Apesar de cruel, 2016 fez diferença

Apesar de cruel, 2016 fez diferença

Em meio a tantas notícias ruins deste ano, o prêmio “Faz Diferença” reconhece belas histórias

Fiquei orgulhoso hoje quando li O Globo. Em meio a tantas notícias ruins em 2016, entre crise econômica, casos de corrupção e tragédias que destruíram famílias, tivemos também exemplos que nos emocionaram e nos encheram de esperança no coração. Estou falando do tradicional e importante prêmio “Faz Diferença”, promovido pelo jornal, que escolherá histórias e as personalidades de um ano tão difícil e cruel para os brasileiros.

A menina Ana Júlia concorre na categoria País. Vítima da burocracia e do descaso, ela conseguiu, enfim, fazer um transplante para ganhar um coração novo. Em junho, a Força Aérea Brasileira passou a reservar um avião só para transportar órgãos. Isso só foi possível após denúncias de que aeronaves da FAB deixavam de fazer este tipo de serviço para serem usadas por autoridades. A garotinha, de apenas 8 anos, ganhou vida nova e futuro.

O que dizer de Rafaela Silva, uma das candidatas em Esportes? A judoca e moradora da Cidade de Deus, comunidade tão sofrida pela violência, emocionou o Brasil ao conquistar o primeiro ouro do país nos Jogos Olímpicos do Rio. Cidade esta onde vive e trabalha o empresário Maurício da Conceição, que concorre ao prêmio na categoria Rio. Ele flagrou assaltos da janela de seu escritório, postou mais de mil vídeos no Facebook e inspirou a implantação do projeto Operação Centro Presente.

Quanto orgulho!

Com Maurício, disputa Lorrayne Isidoro, aluna do colégio Pedro II. A estudante conquistou a única vaga para representar o Brasil na 16ª Olimpíada Internacional de Neurociência. Para viajar, a jovem teve de conseguir dinheiro e que o passaporte ficasse pronto a tempo. Na categoria Educação, concorre a história da Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã. A unidade quase foi demolida para dar lugar a obras da Copa do Mundo. O colégio não só se manteve de pé como obteve, em 2016, o maior Ideb entre os colégios públicos do Rio no início do ensino fundamental.

Quanto orgulho!

Há indicações ainda para Cinema, Teatro, Ciência e Saúde, Sustentabilidade, Economia, Desenvolvimento do Rio, Mundo, Música, Artes Visuais, Prosa, Ela, Televisão e Revista. 2016 está acabando. Novos horizontes para 2017!

Foto:  Agência o Globo

Educação precisa ser prioridade

Educação precisa ser prioridade

A carreira de professor precisa ser valorizada para fazer justiça a sua atividade             

Certamente, ninguém discorda que a educação deve ser a prioridade no rol de políticas públicas, pela influência que tem sobre todas elas. Um povo com bom nível de educação tem menos problemas com a saúde. Uma juventude com excelente nível de educação não fica refém do crime e assim por diante. Mas como se identifica a prioridade? Eu entendo que tudo se inicia com a atenção que se dá aos professores, com investimentos em formação e qualidade de vida dos profissionais do ensino. Esses pontos eu tenho defendido sempre e na campanha para prefeito do Rio fiz isso com veemência.

Por isso, chama a minha atenção o ranking mundial em educação, publicado recentemente. O Brasil caiu no ranking mundial em educação em ciências, leitura e matemática. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgados hoje, mostram uma queda de pontuação nas três áreas avaliadas. O Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. Cingapura lidera em todas as matérias, pela prioridade que deu à Educação.

A causa apontada por especialistas pelo baixo desempenho do Brasil na Pisa 2015 é a dificuldade de proporcionar uma melhor formação para os professores.

A dificuldade de uma melhor formação tem a responsabilidade dos governos, mas também o obstáculo dos salários, que dificultam o investimento dos professores na própria formação. E nesse ponto, sobressai a reportagem do jornal O Globo sobre os aumentos salariais concedidos aos servidores públicos pelo Governo do Estado. O menor percentual de aumento foi dado aos professores, num absoluto contraste com os aumentos concedidos para os profissionais de Segurança Pública. Ao longo dos governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, dez categorias, de um total de 62, tiveram reajustes salariais superiores à inflação do período, que ficou em cerca de 81%, pelo IPCA-E. Observe a diferença: policias civis (185%), delegados (114%), policiais militares (165%), bombeiros (165%) e agentes penitenciários (139%).

E os professores? Apenas 33,49% de reajuste salarial!

Quem sabe se com mais investimentos em educação não seria possível menos gastos com a Segurança Pública. Mais escolas e menos presídios?

Foto: G1

‘Minha especialidade é fazer mais com menos’, diz Indio da Costa

‘Minha especialidade é fazer mais com menos’, diz Indio da Costa

Indio afirma que seu governo será transparente, com participação e simples              

Candidato a prefeito pela 1a vez, o deputado federal Indio da Costa, hoje no partido que ajudou a fundar, o PSD – mas que já foi do extinto PFL, do PTB e retornou ao PFL, que depois virou DEM –, critica a estrutura inchada da gestão Eduardo Paes. A mesma com a qual colaborou em 2013, como secretário municipal de Esportes. Em entrevista ao Metro Jornal, afirma que seu governo será transparente, com participação e simples, como as camisetas que usa em campanha.

Por que quer ser prefeito?

A cidade passa por um momento muito delicado, onde recebeu uma série de obras e tem várias outras em andamento, que pararam por falta de dinheiro. A Previdência, que quando saí da prefeitura em 2006 deixei com R$ 2,445 bilhões no caixa, agora está zerada. O Previ-Rio, a assistência do servidor, está negativo. Isso mostra um estado pré-falimentar. Uma dívida de R$ 24,7 bilhões, que reduzida por decisão judicial, não definitiva, foi para R$ 18,2 bilhões. Escolas do Amanhã que depois de 8 anos só tem quatro que funcionam e funcionam muito mal. Faltam médicos em muitos hospitais e você tem um modelo do PMDB de governar, que vai agregando partidos em troca de cargos públicos, que a prefeitura não vai aguentar. Tenho muito mais experiência que os outros candidatos e estou vendo eles fazerem promessas impossíveis. A prefeitura está assumindo tudo do Estado porque está em época de eleição. Quem vai pagar essa conta depois? Estão se comprometendo com um custeio que não tem fonte de receita. Ninguém está fazendo conta. Hoje, os royalties de petróleo não existem mais como existiam, o sonho dourado acabou.

No seu programa diz que vai usar a tecnologia. Como?

Durante cinco anos, gerei uma economia de R$ 300 milhões em uma secretaria municipal [de Administração, na gestão Cesar Maia]. Quase reduzi pela metade os cargos de comissão que eu tinha lá. Quero pegar essa experiência e levar para a prefeitura, mas com um pequena diferença que faz toda a diferença. A tecnologia que existe hoje pode suportar um governo verdadeiramente participativo, o que foi sempre uma promessa da esquerda, mas que nunca conseguiu cumprir por duas razões: interesse político e falta de tecnologia. Vou trabalhar direto com aplicativos para que as pessoas possam opinar em saúde, segurança, transporte. Se todo usuário de transporte der informação e opinar, ele me ajuda a reorganizar as linhas de ônibus. Ele que vai reorganizar esse desenho.

Se eleito, retrocederia a municipalização de alguns órgãos, como os hospitais?

Manteria os hospitais, mas com uma diferença, vou botar para funcionar. Se você for ao 11o andar do Albert Schweitzer, por exemplo, vai ver que não está funcionando. Nas Escolas do Amanhã também não tem nada funcionando, falta professor, falta mobiliário, não tem tempo integral, a aula acaba antes de meio-dia. E eles prometem fazer mais 300 escolas, 50 clínicas, mais seis parques iguais ao de Madureira. Quem paga essa conta? Quem mantém? Agora já começam a aparecer os esqueletos. O Parque Olímpico vai nos custar R$ 30 milhões por ano. Quantas crianças em creche eu teria com esse dinheiro?

Mas a Olimpíada já aconteceu. Como pretende usar esses equipamentos? 

Só o tempo vai definir, porque a prefeitura perdeu muito seu grau de transparência. Não vou negar o que está aí. Vou concluir as obras, usar os equipamentos e oferecer para a cidade. Mas dentro de um modelo que a prefeitura possa pagar. Entre pão e circo; e educação, segurança e saúde, prefiro deixar o pão e circo para a área privada.

O que vai fazer com eles? Tem um planejamento?

Não sei. Depende. O planejamento deles é mentiroso, porque não tem dinheiro. Eles já entregaram muita coisa à iniciativa privada, mas em um modelo oneroso para a prefeitura. Temos que fazer a conta e ser honestos com a população. O mito do governo grátis acabou com o Governo Federal. Prometeram, prometeram e quebraram o Brasil, que tem 11 milhões de desempregados e uma violência absurda nas ruas. Eu vou assumir a responsabilidade municipal da segurança pública, essa secretaria vai ter a Guarda Municipal e toda a estrutura necessária para pequenas intervenções. A violência se atrai por um ambiente degradado, então tem que melhorar esses ambientes, mas de maneira simples. Olha, algumas pessoas me perguntam até da camiseta que estou usando na campanha. Quero que as pessoas entendam a mensagem de que eu quero ser um prefeito simples. A camiseta passa a simplicidade que eu acho que a cidade precisa. As pirotecnias que estão prometendo não fecham conta nenhuma. O Eduardo fala que está tudo bem e do outro lado arrocha o carioca, aumentando o imposto. Vou cancelar tudo que foi ilegal em matéria de aumento de IPTU.

Em que ritmo vai concluir as atuais obras?

Depende do caixa da prefeitura. A minha especialidade é fazer mais com menos. Minha ideia é realocar essas pessoas onde tem uma terceirização desnecessária ou onde falta gente. Ao invés de prometer novas escolas, vou fazer funcionar as que já existem. A educação em tempo integral que eu trabalho tem um binômio: transporte e alimentação. Eles trabalham hoje com 7 horas e meia, eu queria 9 horas. Mas tem que ver como está a capacidade da prefeitura, para evitar que o custo seja alto, mas ao mesmo tempo atender. Você tem 20 e poucas Vilas Olímpicas, uma rede de teatros, cinemas, museus, equipamentos públicos e alguns privados que se pode fazer parceria, como os clubes de bairro. Tem um monte que deve uma fortuna de IPTU, então você pode fazer um acordo para os alunos terem alguma atividade depois da escola. Estamos pegando programas que já deram certo para trazer para o Rio.

Como gerir a saúde sem as OSs [Organizações Sociais]? Ou você vai usá-las?

Ninguém pode gerir sem as OSs nesse momento, sem um planejamento a médio e longo prazo. Do ponto de vista administrativo, posso abrir a participação da sociedade para cada etapa do programa de saúde, para as pessoas dizerem o que pode mudar, o que pode ser diferente. A ideia é ter aplicativos e a sociedade analisar e dar nota para tudo. A primeira coisa é publicar tudo no Diário Oficial para ver quem está lá dentro da OS. Vou mostrar todo mundo que está contratado, carga horária, função e salário. O conceito é transparência e maior participação.

É a favor de armar a Guarda Municipal? 

Depende, o tempo vai dizer. Um guarda com cassetete pode evitar muita coisa. Você imagina somado a isso câmeras de alta precisão, inteligência por trás dessas filmagens, um sistema de informação para trocar com as polícias Civil e Militar. Tem mais guarda municipal no Rio do que PM fora das UPPs. A prefeitura é uma força complementar de segurança extraordinária. Essa será a função da Secretaria de Segurança, somada às intervenções necessárias. Todo mundo reclama muito dos problemas de burocracia. Você quebra isso integrando setores, criando macrofunções. Eu vou ter sete.

Significa cortar secretarias?

Esquece as secretarias. Isso é uma visão do passado, orçamentária. Queremos uma visão gerencial. Eu vou ser radical nisso. Antes da Cultura, do Esporte, e secretaria de Trabalho e Renda atender qualquer política na cidade, primeiro vai atender ao aluno da escola pública, que verdadeiramente precisa desses trabalhos complementares.

Haverá corte de pessoal?

Hoje, o prefeito tem 67 órgãos de primeiro escalão. Nem o governo federal americano, chinês, russo tem esses órgãos. Isso não existe. Mas o Eduardo tem. As funções podem continuar, mas redesenhando o que está por trás. Ao invés de administrar por unidade orçamentária, passa a administrar por processo. Significa que os cabos eleitorais dos partidos políticos que estão lá gastando dinheiro sem prestar serviço para a gente vão para casa.

Fonte: Jornal Metro 21/09/2016

 

Índio da Costa: ‘Vou usar o modelo do Uber para a saúde’

Índio da Costa: ‘Vou usar o modelo do Uber para a saúde’

Candidato do PSD promete enxugar secretarias da prefeitura para 7 ‘macrofunções’             

RIO – Disposto a reestruturar toda a administração pública, com o uso intensivo de tecnologia, Índio da Costa (PSD) diz que vai fazer o governo “dos sonhos da esquerda”, com participação direta do cidadão na sua gestão. Sustenta que chamará o usuário para definir as novas linhas de ônibus e se disse em dúvida sobre armar a Guarda Municipal.

Índio da Costa durante entrevista ao GLOBO - ANTONIO SCORZA / Agência O Globo
Índio da Costa durante entrevista ao GLOBO – ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

O senhor tem feito críticas à prefeitura, ao PMDB no Rio e também à ex-presidente Dilma. Mas fez parte, como secretário, de governos do PMDB, e seu partido, o PSD, foi da base aliada de Dilma.

Eu fui a primeira pessoa a largar o mandato de deputado federal para lutar contra esse jogo do PT. Fui candidato a vice-presidente do Brasil numa chapa de oposição para fazer contraponto. Sabia que era muito difícil ganhar aquela eleição, mas para mim era muito importante mostrar as mazelas do PT. Tudo o que eu disse na campanha eleitoral está comprovado agora. Não tenho nenhuma dificuldade em fazer críticas ao PT. E aqui no Rio de Janeiro fui o primeiro político com mandato, deputado federal, a subir no carro de som em Copacabana para defender o impeachment. Em nenhum momento, escondi (essa posição) do Kassab, de nenhum membro do meu partido, nem do próprio governo. Não tenho nenhum cargo indicado no governo do PT.

O senhor concorre à prefeitura com a proposta de reorganizar as contas públicas. Como pretende ajustá-las e, ao mesmo tempo, melhorar os serviços e investir?

Antes de fazer qualquer investimento novo, a ideia é que as escolas tenham professores, que os hospitais tenham médicos, que as pessoas sejam atendidas com qualidade. Não estou prometendo a construção de nenhuma nova unidade enquanto as atuais não estiverem funcionando. Há um enorme gasto da prefeitura com empresas terceirizadas e com Organizações Sociais (OSs). Nas Organizações Sociais, acho que há um inchaço de custeio desnecessário. A primeira coisa é dar transparência a elas. Eventualmente, cabos eleitorais vão ter que ir embora, e se diminui o custo daquela Organização Social. Havia, em 2006, 111 categorias funcionais da prefeitura sem função ou até que já estavam extintas. Já não temos mais essas categorias em lugar nenhum; por exemplo, datilógrafo. Dá para fazer um trabalho especialíssimo na prefeitura nesse momento em que a crise é uma grande oportunidade para uma gestão eficiente. Essa gestão passa por você redesenhar o funcionamento da prefeitura. Com 18 mil pessoas na prefeitura sem função, basta você integrar essas funções em categorias mais amplas.

Mudar de função é legal?

Não é mudar de função. Eu apresentei uma PEC, e essa semana fui ao presidente Michel Temer entregar um documento no qual peço que ele me ajude a aprovar essa proposta de emenda constitucional em que você autoriza o concurso interno no poder público. Você vai pegar pessoas que entraram 20 anos atrás com primeiro grau e hoje em dia já têm faculdade, inclusive doutorado e mestrado, e você pode reaproveitá-las numa atividade melhor do poder público. O inchaço do poder público é diretamente proporcional a essa regra, em que você tem a estabilidade. Eu duvido que a Justiça vá questionar e dizer que uma medida austera de economia de gasto, em um momento em que tem uma crise alucinada no país, não pode acontecer.

O senhor falou em eficiência. Existe projeto para diminuir o número de secretarias?

Vou organizar a prefeitura em sete macrofunções. Elas reúnem funções, podem estar em secretarias ou não. Hoje são 67 unidades de primeiro escalão no governo Eduardo Paes, e eu vou trabalhar com sete, mas sem deixar de prestar nenhum serviço que é prestado. Vou criar uma secretaria de segurança pública. É uma questão gerencial. Essa é minha especialidade. Faço política há 25 anos, estou no meu quinto mandato. É uma maneira de você pensar integrado.

Nesse agrupamento em macrofunções, não se corre o risco de deixar algumas áreas em segundo plano?

Pelo contrário. Corre o risco de ser muito mais rápida a entrega daquilo que o cidadão demanda e precisa. Se você pegar a licença de obra, você tem que ter a participação das secretarias de Urbanismo, de Obras, Meio Ambiente, da Rio-Águas, Rioluz. Você tem que desburocratizar, redesenhar o plano de obras. Você tem que ir desburocratizando, assim atende muito melhor e com rapidez.

O senhor tem apostado na própria trajetória política ao longo da campanha. Mas vivemos um momento no qual a população está descrente dos políticos de modo geral. Como trabalhar esta ideia de politico experiente neste cenário?

Um político tradicional não seria relator da Lei da Ficha Limpa e não teria apresentado as dez medidas contra a corrupção em dezembro do ano passado, quando corria o risco de a Mesa Diretora, presidida por Eduardo Cunha, enterrar as dez medidas e ficar com uma só. Isso é absolutamente contra o sistema. Na minha opinião, a melhor forma de você mudar a política é dentro dela e não criticando-a. Foi por isso que entrei. Não sou filho de político, ou neto de político. Você não joga bola com um sujeito que não entenda de futebol. O que as pessoas estão querendo não é alguém de fora da política. O que estão querendo, na minha opinião, é alguém experiente, que tenha trajetória. Não sou um candidato fabricado, igual é o Pinóquio, o Pedro Paulo.

O senhor é a favor ou contra armar a Guarda Municipal?

A prefeitura, de acordo com a lei, pode fazer muito mais do que está sendo feito. Não existe nenhuma política pública que vá funcionar bem sem a segurança. A saúde tem dificuldade pela falta de segurança. A educação tem dificuldade. Basta rodar as escolas e ver quantas têm que interromper aula por conta do tiroteio. Armar a Guarda será uma consequência de requalificá-la, trabalhar com informação, tecnologia e inteligência, integrá-la à Polícia Civil e à Militar. Não sou técnico de segurança. O que vou fazer num primeiro momento é qualificar a Guarda, prepará-la.

Mas a tecnologia tem um custo. E a questão da receita?

É baratíssimo. A receita da prefeitura é enorme. Tem hoje um enorme desperdício de dinheiro público. O que o Eduardo está fazendo com as OSs é criminoso. O que se gasta com as Organizações Sociais é algo jamais visto, do ponto de vista do desperdício. Só ai você tem uma economia brutal.

Há obras ainda não concluídas na cidade. O senhor as terminará?

Claro. Vou concluir as obras que o Eduardo parou porque faltou dinheiro. Naquelas que ele fez, vou ter manutenção. Haverá total continuidade de tudo o que já foi feito. Reconheço, inclusive, que tem obras que são muito boas para a cidade, sobretudo o Porto Maravilha. Ao mesmo tempo, ele empurra a cidade na direção da Barra da Tijuca. Tem que tomar um pouco de cuidado. 40 mil pessoas a mais morando ao lado do Autódromo de Jacarepaguá; isso pode ser um tiro. Imagina o trânsito do jeito que já está, cheio de problemas. Tem que pensar isso de maneira mais ampla.

Qual a sua posição sobre o Uber?

Sou favorável à legalização. Vou usar, inclusive, o modelo do Uber para a saúde, a habitação, a segurança, o transporte. O usuário vai me dizer qual é a dificuldade que ele tem. Eu vou poder redesenhar com liberdade e autonomia, sem depender do empresário de ônibus. Eu vou redesenhar o modelo a partir da necessidade do usuário. Hoje a gente tem oportunidade de fazer, e eu vou fazer, o que as esquerdas sonharam para o Brasil e não conseguiram, que é um governo verdadeiramente participativo. Naquela época, a participação era de pequenos grupos e só quem era ligado à política participava.

Como seria este modelo?

Tem um programa que é chamado Doutor Já. O conceito foi inventado pelo Jeff Bezos, criador da Amazon. Esse sistema informatiza todo o processo. Então quando você vai agendar o médico, escolhe qual é o profissional, (analisa) a experiência dele, a especialidade, o currículo, o resultado que deu por cada uma das coisas. Ele atende atrasado? Você vai como o Uber, dando nota. A ideia é fazer um acompanhamento das etapas de cada serviço. O próprio usuário, o carioca, vai dizer: o médico nunca atende na hora, o outro nunca aparece para trabalhar, eu levo tantos meses para fazer os exames. Se você tiver três milhões de pessoas na cidade dando informação, tem uma tela gerencial enorme no gabinete do prefeito e do secretário de Saúde. Você vai descobrindo todos os buracos e problemas existentes para ir resolvendo.

Quanto custa esta proposta?

É de graça praticamente. Você tem o sistema feito, o Doutor Já, um sistema de atendimento. Em vez de ter a atendente, que custa caro, você troca pelo sistema informatizado. Vai ter algum custo? Tem, mas vai ser muito mais barato do que o hoje.

Em quanto tempo o senhor conseguiria implantar esse sistema?

Acredito que no primeiro ano de governo conseguiria implantá-lo.

Como solucionar esses nós no transporte da cidade?

Ouvindo as pessoas, entendendo as reais necessidades delas e repensando o uso do solo. Você aproximando o trabalho da casa, a casa do trabalho. Já é autorizado legalmente ter moradia no Centro da cidade; tem que induzir as pessoas a isso. E vice-versa: também levar atividades econômicas e emprego para pontos em que eles não existem.

E a reorganização das linhas de ônibus?

Vou fazer isso com o usuário. Quem entende a maior necessidade de transporte é o próprio usuário. Não é o empresário de ônibus, que está atrás do lucro, muito menos o político, que não é quem está usando o transporte.

Fonte: O Globo 19/09/2016

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