Transparência é uma questão de honestidade

Transparência é uma questão de honestidade

Governo transparente é aquele que apresenta com clareza o que faz com o dinheiro do contribuinte            

Imagine o seguinte quadro: Todos os meses você entrega ao seu filho o dinheiro para que pague a faculdade. Mas, sem que você saiba, ele decide gastar com qualquer outra coisa. Compra roupas no shopping, leva a namorada no cinema, vai para festas… A falta de transparência permite que o rapaz faça isso o tempo que quiser.  Um dia, bem mais tarde, você será surpreendido com a conta. Perceba que isto não é uma questão de ética ou de governança, mas de honestidade.

Transparência é quando a pessoa que custeia é informada sobre o uso que se faz do seu dinheiro. É quando o filho apresenta o boleto da faculdade pago todo mês. É assim que deveria funcionar a relação entre cidadão (na analogia, o pai) e governo (o filho).

Governo transparente é aquele que apresenta com clareza o que faz com o dinheiro do contribuinte. Assim como no exemplo do filho que recebe o dinheiro da faculdade, não é questão de ética, mas de honestidade.

Os recursos públicos não pertencem ao governo, seja ele qual for. Pertencem ao contribuinte. Cabe ao governo o papel de administrador. Portanto, é legítimo e desejável que, num estado democrático, o cidadão que paga impostos decida e tome ciência do que é feito com seu dinheiro. A falta de transparência significa falta de honestidade, e é justamente o que possibilita a corrupção.

Numa sociedade democrática, quem decide o uso que será dado ao dinheiro é a população, representada pelo parlamento. Os governos no Brasil não são transparentes. A população não tem o que é importante. Você paga os impostos, e elege administradores e fiscais, mas ninguém te dá satisfação do que faz com seu dinheiro. Tanto é que temos aqui ONGs (como a Contas Abertas) dedicadas a fornecer informações sobre os números das contas públicas, o que deveria ser obrigação do próprio governo.

O Estado do Rio de Janeiro foi o penúltimo colocado no ranking da transparência divulgado pela Controladoria Geral da União na semana passada, com base numa pesquisa realizada em 2016. Com nota 5 (de 10), ficamos à frente apenas do Amapá. Dá para concluir, portanto, que estamos na penúltima colocação no ranking de honestidade. Não à toa, vivemos uma crise sem precedentes e somos surpreendidos diariamente com escândalos de corrupção.

Ser transparente não é gentileza. É dever do Estado e direito do cidadão.

Crédito imagem: www.radioigapora.com.br

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