850,70 em 2014 para R$ 21.641,15 em 2015. Além disso, o efetivo da Polícia Rodoviária Federal no Rio diminuiu 36% nos últimos cinco anos.

A reestruturação da polícia é algo que sempre defendi, uma pauta que se fala há anos no Rio e toda a política de segurança pública reconhece a necessidade, mas os poderes competentes nada fazem.

Além da questão óbvia da segurança, os piratas das rodovias provocam prejuízo financeiro para as empresas, governo do estado e prefeituras. Isso durante a crise financeira. Segundo a Firjan, só no ano passado o prejuízo com o roubo de cargas chegou a R$ 619 milhões, sem contar o que o governo deixou de arrecadar com o comércio clandestino destas mercadorias. Nos últimos seis anos, o rombo provocado pelos assaltos já chega a R$ 2,1 bilhões. Além disso, a violência nas estradas aumenta os custos dos seguros das transportadoras, o que interfere diretamente no valor final dos produtos que chegam ao mercado. Dói no bolso do consumidor.

No ano passado, na Câmara dos Deputados, apresentei um projeto que cria o Plano Plurianual de Redução da Violência e o Planejamento governamental no âmbito da segurança pública (PLP 186/15). Foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

A ideia é definir programas, metas e projetos, associados aos indicativos de redução da violência. O projeto está em análise nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e depois segue para análise no Plenário da Câmara.

O problema é grave e não pode ser negligenciado, como vem sendo. Apenas planejamento, medidas efetivas e a tão desejada reestruturação das forças policiais podem cessar esta situação, que trazem insegurança à população fluminense e prejuízo aos cofres públicos.

Crédito imagem: Segurança Brasileira

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