Lixo: uma questão de saúde pública

Lixo: uma questão de saúde pública

Segundo a própria matéria, só em 2015, o Brasil gastou R$ 1,5 bilhão para tratar pessoas com doenças relacionadas à gestão inadequada de resíduos.            

A edição desta segunda do jornal O Globo traz uma extensa matéria assinada pelo jornalista Rafael Galdo sobre o aumento do número de lixões no Estado do Rio de Janeiro. A crise econômica fez com que o Rio seguisse na contramão da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que previa a extinção dos vazadouros a céu aberto. Faltam aos municípios recursos para destinar os detritos para os aterros sanitários e as dívidas se acumulam.

De acordo com o levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), o número de lixões no Estado subiu de 17 para 29 entre 2015 e 2016. Hoje, das 22 mil toneladas de detritos produzidas diariamente, apenas 15 mil têm a destinação correta, ou seja, vão para aterros sanitários.

O que isso significa? Impacto direto na saúde pública e aumento no gasto com a despoluição dos rios e do mar. Segundo a própria matéria, só em 2015, o Brasil gastou R$ 1,5 bilhão para tratar pessoas com doenças relacionadas à gestão inadequada de resíduos.

A cidade do Rio de Janeiro não tem lixão, mas seis municípios da Região Metropolitana têm (Duque de Caxias, Japeri, Guapimirim, São João de Meriti, Belford Roxo e São Gonçalo). Como a estrutura de saúde do Rio é maior, a capital sofre diretamente as consequências dos males provocados pelos vazadouros dos vizinhos.

Foi por situações como esta que instalamos, em fevereiro, na Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a Coordenadoria de Integração Metropolitana. O objetivo é implantar o conceito de gestão compartilhada da capital com os 21 municípios da região metropolitana, a fim de resolver questões de ordem urbana, de obras públicas e de habitação, e que têm impacto direto em outros segmentos, como meio-ambiente e saúde.

Caberá à coordenadoria articular com os municípios vizinhos as ações de desenvolvimento urbano e políticas públicas das cidades da Região Metropolitana que têm impacto direto na dinâmica urbana econômica e social do Rio.

A partir destas novas práticas, será possível estudar uma solução permanente para questões que envolvam mais de uma cidade, como, por exemplo, a despoluição da Baía de Guanabara. São vários os municípios que contribuem para sua contaminação permanente. Políticas públicas para a resolução do problema vão além das possibilidades singulares da cidade do Rio. Hoje, é possível criar um canal de articulação com estes municípios.

É claro que a crise econômica impede uma solução imediata do problema apresentado na matéria do O Globo, mas é possível atenuar o problema seguindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O plano prevê a redução de produção de resíduos, o reaproveitamento e a disposição correta em caso de resíduos não recicláveis.  Uma das propostas é realizar coleta seletiva e destinar apenas rejeitos (parte do lixo que não tem como ser reciclado) para os aterros sanitários.

Outra meta interessante do plano é implantar a logística reversa. A partir da mesma, as embalagens, uma vez descartadas, ficam sob a responsabilidade dos fabricantes, que devem criar um sistema para reciclar o produto.

O momento não é fácil, mas é fundamental lutarmos por uma sociedade que colabora com o meio ambiente através do descarte correto e reciclagem de seus materiais utilizados.

Crédito imagem: Fernando Lemos/Agência O Globo

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