Ciclovia só será reaberta quando for seguro

Ciclovia só será reaberta quando for seguro

A prefeitura só vai reabrir a ciclovia quando se sentir absolutamente segura da garantia de vida para as pessoas.            

Há muitos questionamentos sobre a reabertura da Ciclovia Tim Maia. O desejo da população carioca de utilizar a área de lazer é legítimo, afinal, trata-se de uma obra de R$ 45 milhões que foi simbólica para a imagem internacional do Rio de Janeiro às vésperas dos Jogos Olímpicos. Mas a inaceitável tragédia que completará um ano no próximo dia 21 – o desabamento de um trecho que resultou na morte de duas pessoas – nos impele a agir com prudência. A prefeitura só vai reabrir a ciclovia quando se sentir absolutamente segura da garantia de vida para as pessoas.

O trecho de 22,6 metros foi recuperado pelo consórcio Contemat/Concrejato, responsável pela obra original, e ficou pronto em julho do ano passado. Mas a reinauguração dependia de uma série de estudos que comprovassem a segurança da ciclovia. Em dezembro, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) foi intimado pela justiça para periciar a obra. O laudo técnico, apresentado em março, atestou que a estrutura da ciclovia não tem condições adequadas de segurança para utilização, e recomendou que ela continuasse interditada no trecho entre São Conrado e Leblon até que sejam realizadas obras que corrijam problemas estruturais.

A justiça solicitou que a prefeitura tomasse as providências apontadas pelo CREA, e nós pedimos um prazo de 90 dias para realizar um estudo mais aprofundado.

Havia a expectativa de que o laudo do CREA fosse suficiente para a reinauguração. Não é. O laudo é incontestável, serve como base e ponto de partida, mas não é decisivo. A prefeitura é responsável por garantir a segurança das pessoas, não o CREA. A Fundação Instituto de Geotécnica (Geo-Rio) fará a reavaliação de toda a obra tomando como ponto de partida o relatório do conselho.

A prefeitura vai continuar cumprindo as determinações da justiça. No momento, a Geo-Rio aguarda a decisão de conceder os 90 dias solicitados para realizar um estudo detalhado para que a empresa responsável possa fazer as melhorias com base em dados completos. Um exemplo disso será uma avaliação do impacto das ondas, ao longo de toda a ciclovia, com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH). Essa, inclusive, foi uma das recomendações do CREA durante a coletiva realizada para a imprensa. Além disso, a Geo-Rio analisará amostras e realizará testes. O objetivo é entregar o melhor e mais seguro possível para a população.

Existe um sistema de redes de proteção que, quando a onda bate, dissolve e perde força. Estamos trabalhando a possibilidade de utilizar este tipo de dispositivo para garantir a segurança da ciclovia.

Esta revisão na estrutura não tem a ver com questão política, nem de gestão. Não é porque a obra foi feita no governo passado. É porque duas pessoas morreram – Eduardo Marinho de Albuquerque, de 54 anos, Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos – e isso é intolerável. O desastre aconteceu durante minha campanha à prefeitura do Rio. Vi ali o problema do ponto de vista de candidato e cidadão. Hoje, como secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, me deparo com o problema do outro lado.

Ainda pensando na segurança das pessoas, é preciso tomar outro cuidado em razão de uma cultura temerária que já foi verificada. Mesmo com a sinalização de trecho interditado, algumas pessoas se aventuram passando por baixo da faixa. Ou seja, já sabemos de antemão que, no momento em que a ciclovia for reaberta e houver risco por conta da ressaca do mar, a interdição pura e simples não será suficiente. Tem que haver vigilância para que as pessoas não atravessem. A prefeitura deve tomar todas as medidas possíveis para evitar acidentes.

Crédito imagem: Márcia Foletto / Agência O Globo

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