Um bunker para o PMDB do Rio

Um bunker para o PMDB do Rio

Sem autoridade moral, presidente da Alerj está protegido por um bunker                   

Passei cedo pelo Centro do Rio para ir ao aeroporto, com destino a Brasília. Vi uma praça de guerra. A Alerj, casa do povo, está transformada num bunker para defendê-la dos servidores do povo. Há policiais por todos os lados. As ruas estão bloqueadas.

O quadro é típico de governos autoritários, que servem, exclusivamente, aos grupos políticos que os compõem. Nesse ponto, o PMDB fluminense, com Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e a família Picciani, é semelhante ao governo do PT, que quebrou o Brasil. Felizmente, na cidade do Rio de Janeiro, interrompemos a ação dele, quando derrotamos Pedro Paulo.

O PMDB do Rio desconheceu todos os alertas sobre os reflexos da crise econômica mundial e as consequências da redução gradual, mas veloz, do preço do petróleo. Preferiu ignorar tudo isso, ao risco de perder a eleição de 2014. Mas, se dissesse a verdade, também não perderia. E, se perdesse, que problema teria a derrota, se preservada a verdade? Nenhum problema.

Durante a campanha de 2014, Pezão afirmou em todas as entrevistas e debates: “Vou avançar com as UPPs. Vou levá-las para São Gonçalo, Niterói, Nova Iguaçu e toda a Baixada Fluminense, além da Zona Oeste”. E disse mais: “Vamos avançar na segurança pública”. Não foi o que vimos. Para a Educação, a promessa foi colocá-la no primeiro lugar no Ideb; o ensino médio, no horário integral, e com ensino profissionalizante. Não foi o que vimos.

Será que o governador não sabia que as contas do governo do estado estavam por um fio? Sim, sabia. Todas as pessoas dedicadas ao estudo do tema sabiam.

Agora, a crise chegou. Caiu a cortina que escondia a verdade. Porém, ainda há coisas escondidas. O jornal Globo, por exemplo, publicou uma reportagem, no feriado da Proclamação da República, que, na Alerj, cercada para votar matérias que prejudicam os servidores públicos, a festa permanece. “Enquanto estado corta restaurantes populares, Alerj cota preços de bufês para almoços e coquetéis”, revelaram as jornalistas Carla Rocha e Leila Youssef.

Há necessidade de reorganizar as contas, mas seria mais fácil conseguir o apoio do povo e dos próprios servidores, se o governador tivesse autoridade para cobrar sacrifícios. Autoridade que Pezão perdeu com as mentiras que contou na campanha e pelos acordos que ainda mantém com os partidos da base aliada.

O presidente da Alerj não precisaria estar protegido por um bunker, se tivesse autoridade moral para cobrar sacrifícios. O modo como Jorge Picciani ocupa a máquina pública do estado com a família e a forma como ordena as despesas na Alerj mostram que não tem.

Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Uma hora a conta vem…

Uma hora a conta vem…

A saída do PMDB da prefeitura abriu oportunidades para medidas preventivas contra essa crise            

O governo do Rio de Janeiro esperneou e tentou não fazer. Mas não conseguiu fugir e editou uma série de medidas para reequilibrar as contas. Medidas duríssimas, que atingem em cheio a população, principalmente a mais pobre.

A atitude do governo do estado pode ser comparada a de uma pessoa que não cuida da saúde, leva uma vida sedentária, fuma e é hipertensa. Ela tem uma rotina diária com hábitos ruins, até que o organismo reaja de uma maneira drástica com um enfarte ou acidente vascular cerebral (AVC). A pessoa passa, então, a cuidar da saúde, com uma dieta duríssima, visitas periódicas ao médico e caminhadas pela manhã.

O governo do PMDB no estado passou indiferente pelos avisos de risco de insolvência e na campanha de 2014, chegou ao ponto de contestá-las. Deu no que deu.

O mesmo risco corre a prefeitura do Rio, mas com a vantagem do resultado da eleição, que, ao tirar o PMDB, abriu oportunidades para medidas preventivas que salvem o paciente antes do enfarte ou do AVC nas contas.

A propósito das contas do governo do estado e do pacote de medidas, no sábado, a Miriam Leitão publicou “Cenário Grego”, que vale a pena compartilhar com vocês, pedindo atenção especial para o quadro Raio X das Finanças do Rio, que demonstra como o quadro foi deteriorado exatamente no período que eu comento, de 2012 a 2015.

 

Cenário grego

 

O pacote anunciado pelo governo do Rio lembra as medidas implementadas pelos gregos no auge da crise fiscal europeia: congelamento de salários, corte em programas sociais, aumento de impostos e de contribuições de ativos e inativos. Esse é o cenário que o Governo Federal tenta evitar no país com a PEC do teto de gastos e a reforma da Previdência. O Rio demorou a agir e agora sofre um impacto mais forte.

As finanças do estado padeceram de vários males ao mesmo tempo, explica o economista Fábio Klein, da Tendências Consultoria. Houve crescimento desordenado de gastos, muitos deles com maquiagens fiscais; queda de receitas pela redução dos preços do petróleo; crise na Petrobras e nas grandes empreiteiras por causa da corrupção revelada pela Lava-Jato. A recessão derrubou a arrecadação e houve menos repasses do Governo Federal.

— Os Jogos Olímpicos também demandaram mais gastos e investimentos e houve antecipação de receitas com royalties que foram usadas para pagar inativos. Foi uma combinação de fatores para se chegar a uma situação tão crítica — afirmou Klein.

A dívida líquida chegou a 198% da receita corrente líquida, no limite do que é permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo está superendividado. Além disso, as contas anuais estão no vermelho desde 2013, mesmo sem considerar as despesas financeiras. O estado teve déficit primário de R$ 1 bilhão há três anos e o número saltou para R$ 3,5 bilhões no ano passado. As despesas com pessoal cresceram 52% em termos nominais entre 2012 e 2015. Já os gastos com inativos e pensionistas subiram 100% no mesmo período, de R$ 5,2 bilhões para R$ 10,8 bi (veja a tabela).

A grande dificuldade do governo será aprovar medidas duras e impopulares a toque de caixa na Assembleia Legislativa. O corte de 30% nos rendimentos dos servidores terá enorme resistência, e o aumento de impostos pode agravar a recessão e não ter o efeito que se espera na arrecadação. O PMDB do Rio deixou a crise chegar ao limite antes de começar a agir. É o erro que precisa ser evitado na esfera federal.

 

Raio X das finanças do Rio
Raio X das finanças do Rio

Gastos com pessoal disparam

Segundo dados do Tesouro Nacional, o Rio foi o estado do país que mais aumentou as despesas com pessoal ativo e inativo. O crescimento real entre 2009 e 2015, ou seja, já descontada a inflação do período, chegou quase a 70%. Olhando para o endividamento, o Rio tem a terceira pior colocação, ganhando apenas do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais.

Primórdios da crise

A capitalização da Petrobras ocorrida no final do governo Lula, em 2010, foi uma trapalhada tão grande que gera confusão até hoje. Agora, a empresa, a União e a ANP estão discutindo quanto a estatal terá que receber do Governo Federal para compensar a queda dos preços do petróleo. A operação foi tão estranha que envolveu o BNDES e deu início ao que ficou conhecido como as “alquimias fiscais”. Pela primeira vez, o governo transformou dívidas em receitas, inflando os dados do superávit primário. A perda de confiança nesse indicador aumentou no governo Dilma e é um dos motivos para a recessão atual.

RECESSÃO. A MacroSector Consultores estima que a perda de empregos formais este ano chegará a 1,7 milhão de vagas.

PERDAS E GANHOS. O Bradesco revisou de 1,5% para 1% a previsão para o PIB de 2017, mas melhorou a estimativa para a inflação, de 4,9% para 4,7%.

CONFIANÇA. Desde 2014 um banco global não concedia empréstimo sem garantia real à Petrobras, como fez o Santander. O financeiro da empresa comemorou.

Fonte: Jornal O Globo 5/11/2016

 

 

 

“Prepara o seu coração…”

“Prepara o seu coração…”

As surpresas não findam no governo do estado                

O jornal O Globo deu a notícia da proposta de orçamento encaminhada pelo Governador Francisco Dornelles à Assembleia Legislativa. Embora a manchete seja sobre o valor do déficit – R$ 15,3 bilhões, o dado não me surpreendeu. Era de se esperar. O Governo do Estado pecou pela falta de planejamento e previsão. Apostou todas as fichas no petróleo e numa riqueza que já não existia, quando Pezão se apresentou candidato à reeleição.

A minha surpresa está em dois pontos da matéria assinada pelas repórteres Maria Elisa Alves e Selma Schmidt:

  1. O governador Pezão maquiou o orçamento de 2016, para desaparecer com o déficit, que naquele tempo já era expressivo. A informação é do deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha: “O governo superestimou as receitas para poder equilibrá-las com as despesas. E é claro que as receitas não se concretizaram. O governo deveria ter diminuído as despesas para fechar a conta”.
  2. Para equilibrar o orçamento do próximo ano, o governador Francisco Dornelles organizou um conjunto de medidas – projetos e decretos – para reduzir salários, aumentar tributos, acabar com secretarias e cargos em comissão e encerrar benefícios fiscais. Só que o governador licenciado, que pelo jeito está em exercício, avisou às repórteres: “Ainda não batemos o martelo. Não fechamos os números”.

A declaração do deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha identifica uma manobra do governador Pezão. Procedimento semelhante tirou Dilma Rousseff da Presidência do Brasil. A declaração do governador licenciado mostra que ele, na verdade, não está licenciado. Isso cria a situação esquisita de um estado com dois governadores.

Mas, prepara o seu coração, porque as surpresas não findam no governo do estado e daqui a pouco virá à tona a realidade financeira da prefeitura do Rio, que o prefeito Eduardo Paes ainda esconde.

Foto: Google

A Crise que esconderam aparece

A Crise que esconderam aparece

A dívida da prefeitura com as empreiteiras seria de pelo menos R$ 700 milhões             

Durante toda a minha campanha para prefeito do Rio, eu busquei sempre uma relação sincera e honesta com o eleitor carioca. Não fiz promessas mirabolantes e inconsequentes em busca desesperada pelo voto. Pelo contrário, demonstrei preocupação com as finanças do município e o tamanho do desafio do próximo prefeito eleito. Fiz, também, questão de mostrar o problema. Na contramão, o meu então adversário do PMDB, Pedro Paulo, e o atual prefeito, Eduardo Paes, pautaram a eleição com projetos faraônicos. Eu avisei!

Pois bem. Reportagem publicada pelo jornal O Globo, no último domingo, mostra a gravidade da situação. O texto conta que “no apagar das luzes do primeiro turno eleitoral, a prefeitura teria determinado que dezenas de obras na cidade parassem, sem informar o motivo aos responsáveis pelos trabalhos”. A denúncia, conforme noticiou o jornal, é da Associação de Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj).

Segundo a Aeerj, depois do primeiro fim de semana deste mês, 26 notificações de construtoras relataram a situação. Elas são responsáveis por pelo menos 26 obras, principalmente de urbanização, como o programa Bairro Maravilha, anunciado com pompa por Pedro Paulo na propaganda eleitoral de TV. Os trabalhos do BRT Transbrasil também estão na lista e não têm prazo para ser retomado. A dívida da prefeitura com as empreiteiras seria de pelo menos R$ 700 milhões.

E o mais grave: em e-mails recebidos pela Aeerj (e obtidos pelo Globo), “empresários relatam ter sido surpreendidos pela decisão do município de desmobilizar os canteiros (de obras). Uma das mensagens eletrônicas conta que a prefeitura chegou a pedir que as obras fossem executadas com força total antes do primeiro turno das eleições e, depois, determinou o contrário”, relata a reportagem. As obras suspensas beneficiariam principalmente comunidades pobres. Um desrespeito!

No “planeta Pedro Paulo”, tudo era possível. O programa de governo dele só se falava em fazer obras e mais obras. De onde viria o dinheiro? Ninguém sabia explicar. Fez igual a ex-presidente Dilma Rousseff e ao governador licenciado Luiz Fernando Pezão: prometeram tudo! Pedro Paulo disse, por exemplo, que construiria 314 novas escolas, 10 superclínicas, seis parques iguais ao de Madureira, 58 quilômetros de BRT e ainda um VLT ligando Botafogo até a Gávea.

Agora, o prefeito Eduardo Paes diz em entrevista que não deve dinheiro a nenhuma construtora e ainda ameaça cancelar os contratos. O eleitor carioca fez sua escolha nas urnas: deixou Pedro Paulo de fora do segundo turno e provou não acreditar mais em Papai Noel, Saci Pererê, Coelhinho da Páscoa e Mula sem Cabeça.

Foto: Jornal O Globo 23/10/2016

Violência é tema de encontro entre Indio e Dom Orani

Violência é tema de encontro entre Indio e Dom Orani

Indio da Costa detalhou como funcionaria nova Secretaria de Segurança Pública em seu governo    

O candidato a prefeito do Rio pelo PSD, Indio da Costa, se encontrou nesta terça-feira com o cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo da cidade, no Palácio São Joaquim, na Glória, na Zona Sul.

Acompanhado do vice da chapa, deputado federal Hugo Leal (PSB), Indio foi recebido em um almoço pelo religioso e também por bispos auxiliares e por vigários episcopais.

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Indio da Costa e Dom Orani conversaram sobre os problemas enfrentados pela população do Rio

Indio da Costa e Dom Orani conversaram sobre os problemas enfrentados pela população do Rio. O candidato apresentou as principais propostas de seu plano de governo caso seja eleito, como saúde, educação, transportes e gestão. No entanto, o destaque foi a violência no município. Indio explicou detalhes sobre a criação da Secretaria municipal de Segurança Pública.

– Os órgãos de manutenção da cidade e a guarda municipal vão para a Secretaria municipal de Segurança Pública. Entendemos que uma área degradada atrai a violência. Então, a ideia é trabalhar com a iluminação, cuidar dos parques e jardins e requalificar a guarda para que ela se faça presente. Tudo num trabalho em conjunto – disse.

Segundo Indio da Costa, a nova pasta não aumentará os custos da prefeitura:

– Eu vou criar a secretaria sem nenhum custo a mais e nem para nenhum carioca. Vamos reestruturar o quadro administrativo.

Em junho, Dom Orani passou por um tiroteio. O cardeal permaneceu por dez minutos se protegendo dos disparos, até poder seguir para o aeroporto. O religioso foi surpreendido durante um ataque a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa, no Centro do Rio. Foi a terceira vez em que ele viveu de perto a insegurança da cidade. Entre setembro de 2014 e julho de 2015, o arcebispo foi vítima de dois assaltos a mão armada.

– A lei federal 13.022 entregou para as prefeituras do Brasil inteiro a responsabilidade de cuidar da vida das pessoas. O que a gente vai fazer é executar essa lei em conjunto com o governo do estado: abrindo as informações dos hospitais e das escolas. Só por ali, a polícia civil tem muita informação para avançar com as investigações que muitas vezes ficam paradas – ressaltou Indio.

O candidato comentou a visita ao religioso:

– Dom Orani foi assaltado duas vezes, ficou em meio a um tiroteio, teve o celular roubado. Conversei com ele e mostrei que, com tecnologia, a gente pode evitar esses assaltos por causa de celular, inutilizando o aparelho e evitando esse tipo de roubo. Esse é um passo importante e é um desafio para o próximo prefeito.

Pela manhã, Indio da Costa fez uma visita técnica pelo sistema lagunar da Baixada de Jacarepaguá a convite do biólogo Mário Moscatelli.

Insegurança por toda parte

Insegurança por toda parte

Há pelo menos duas décadas, a violência se agravou nas regiões metropolitanas do país. Na capital do Rio, houve um período de tranquilidade com as UPPs. Nos últimos anos, o Estado perdeu o controle. Já não se trata de um fenômeno que acontece em determinadas áreas. Aqui, a insegurança está por toda parte. Tanto nas comunidades carentes quanto em locais considerados nobres.

A política de segurança das UPP's perdeu a guerra para a dualidade legal da nossa cidade, representada na atividade econômica local pelo tráfico.
A UPP perdeu a guerra para a dualidade legal da nossa cidade, representada na atividade econômica local pelo tráfico.

As necessárias UPPs criaram um temporário sentimento de tranquilidade, que atraiu investimentos e empregos, valorizou imóveis, mas perdeu a guerra para a dualidade legal da nossa cidade, representada na atividade econômica local pelo tráfico.

Segundo o secretário de Segurança, o problema começa por não ter sido acompanhado, como previsto, da chegada de serviços públicos, como saúde, educação e urbanismo, que trariam algum progresso e afastariam jovens do banditismo. Insiste que essas comunidades continuam como verdadeiros guetos de exclusão social. Mas, desta vez, com a presença ostensiva da polícia, que precisa receber em dia e ser requalificada.

Em parte, José Mariano Beltrame está correto. Há 25 anos acompanho de perto as questões sociais do Rio. O Estado está longe de representar as necessidades nas comunidades. Não há eficiência e eficácia na qualidade dos serviços, em especial na formação das crianças e dos jovens. A dualidade legal que vivemos agrava o problema. As famílias precisam de assistência para melhor compreensão do seu papel neste processo. Mas a falta de legalidade é fruto da ausência da ordem que só pode ser imposta pelo Estado. Em nenhum território a “lei” pode ser paralela, garantida à bala ou à faca.

O quadro se repete nos corredores comerciais e áreas de lazer da cidade, diante a ostensiva omissão da prefeitura nos últimos oito anos, tempo suficiente para promover uma ação transformadora.

O prefeito Eduardo Paes reage a cada assassinato, a cada tragédia, com o discurso irresponsável de que segurança não é assunto da prefeitura. Paes se esconde numa interpretação equivocada da Constituição e ignora a lei 13.022 de 2014, que dá poderes à guarda municipal para se integrar no sistema de segurança, como já acontece com êxito em várias cidades.

É, sim, obrigação dos prefeitos, numa colaboração que vai muito além do uso dos agentes municipais. O acesso à polícia do cadastro de pais e alunos das escolas públicas, o acesso online dos atendimentos nos hospitais de emergência e mesmo dos atendimentos agendados podem ajudar muito na investigação e elucidação de crimes. Inteligência e tecnologia integradas no sistema de câmeras pela cidade. Até limpeza, poda de árvores e iluminação pública fazem diferença, só para citar exemplos simples.

O Rio recebe investimento bilionário em obras caras e mal acabadas para realização dos Jogos Olímpicos, cujo alardeado legado para cidade, o próprio prefeito, espantosamente, é o primeiro a admitir que não existirá. Enquanto isso, o carioca paga um enorme preço com o custeio represado e sofre com o caos nos serviços públicos essenciais. Saúde, Educação, Transportes e Segurança custam uma fortuna e funcionam sem qualidade.

Time de basquete da China fica em meio a tiroteio em via expressa do Rio. Jogadores postam nas redes sociais fotos de ambulantes deitados à beira da pista
Time de basquete da China fica em meio a tiroteio em via expressa do Rio. Jogadores postam nas redes sociais fotos de ambulantes deitados à beira da pista.

Não podemos perder mais tempo, mais vidas. É indispensável uma intervenção federal, de forma colaborativa com o governador em exercício, que recebeu o estado dilacerado e precisa de apoio para retomar seu bom funcionamento. Por isso, apresentei uma petição com pedido de intervenção em caráter de urgência, em audiência, ao Presidente da República. O Rio, o carioca e o fluminense precisam e merecem.

Jovens da Zona Norte reclamam da falta de emprego

Jovens da Zona Norte reclamam da falta de emprego

O desemprego afeta mais os jovens do que as demais faixas etárias, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população que está entrando no mercado de trabalho, de 18 a 24 anos, já registra desocupação de 24,1% só no primeiro semestre deste ano.

Jovens reclamam da falta de emprego
Jovens reclamam da falta de emprego

—   Aqui  na comunidade não falta só emprego. O que falta é oportunidade, porque só precisamos de uma chance para estudar e ser alguém na vida e conquistar através do nosso próprio esforço –  relata Leonardo Nunes, de 21 anos, morador da Vila da Penha.
O depoimento foi durante encontro com o deputado federal Indio da Costa (PSD), que visitou a comunidade e conversou com os jovens sobre os problemas da região.

Na avaliação dos jovens, os governos – na esfera municipal, estadual e federal –  não investem em políticas públicas voltadas para a qualificação da juventude. Para a jovem Ana Paula dos Santos, de 22 anos, a presença do poder público reduziria os problemas da criminalidade.

Para a jovem Ana Paula, a presença do poder público reduziria os problemas da criminalidade.
Para a jovem Ana Paula, a presença do poder público reduziria os problemas da criminalidade.

—  O desemprego contribui para aumento da violência. É preciso ter mais oportunidades, pois o jovem tendo emprego não procura outras formas de se sustentar e ganhar dinheiro – diz a jovem.

Outro adolescente, que preferiu não se identificar, relata ainda que a entrada no tráfico é muitas vezes a única saída para quem não consegue trabalho.

As pessoas tentam, mas sem oportunidade acabam escolhendo outros caminhos. Afinal, todo mundo precisa colocar comida na mesa de suas famílias – constata o jovem.

Rio perdeu mais de 640 mil postos de trabalho. 

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregadora e Desempregados (Cadeg), de janeiro a maio, o Estado do Rio de Janeiro fechou 642.397 vagas. A maior perda, na capital fluminense, foi no setor de serviços e comércio.

No bate-papo com os moradores Indio da Costa disse que também é papel dos agentes políticos a preocupação de auxiliar o jovem na entrada do mercado de trabalho. Ele ainda afirma que a educação, por meio da formação pessoal e profissional é o melhor caminho para isso

—  A ideia é disponibilizar já no ensino fundamental um curso profissionalizante para a garotada. Abrir a escola para a sociedade e promover está integração– disse ele, sobre a necessidade de formar mão-de-obra qualificada para atender às demandas do empresariado da Zona Norte.

Para Indio, a ideia é disponibilizar já no ensino fundamental um curso profissionalizante para os jovens
Indio defende a ideia de disponibilizar já no ensino fundamental cursos profissionalizantes para os jovens

Indio da Costa vistoria Hospital Salgado Filho

Indio da Costa vistoria Hospital Salgado Filho

Após denúncias sobre os problemas no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte do Rio, o deputado federal Indio da Costa (PSD) fez uma visita na última terça-feira nas instalações da unidade hospitalar.

Eu vim aqui conhecer de perto a situação e os problemas do Salgado Filho. O fato é que os hospitais da região da Zona Norte não estão atendendo e ainda encaminhando pacientes para atendimento no Salgado Filho – afirma.

Hospital Municipal Salgado Filho: paciente aguarda atendimento em pleno corredor
Hospital Municipal Salgado Filho: paciente aguarda atendimento em pleno corredor

Ainda segundo ele, atualmente o hospital que está preparado para atender pacientes baleados ou com algum trauma também tem que atender a emergência clínica. Indio da Costa explica que a ideia é separar e complementar esse serviço para atender a população dessa região.

Superlotação, demora no atendimento de pacientes e a falta de infraestrutura de medicamentos e de equipe são alguns problemas rotineiros no hospital, segundo o relatório do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj).

As mesmas cenas se repetem no dia a dia da unidade do Méier. Quem sofre com o descaso na saúde é a população. Um dos exemplos é o da cuidadora de idosos Valéria Passos, de 50 anos, que esperou mais de três horas para ser atendida.

Eu rodei várias unidades de saúde e parei aqui. É um absurdo esse jogo de empurra-empurra para um simples entorse na mão e ainda terei que esperar mais algumas horas para colocar gesso – relata.

Outra paciente, que pediu para não ser identificada, conta que não tinha médico otorrino para consulta.

Fiquei esperando durante horas e quando chamada me avisaram que não tinha especialista na área, não é a primeira vez que isso acontece no hospital. É uma desorganização – desabafa.

Além disso, profissionais de saúde do hospital relataram ainda a falta de condições adequadas de trabalho, a qual estão submetidos, o que compromete a qualidade de atendimento e, que, por consequência, põe em risco a vida dos pacientes. A denúncia de um agente de saúde, que não revelou sua identidade, entre os maiores problemas estão o da superlotação, e a falta de infraestrutura de medicamentos e de equipe para realizar o atendimento.

Gestão na saúde

Os problemas na saúde do Rio estão relacionados ao atual modelo de gestão, avalia Indio da Costa (PSD).

Deputado Indio da Costa recebeu denúncia de superlotação no Hospital Salgado Filho
Deputado Indio da Costa recebeu denúncia de superlotação no Hospital Salgado Filho

Segundo ele, a saúde precisa ser olhada sob dois aspectos: o caráter preventivo, voltada para questões como saneamento básico, vacinas e orientação, e a curativa com foco para a qualidade dos hospitais e postos de atendimento.

O modelo aplicado atualmente se esvaziou. É preciso gestão no atendimento voltado a saúde e precisa ser olhada sob dois aspectos, o caráter preventivo, voltada para vacinação, orientação e ainda o curativo, com foco para a qualidade dos hospitais e pontos de atendimento. — explica Indio da Costa.

Referência para Olimpíada, Salgado Filho sofre com problemas

Referência para Olimpíada, Salgado Filho sofre com problemas

Falta de medicamentos e de equipamentos, pacientes atendidos em macas espalhadas pelos corredores devido à superlotação e remédios vencidos no estoque.
Esta é a realidade do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte do Rio, considerado referência para o atendimento de cariocas e turistas durante os Jogos Olímpicos deste ano.
Hospital Municipal Salgado Filho: paciente aguarda atendimento em pleno corredor
Hospital Municipal Salgado Filho: paciente aguarda atendimento em pleno corredor

Segundo o relatório realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) após uma vistoria na unidade, a sala de observação vermelha, que recebe os internos mais graves, havia superlotação. Com apenas quatro leitos, o local estava com 10 pessoas internadas. Na sala amarela, o problema é o mesmo. O setor, com capacidade de sete leitos para homens e de oito para mulheres, estava com 25 e 22 pacientes, respectivamente.

Além disso, profissionais de saúde da unidade hospitalar relataram ainda a falta de condições adequadas de trabalho, a qual estão submetidos, o que compromete a qualidade de atendimento e, que, por consequência, põe em risco a vida dos pacientes. De acordo com um agente de saúde, que pediu para não ser identificado, entre os maiores problemas estão o da superlotação e a falta de infraestrutura de medicamentos e de equipe para realizar o atendimento. Há casos como a de uma paciente que está desde 8 de julho no centro cirúrgico para realizar o pós-operatório.

— Hoje, o centro cirúrgico funciona como CTI, sem condições para um atendimento digno. A situação vem se agravando, o que compromete a assistência aos pacientes — relata o profissional.

Os fiscais também encontraram frascos de remédios fora da validade, deficiência na quantidade de insumos estocados, além da falta de um tanque para higienização de ferimentos e ainda falhas no setor de emergência pediátrica. O texto apresentado pela vistoria conclui que o Salgado Filho possui sérias deficiências.

— Diante do exposto, conclui-se que as atuais condições de funcionamento do setor de emergência do Hospital Municipal Salgado Filho podem comprometer a qualidade da assistência médica prestada à população  — diz o documento.

Se por um lado, o Cremerj e Sindicato dos Médicos do Estado dos Médicos do Rio mostram preocupação na estrutura da unidade em atender à demanda local e da Olimpíada. Por outro, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirma que o “Rio possui experiência na realização de eventos e está preparado para as demandas de saúde que possam surgir durante o evento esportivo”. E ainda completa afirmando que “os turistas que vierem para a cidade durante o período olímpico poderão optar tanto pela rede pública quanto privada”.
Lista mostra os medicamentos que faltam no Salgado Filho
Lista mostra os medicamentos que faltam no Salgado Filho

Outros casos

Outras cinco unidades hospitalares municipais de referência para atendimento durante a Olimpíada também foram fiscalizadas pelo Cremerj. No Hospital Municipal Pedro II, por exemplo, após quatro meses de seu nascimento um bebê diagnosticado com neuropatia pós-asfixia perinatal não conseguiu transferência para fazer a cirurgia de gastrostomia (GTT) ­ – para introduzir uma sonda para alimentação já que a criança não consegue se alimentar sozinho. Segundo a mãe da criança, o hospital alega que não tem recursos para o procedimento, e não possui vaga em outras unidades. A Secretaria municipal de Saúde (SMS) disse que o quadro de neuropatia está sendo averiguado e que a criança está recebendo assistência médica. A cirurgia, ainda de acordo com a SMS está agendada para o final de agosto no Hospital Estadual da Criança.

Mais investimentos e qualificação

Para o deputado federal Indio da Costa (PSD), os problemas na saúde estão relacionados ao atual modelo de gestão.

— Na saúde, é preciso mais investimento, mas, em um momento de contenção de despesas e da crise econômica que país vive, é preciso sobretudo mais gestão. Isso pode ser feito por sistemas de tecnologia  — defende o parlamentar.

Segundo ele, a saúde precisa ser olhada sob dois aspectos: o caráter preventivo, voltada para questões como saneamento básico, vacinas e orientação, e a curativa com foco para a qualidade dos hospitais e postos de atendimento.— O modelo aplicado atualmente se esvaziou. A gestão deve ser despolitizada. Os administradores de postos de saúde, por exemplo, precisam passar por reciclagem, formação e ter conhecimento para exercer a função  — explica Indio da Costa.

Deputado Indio da Costa pede intervenção federal a Temer

Deputado Indio da Costa pede intervenção federal a Temer

O deputado federal Indio da Costa (PSD-RJ) entregou nesta quarta-feira, em Brasília, o pedido de intervenção federal no Rio ao presidente da República exercício Michel Temer (PMDB).

No documento, o parlamentar defende que a União interfira urgente na crise da segurança publica, da saúde e da educação no estado do Rio e na capital.

Durante o encontro, Temer adiantou ao parlamentar que a solicitação e análise da questão  é de responsabilidade da Presidência e que está prevista no artigo 84, da Constituição Federal, e também autorizada no artigo 34, inciso III.

– Temer disse que vai abrir um procedimento interno para que seja feito análise jurídica do pedido – adiantou Indio sobre a conversa com o presidente.

A intervenção é prevista quando a Ordem Pública está comprometida. Na tribuna, Indio da Costa defendeu que a situação no Rio é muito grave e que perdeu o controle.

– No estado se instalou uma situação de progressão comprometimento da Ordem pública – disse Indio.

Um dos trechos do documento diz: “No Rio, as pessoas são assassinadas a todo momento no estado, os hospitais públicos mesmo os municipais estão sem capacidade de atendimento digno à população e as escolas não conseguem ensinar,  professores estão sem pagamento e sem garantias para trabalhar, as prisões estão sem controle.”

Em outro tópico, afirma: “As pessoas no Rio de Janeiro perderam as garantias constitucionais porque a calamidade financeira reconhecida em decreto pelo governo interino, Francisco Dornelles, tirou do governo do estado o princípio da autoridade e a capacidade de recuperação dela em tempo suficiente para garantir a ordem pública”.

O parlamentar deixou claro que o pedido de intervenção federal não é militar, e sim relacionado aos serviços essenciais.

– É da segurança que perdeu o controle, da saúde que as pessoas estão morrendo e da educação. A gente sabe da gravidade da situação e não dá mais para esperar, é preciso reestabelecer a questão da Ordem Pública no Estado e também na cidade do Rio de Janeiro – destacou Indio da Costa.

Abaixo assinado pela Intervenção

O deputado federal Indio da Costa (PSD-RJ) organizou um abaixo assinado para ter apoio popular para Intervenção no Rio.

No link é http://indiodacosta.com.br/2016/07/05/assine-a-peticao-para-a-intervencao-federal-no-rio/