Nossa contribuição para o plano estratégico

Nossa contribuição para o plano estratégico

É por este motivo que estamos empenhados na simplificação e modernização dos processos de licenciamento da prefeitura            

Quando aceitei o convite do prefeito Marcelo Crivella e assumi no início do ano a secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, estabeleci dois pontos de partida: priorizar o plano urbanístico em todos os projetos e acabar com a burocracia. Isso não apenas simboliza uma revolução na administração pública municipal, como representa um passo decisivo para que o Rio seja um modelo de cidade construída para quem mais importa, o cidadão.

Sustentados por estes pilares, fechamos na última semana a proposta de Plano Estratégico com INICIATIVAS E METAS ASSOCIADAS SECRETARIA DE URBANISMO, INFRAESTRUTURA E HABITACAO medidas que deverão ser implementadas pela prefeitura até o fim de 2020. São diversas metas diretamente associadas à nossa secretaria. Já demos o pontapé inicial nas iniciativas, e os resultados já estão aparecendo, mas há muito trabalho pela frente. Que bom. O momento é de arregaçar as mangas e seguir na construção de uma cidade mais humana, mais integrada, onde todas as pessoas, indistintamente, se sintam bem.

A taxa de desemprego na cidade hoje é de 10,4%, segundo os dados do IBGE. É por este motivo que estamos empenhados na simplificação e modernização dos processos de licenciamento da prefeitura. Já estamos trabalhando na implantação do sistema “Licença na Hora” e na redução de 73% do Código de Obras, que passa de 160 para 44 artigos. Ao eliminar a burocracia desnecessária, vamos reduzir substancialmente os prazos de emissão das licenças, gerando imediatamente milhares de empregos na construção civil, um dos setores mais afetados pela crise. Nossa meta é emitir 100% das licenças de obras em até sete dias após o envio de toda a documentação e aprovação dos demais órgãos já a partir do ano que vem.

Por falar em combate ao desemprego, a retomada das obras do Corredor BRT Transbrasil, paralisadas pela antiga gestão da prefeitura em agosto do ano passado, gerou dois mil empregos diretos e quatro mil indiretos para a cidade. O trabalho segue a todo vapor no trecho entre Deodoro e a passarela 2 do Caju.

No Programa de Regularização Fundiária, já entregamos 951 títulos de propriedade em Fernão Cardin, Marechal Hermes e na Rocinha. Nossa meta é beneficiar até 100 mil famílias até o fim de 2020. Além disso, já retomamos as obras do Bairro Maravilha em 12 comunidades da Zona Oeste. Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba e Senador Camará estão entre as áreas agraciadas com pavimentação, drenagem e saneamento.

Pelo programa Favela-Bairro, vamos urbanizar 21 comunidades em Áreas de Especial Interesse Social. As obras já começaram em 16 favelas. O objetivo é continuar promovendo a integração social, econômica e cultural de moradores que vivem em locais precários informais da cidade.

Outra meta que estabelecemos é celebrar termos de cooperação técnica com os 20 municípios que compõem a região metropolitana até 2020. Já instalamos na secretaria a Coordenadoria de Integração Metropolitana. A sua criação cria as condições técnicas para que a prefeitura do Rio de Janeiro possa liderar politicamente, do ponto de vista institucional, o processo de gestão do território metropolitano, de ordenamento, de reequilíbrio e infraestrutura.

O desafio é enorme e absolutamente estimulante. O projeto ainda será aperfeiçoado pela população carioca. Esta é apenas a proposta inicial. O Plano será submetido ao crivo popular, e as metas serão discutidas em audiências públicas. A participação de todos é fundamental para que possamos construir uma cidade mais justa.

 

 

Cais do Valongo: marco da nossa herança africana

Cais do Valongo: marco da nossa herança africana

Acima de tudo, o reconhecimento histórico do Cais do Valongo fortalece a nossa vontade e compromisso de trabalhar pelo Rio            

Nós cariocas começamos a semana com uma notícia de encher o peito de orgulho. Um marco da nossa herança africana, o Cais do Valongo foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO.  O reconhecimento reforça a importância do Rio de Janeiro na constituição da diversidade da cultura brasileira e da ideia que nós temos de Brasil.

É também uma vitória de todos aqueles empenhados na afirmação da cultura africana, que deve ser uma luta de todos nós, como uma das nossas matrizes mais importantes. O Cais do Valongo é uma expressão material e simbólica de uma ação criminosa contra a humanidade. É um memorial de repúdio à escravidão. Este tipo de violência precisa ser lembrado para que jamais volte a acontecer.

O reconhecimento reforça ainda a vocação do Rio para o turismo. Sem dúvida, o Cais do Valongo será um ponto de referência para quem estuda e pesquisa essa questão trágica da história. No seu entorno se desenvolveu grande parte da cultura afro-brasileira, é onde temos a Pedra do Sal, quilombos, é um coalhado de memórias.

E vamos seguir trabalhando para preservar nossa história. Os arqueólogos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade estão fazendo o levantamento dos quase 500 mil itens que foram encontrados nos locais durante as intervenções. As peças estão na Vila Olímpica da Gamboa. O nosso objetivo é transformar o local em um centro de estudo, o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana.

Acima de tudo, o reconhecimento histórico do Cais do Valongo fortalece a nossa vontade e compromisso de trabalhar pelo Rio, a verdadeira capital cultural do Brasil.

Precisamos recuperar a imagem da Polícia

Precisamos recuperar a imagem da Polícia

Uma das providências fundamentais é acabar com a ousadia dos bandidos             

A série de reportagens “Rio Sem Polícia” do jornal O Dia retratou com precisão o quadro deprimente da segurança pública no Rio de Janeiro. Foi apresentado o diagnóstico de um governo que não dá prioridade ao combate à violência e não tem noção de como travar a guerra contra os bandidos. Os dados do Conselho Nacional do Ministério Público apontados nas matérias da série são alarmantes e ajudam a explicar os números absurdos da criminalidade no Estado: batalhões atuam com 60% do efetivo necessário, mais de 2 mil PMs estão cedidos a outros órgãos e quase 40% dos carros da corporação estão parados por falta de manutenção.

A consequência do pouco efetivo nas ruas e estrutura precária da polícia é um sinal verde para a criminalidade. Essa sensação de insegurança que a população fluminense vive não pode ser considerada normal. Enquanto nos conformarmos com o injustificável, nada vai mudar. É preciso ficar indignado a cada notícia trágica sobre a violência no Rio.

O primeiro impacto negativo de todos estes números é justamente na imagem do serviço de segurança pública. Diante de uma criminalidade cada vez mais sofisticada, o governo mostra uma polícia cada vez menos estruturada, menos equipada. Se você está em guerra – sim hoje o Rio de Janeiro está em guerra – mostrar fragilidade é uma desvantagem brutal. A imagem de policiais empurrando uma viatura no meio da rua não só ridiculariza a corporação como estimula a bandidagem.

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Uma estratégia básica de qualquer organização militar para a manutenção da paz é dissuadir o inimigo por projeção de força. Em outras palavras, para que a guerra não aconteça, é preciso mostrar superioridade ao inimigo. As nações do mundo inteiro fazem isso para desestimular o outro lado a atacar. É uma lição que a segurança pública por aqui não aprendeu.

O quadro apresentado na série também deixa evidente que polícia não é prioridade para o governo. Dos 2657 carros da PM, 990 estão parados para conserto. Por outro lado, pode apostar que não existem secretários do estado nem deputados estaduais andando a pé ou empurrando seus veículos oficiais. Estes têm manutenção adequada e rodam sem problemas. Fica claro que a prioridade é a burocracia, a mordomia.

Isso fica ainda mais evidente quando, num quadro em que o efetivo nas ruas é longe do ideal, mais de 2 mil agentes estão fora da linha de frente, cedidos a outros órgãos. Ou seja, para que as autoridades andem mais protegidas, retiram policiais da já escassa segurança da população.

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Quando a polícia mostra fragilidade e o governo deixa evidente que a segurança não é prioridade, o criminoso se sente encorajado e se torna mais ousado. Afinal, ele sabe que para enfrentá-lo há uma organização despreparada e desprovida de equipamentos, sem qualquer perspectiva de transformação em curto prazo. Não à toa, só neste ano 86 policiais foram assassinados. Uma estatística absurda, que não pode nem deve ser tratada com naturalidade.

E como se reverte o quadro? É preciso mudar a relação. Uma das providências fundamentais é acabar com a audácia dos bandidos. E para isso, não podemos oferecer este tipo de imagem da polícia. O governo tem que mostrar que não está de brincadeira, que a segurança pública é uma prioridade, e que a polícia está equipada, preparada, e tem agentes em condições de operar em todos os pontos. Garanto que os criminosos serão menos ousados.

Créditos imagens: O Dia online

Investigação para tornar o crime um mau negócio

Investigação para tornar o crime um mau negócio

É preciso velocidade no processo de investigar e punir os assassinos.            

Conhecemos bem a situação caótica em que vivemos no Rio. Ainda assim, é impossível não ficar assombrado toda vez que sai um novo levantamento do Instituto de Segurança Pública sobre violência no estado. Desta vez, os dados apontam que 38 mil pessoas foram assassinadas em 15 anos. O quadro é triste, mas mais triste ainda é perceber o quão distante a segurança pública está de uma solução definitiva para o problema. Veja que absurdo: apenas 10% dos casos têm autor identificado.

A investigação é peça fundamental na política de segurança pública, sobretudo porque ela age sobre uma questão importante: a equação econômica do crime. Fora os delitos de caráter passional, todo crime tem motivação econômica. O bandido só deixará de roubar e matar quando for para ele mais caro cometer estes tipos de crime do que não cometer. Enquanto o poder público só conseguir investigar 10% dos casos de homicídio, o criminoso seguirá achando que vale a pena matar. Afinal, na roleta russa, a chance dele ser não apanhado é de 90%.

Além disso, mesmo que seja apanhado, julgado e penalizado, não significa necessariamente que ele cumprirá uma pena que torne desinteressante economicamente cometer o crime.

É preciso velocidade no processo de investigar e punir os assassinos. Temos que tornar o crime definitivamente um mau negócio.

Porque a investigação hoje é frágil no Rio? Ora, porque não há estímulo para que os agentes do policiamento ostensivo façam sua parte no processo. O atraso na estrutura tecnológica do sistema de segurança faz com que os policiais percam horas fazendo uma simples ocorrência. Todo dia são acumuladas pilhas e pilhas de fichas nas delegacias.  

Imagine a agilidade que se daria ao processo se todas as ocorrências fossem eletrônicas. A vítima faria queixa a qualquer policial, que com um aplicativo já mandaria o caso para o sistema da delegacia, onde começaria a investigação. Neste caso, porque não autorizar a Guarda Municipal a fazer ocorrências dos crimes de menor poder ofensivo, como um roubo de bicicleta? Ao investigar e punir transgressões menores, a segurança pública manda um sinal claro de que vai punir duramente os crimes de maior poder ofensivo. É o caminho para inibir os criminosos.

É estupidez acreditar que apenas o policiamento ostensivo, de confronto, resolverá a grave questão da criminalidade no Rio de Janeiro. É preciso priorizar o serviço de inteligência, reestruturar a segurança pública. Atacar o crime em suas causas, não nas consequências.  

Crédito imagem: http://profjulianamoreira.com.br

Retomada de obras gera empregos no Rio

Retomada de obras gera empregos no Rio

Uma obra paralisada antes da conclusão significa prejuízo para os cofres públicos      
     
As obras do BRT Transbrasil, na Avenida Brasil, seguem a todo vapor. Quando o prefeito Crivella e eu anunciamos a retomada dos trabalhos entre Deodoro e Caju, estivemos em um canteiro e pudemos ver de perto a satisfação de centenas de operários. Esta obra significou geração imediata de dois mil empregos diretos e outros quatro mil indiretos para a cidade do Rio de Janeiro. Em Guadalupe, o início das obras de expansão do Parque Madureira, criou mais 400 empregos diretos e 800 indiretos.
Em outras palavras, só com estas duas obras cobrimos mais de 2% do buraco de desemprego no Rio, se considerarmos que hoje temos 340 mil pessoas sem trabalho no município. Fico feliz em ver o sorriso do trabalhador que tem oportunidade para seguir a sua luta e cuidar da sua família.
Mas queremos fazer mais. Vamos oferecer, no final do dia, nas obras públicas, cursos de qualificação profissional para que nossos operários, serventes, carpinteiros, pedreiros e muitos outros, aprendam a ler plantas e entendam com mais profundidade seu ofício. Afinal, a qualificação de mão de obra é fundamental para cada trabalhador ter mais oportunidades.
É importante esclarecer que as obras do BRT Transbrasil que reiniciamos foram suspensas em agosto de 2016. A paralisação e as dívidas deixadas no caixa foram irresponsabilidades da antiga gestão da prefeitura. O ex-prefeito não registrou como Restos a Pagar o custo de mais de R$ 900 milhões de obras já realizadas e não pagas. Com isso, promoveu uma nova modalidade de pedalada: É a “motocicletada”, uma pedalada fiscal turbinada com gasolina.
Uma obra paralisada antes da conclusão significa prejuízo para os cofres públicos. É dobrar a despesas com aluguéis de equipamentos, mobilização dos canteiros, com operários que foram demitidos e receberam seus direitos e agora terão que ser recontratados. De acordo com o Consórcio Transbrasil o custo de manutenção no período que as obras estavam suspensas foi de R$ 6 milhões por mês, o que onerou a obra em quase R$ 48 milhões nos oito meses em que ficou parada. Isso tudo durante um período de dificuldades financeiras.

Violência no Brasil mata mais do que terrorismo

Violência no Brasil mata mais do que terrorismo

O Rio de Janeiro teve mais de 34 mil jovens executados em dez anos.      
        
O mundo inteiro fica perplexo, com justo motivo, com os atentados terroristas na Europa, com a guerra na Síria, com as mortes na Venezuela por causa da crise política. Mas, quando o tema é a violência nas ruas do Rio de Janeiro, isso parece não incomodar mais e menos ainda deixar as pessoas perplexas. É impossível abrir o jornal e ficar indiferente a estas estatísticas da violência. Fiquei abismado com o resultado da pesquisa “Altas da Violência”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicável (Ipea). Dentre outras coisas, o estudo mostra que temos uma média de quase 60 mil homicídios por ano no Brasil. Isso significa que o número de pessoas assassinadas no país a cada três semanas (3.381, em média) é maior do que o total de vítimas do terrorismo ao redor do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 (3.314). Em dez anos, o Brasil teve 318 mil jovens executados!
Nós não podemos aceitar isso! Esse desastre na segurança pública não pode ser considerado normal. Se acharmos que é, vai continuar acontecendo.
Ao analisar a pesquisa, fica evidente o impacto inicial positivo da implantação do programa das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro. Houve uma redução de 36,4% dos homicídios entre 2005 e 2015. Mas não temos motivos para comemorar. Primeiro porque foram mais de 63 mil vidas tiradas no estado durante este período – é preciso ficar alarmado com este número. Segundo porque o estudo foi feito com dados computados até 2015. Portanto, a crise de segurança pública no estado nos últimos dois anos, evidenciado pela falência das UPPs, só será refletida nos próximos índices.
Já falei sobre este tema diversas vezes. É fundamental que seja retomado o programa das UPPs com o foco na transformação social, como foi concebido pelo ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame. Aproveitar a ocupação e a ausência de conflitos para levar a urbanização às favelas e entrar com todo o arsenal de possibilidades de serviços e intervenções públicas.
O Rio de Janeiro teve mais de 34 mil jovens executados em dez anos. Ou seja, estamos interrompendo o futuro. Some isso aos números gritantes de desemprego e à crise na educação. O que podemos esperar dessa juventude?
A situação é grave, mas tem solução. É necessário trabalhar a política de segurança pelas estratégias corretas, com inteligência, combatendo as causas do crime e não apenas as consequências.
Tenho me dedicado em busca de soluções para a questão da violência. Na semana passada, escrevi um artigo em que falei sobre a necessidade de um serviço sério de investigação aliado à tecnologia para reprimir entrada de armas no Rio. Afinal, este cenário de terror só existe porque os bandidos estão armados.  A pesquisa comprova exatamente o que venho afirmando. As armas de fogo foram responsáveis por 71,9% dos homicídios no país.
Não é à base apenas de analgésicos que um médico vai conseguir tratar um paciente portador de doença grave. Ao invés de combater só os sintomas, é preciso agir contra as causas. O Rio precisa de um plano de ação bem elaborado, baseado no serviço de inteligência, que reestruture a polícia e interrompa definitivamente o domínio do crime sobre as pessoas. Não podemos mais perder tantas vidas por conta dessa onda desenfreada de violência.
Crédito imagem: portal EBC

Como combater a entrada de armas no Rio

Como combater a entrada de armas no Rio

Coibir a entrada de armas no estado significa enfraquecer o crime.             

Não podemos mais aceitar com naturalidade essa onda de violência que assola o Rio de Janeiro. Um estado inteiro ser obrigado a conviver com milhares de bandidos equipados com armamento militar pesado não pode ser considerado normal. É preciso ficar chocado e tomar providências quando se lê no noticiário que, no mês de abril, o Instituto de Segurança Pública registrou no Rio o maior número de assaltos dos últimos 27 anos.  Foram quase 23 mil roubos!

De acordo com os dados divulgados pelo ISP, desde que o os números da violência começaram a ser registrados estatisticamente, em 1991, o mês de abril deste ano teve o maior número de ocorrências para cinco diferentes modalidades de roubos — a pedestre (8.551), em coletivo (1.591), de carga (1.032), de veículo (4.891) e de celular (2.519). Vale ressaltar que o quadro real é ainda mais grave, visto que, com a greve da Polícia Civil, os índices divulgados foram afetados por uma grande subnotificação.

Este cenário de terror só existe porque há armas nas mãos dos bandidos – afinal, os assaltos acontecem porque os criminosos estão armados. Mas não é só o roubo que preocupa a população fluminense. A sociedade vive assustada com o tiroteio cotidiano. Pessoas inocentes são vítimas de balas perdidas todos os dias.

Arma não se produz em casa. Para chegar à mão do bandido no Rio de Janeiro, ela precisou se transportada de algum outro lugar. É fundamental que haja um serviço sério de investigação e inteligência para reprimir sua entrada no estado. Neste contexto, a tecnologia pode ser uma grande aliada.

Há tempos estou convencido da gravidade da situação no estado e, por isso, tenho me dedicado exaustivamente ao tema da violência. Conhecer modelos já existentes que efetivamente funcionam em outras praças é um passo para encontrarmos a solução definitiva para o Rio. Na semana passada, aproveitei minha estadia em Madrid e visitei a polícia municipal e o Aeroporto de Barajas para conhecer a aplicação do uso da tecnologia na segurança pública.

Um sistema interessante utilizado por lá, e que poderia ser adaptado para a nossa realidade, é o escaneamento de veículos. Com este recurso tecnológico, é possível identificar se caminhões ou carros estão transportando armas ou drogas. Imagine se dispuséssemos deste equipamento para controlar nossas fronteiras rodoviárias, portos e aeroportos.

Coibir a entrada de armas no estado significa enfraquecer o crime. É o melhor caminho para reduzir os números absurdos da violência no Rio de Janeiro.

Crédito imagem: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

 

Transparência é uma questão de honestidade

Transparência é uma questão de honestidade

Governo transparente é aquele que apresenta com clareza o que faz com o dinheiro do contribuinte            

Imagine o seguinte quadro: Todos os meses você entrega ao seu filho o dinheiro para que pague a faculdade. Mas, sem que você saiba, ele decide gastar com qualquer outra coisa. Compra roupas no shopping, leva a namorada no cinema, vai para festas… A falta de transparência permite que o rapaz faça isso o tempo que quiser.  Um dia, bem mais tarde, você será surpreendido com a conta. Perceba que isto não é uma questão de ética ou de governança, mas de honestidade.

Transparência é quando a pessoa que custeia é informada sobre o uso que se faz do seu dinheiro. É quando o filho apresenta o boleto da faculdade pago todo mês. É assim que deveria funcionar a relação entre cidadão (na analogia, o pai) e governo (o filho).

Governo transparente é aquele que apresenta com clareza o que faz com o dinheiro do contribuinte. Assim como no exemplo do filho que recebe o dinheiro da faculdade, não é questão de ética, mas de honestidade.

Os recursos públicos não pertencem ao governo, seja ele qual for. Pertencem ao contribuinte. Cabe ao governo o papel de administrador. Portanto, é legítimo e desejável que, num estado democrático, o cidadão que paga impostos decida e tome ciência do que é feito com seu dinheiro. A falta de transparência significa falta de honestidade, e é justamente o que possibilita a corrupção.

Numa sociedade democrática, quem decide o uso que será dado ao dinheiro é a população, representada pelo parlamento. Os governos no Brasil não são transparentes. A população não tem o que é importante. Você paga os impostos, e elege administradores e fiscais, mas ninguém te dá satisfação do que faz com seu dinheiro. Tanto é que temos aqui ONGs (como a Contas Abertas) dedicadas a fornecer informações sobre os números das contas públicas, o que deveria ser obrigação do próprio governo.

O Estado do Rio de Janeiro foi o penúltimo colocado no ranking da transparência divulgado pela Controladoria Geral da União na semana passada, com base numa pesquisa realizada em 2016. Com nota 5 (de 10), ficamos à frente apenas do Amapá. Dá para concluir, portanto, que estamos na penúltima colocação no ranking de honestidade. Não à toa, vivemos uma crise sem precedentes e somos surpreendidos diariamente com escândalos de corrupção.

Ser transparente não é gentileza. É dever do Estado e direito do cidadão.

Crédito imagem: www.radioigapora.com.br

Multa ou assalto?

Multa ou assalto?

Foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado uma lei que proíbe radares de velocidade, os famosos “pardais”, em áreas de risco do Rio. O projeto reflete a angústia do deputado estadual Dionísio Lins, que é a mesma da sociedade fluminense: o alto índice de violência nas vias urbanas. O cidadão vive um impasse. Se reduzir a velocidade, é assaltado. Se acelerar, é multado. É a prática cotidiana do ditado popular “Se ficar, o bicho pega. Se correr, o bicho come”.

A violência está espalhada por todo o estado. É só acompanhar o noticiário para perceber isso.

Ontem, em Santa Cruz, Zona Oeste, uma mãe levava o filho de quatro anos ao hospital quando foi abordada por dois bandidos. Os criminosos levaram o veículo com a criança presa na cadeirinha. Felizmente, o caso não terminou em tragédia. Neste fim de semana, na Tijuca, na Zona Norte, o neto do Zagallo foi assaltado e baleado quando deixava um amigo em casa. Perto dali, um roubo de carro, ontem, terminou com troca de tiros entre polícia e bandidos e um passageiro de ônibus atingido por uma bala perdida no Elevado Paulo de Frontin.

No início do mês, vimos traficantes incendiarem ônibus na Avenida Brasil e na rodovia Washington Luiz, duas vias expressas de acesso à cidade do Rio, com grande movimento. Em março, a Ponte Rio-Niterói parou com o sequestro de um ônibus. No início desta semana, no bairro do Jockey, em Campos, um homem foi baleado no rosto, dentro do carro. São incontáveis casos em todo estado.

Ora, até o apartamento do governador, no Leblon, foi invadido e roubado. A realidade é que o Governo do Estado perdeu completamente a capacidade de garantir a segurança da população. E como não apresenta uma solução definitiva, ficamos todos a buscar paliativos.

É legítimo o medo que o motorista tem de reduzir a velocidade nos pardais, mas a verdade é que a proposta vai contra todas as medidas adotadas para reduzir acidentes de trânsito. Dados do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte mostram que a implantação da fiscalização eletrônica em rodovias federais e em trechos de vias urbanas contribuiu para a redução de aproximadamente 70% dos acidentes.

Se seguirmos esta linha de raciocínio, daqui a pouco, vão sugerir que não tenhamos mais Lei Seca em áreas de risco.

Não é assim, com medidas paliativas, que vamos resolver o problema de violência no Rio de Janeiro. O que o governo precisa é dedicar tempo, dinheiro e atenção qualificada à questão da segurança pública. Deve-se investir em equipamento e na capacitação de policiais. Minha proposta é que se crie um plano de ação fundamentado no serviço de inteligência, em que se converse e aprenda com quem entende do assunto – o que não implica apenas em consultar especialistas, já que a população em geral sabe melhor do que ninguém o risco que corre.

Outra medida fundamental é retomar o desenho inicial do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora, como foi proposto pelo ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame. Ou seja, ocupar áreas controladas por tráfico ou milícia, para que se crie oportunidade de uma verdadeira transformação social. Levar cidadania, assistência social e saúde a pessoas que vivem em comunidades e interromper a influência do crime sobre os jovens.

Veja como o quadro é grave. A maior arma contra o crime é a educação. Só que a violência impede as crianças de frequentarem as escolas. Segundo o levantamento da Secretaria Municipal de Educação, por consequência dos confrontos e operações policiais, neste ano, a rede municipal funcionou integralmente em apenas seis dias letivos. Só hoje, mais de 5 mil alunos do município foram afetados por ações policiais na Cidade de Deus e Praça Seca.

Apenas com a implantação de uma política de segurança pública séria, que resolva o problema da violência pelas causas e não pelas consequências, o motorista fluminense um dia não terá mais que decidir se prefere ser multado ou assaltado.

Dia das Mães

Dia das Mães

É dia de homenagear quem sempre cuida da gente. Aquela que nos enxerga como crianças, não importa a idade. Que dá as merecidas broncas, e se preocupa se estamos nos alimentando direito, se levamos o casaco “porque vai esfriar”, se vamos chegar tarde em casa. Que sofre mais do que ninguém com as nossas dores, e que vibra orgulhosa na mesma proporção com as vitórias. Hoje é dia de parabenizar a todas as mães.

O Dia das Mães é também o momento de refletir sobre o papel delas na sociedade. As mães são efetivamente as maiores vítimas da situação crítica do país, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro. Quando uma criança ou um policial morre por conta de uma bala perdida, são elas que mais sofrem. São as mais afetadas pela falta de emprego, e com a precariedade dos sistemas de educação e saúde.

Mas este cenário caótico não é definitivo. Há sim chance de recuperação. E a saída passa justamente pela figura materna. Ninguém tem melhor a capacidade de transmitir os valores da honestidade, da importância do trabalho, de não querer ficar rico a qualquer preço e de não perder a esperança em relação ao futuro. É o que falta hoje na sociedade brasileira. Estamos nitidamente vivendo numa era de inversão de valores.

A mulher tem um papel fundamental na sociedade, cada vez mais importante, sobretudo quando exerce a função de mãe. O IBGE revelou recentemente que em 40,5% dos domicílios brasileiros as mulheres são a pessoa de referência, a chefe da família, quem sustenta a casa. Com este quadro, é preciso que elas tenham melhores condições para criar os filhos. E é aí que entra o papel da prefeitura, oferecendo creches e educação de qualidade.

Creches e escolas não podem ser meros depósitos de crianças, mas elementos auxiliares importantes na educação dos filhos.

Não à toa, os títulos de posse e de propriedade que nós entregamos geralmente vêm no nome da mulher. Isso porque na maioria dos casos é ela que cuida dos filhos, fica mais em casa, se preocupa mais com o bem-estar da comunidade, do entorno. É claro que não são todos os casos, pois se respeita também o histórico da ocupação e a questão de documentação. Mas, de modo geral, dar a documentação à mulher é garantia de que o benefício será repassado para os filhos.