Ações efetivas contra a violência

Ações efetivas contra a violência

Ontem, pela manhã, participei da segunda reunião do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), no Centro de Operações do Rio (COR). Durante quatro horas conversamos sobre o problema que mais assombra a população carioca nos últimos anos: o crescimento desenfreado da violência. Estiveram presentes, além do prefeito Marcelo Crivella e dos secretários, representantes de Exército, Marinha, Aeronáutica, Força Nacional de Segurança, Guarda Municipal, Polícia Federal, Policia Rodoviária, Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Público.

Partimos do princípio de que a segurança pública não é uma questão exclusiva das polícias, e que só o trabalho integrado entre todos os órgãos – sejam eles municipais, estaduais ou federais – pode trazer uma solução definitiva para a situação do Rio.

A guerra no Complexo do Alemão foi um dos principais temas abordados. Já apontei por diversas vezes a terrível falha na política de segurança pública do Governo do Estado, que implantou as Unidades de Polícia Pacificadora e não se preocupou com o mais importante – a transformação social. O raio-x do conjunto de favelas apresentado durante o encontro é um exemplo disso e ajuda a explicar o aumento absurdo da violência. Nos últimos anos, programas sociais importantes (sócio-educativos e esportivos, de saúde odontológica, terceira idade etc) foram abandonados e empresas que apoiavam as iniciativas começaram a sair.

Em virtude dos episódios recentes de violência no local, o prefeito Crivella cobrou de mim e de todos os secretários ações para dar cidadania e dignidade à população do Complexo. Vamos começar por lá. É evidente a necessidade de projetos sociais, por todos os aspectos que envolvem cidadania, assim como uma mudança da configuração urbana.

Na Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, criamos a Gerência de Planejamento e Segurança Pública, que trabalha a prevenção do crime através da arquitetura ambiental. Nossos projetos urbanísticos e construções são realizados sob a ótica da segurança. Neste contexto, já estamos trabalhando em projetos de verticalização das comunidades.

Precisamos trazer a população que vive nas favelas para a formalidade e de fato integrá-la ao resto da cidade, até para que possamos normatizar a cobranças, mesmo que com taxa social, pela água, luz, IPTU. A cultura do “tudo vale”, do “nada paga”, atrapalha muito as ações do estado. Neste contexto, já estamos trabalhando na legalização de imóveis em comunidades (o que já aconteceu em Fernão Cardim, no Engenho de Dentro, no bairro Barcelos, na Rocinha).

Outro ponto tratado na reunião foi a urgente necessidade de impedir a entrada de armas no Rio de Janeiro. Neste ponto, tivemos uma novidade positiva desde a última reunião. A Polícia Civil criou a Desarme, delegacia especializada no combater ao tráfico de armas. Isso é muito importante para o Rio. É necessário trabalhar a política de segurança pelas estratégias corretas, com inteligência, combatendo as causas da violência e não apenas as consequências.

A educação é o melhor caminho na luta contra o crime e, infelizmente, hoje o Rio de Janeiro corre na contramão. Os números de evasão escolar são catastróficos: 28 mil crianças não se matricularam na escola este ano. São jovens que ficam mais vulneráveis à sedução do tráfico.  O Rio precisa de um plano de ação bem elaborado, que interrompa definitivamente o domínio do crime sobre a vida das pessoas.

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