Qualidade de vida e equilíbrio da balança

Qualidade de vida e equilíbrio da balança

Aristóteles, em sua obra já se preocupava com a relação entre aumento do número de habitantes de uma comunidade e o espaço físico constante.      

Dia desses conheci a diarista Vera Lúcia, de 66 anos. Moradora de São João de Meriti ela acorda 4h da manhã para estar às 7h no trabalho em Copacabana. Segue de trem até a estação da Pavuna onde faz integração com o metrô até a Siqueira Campos.  Há cinco anos trocou o Catumbi, onde viveu por 50 anos pela Baixada Fluminense.  Apesar do trajeto longo ela diz compensar o alto custo de morar no Rio de Janeiro.  Fiquei espantado com a garra dessa mulher, que vive uma luta diária – como milhares de outros cariocas – para garantir o ganha pão. Sua realidade é a síntese do êxodo urbano provocado pela bolha inflacionária que o Rio vive e da crise econômica que o país se encontra.

O encarecimento das moradias e do custo de vida do carioca não é novidade para ninguém. O fenômeno, agravado pelo trampolim especulativo da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016, continua sua onda de efeitos negativos no bolso do cidadão.  O que não foi feito em governos passados e, que a atual gestão da Prefeitura do Rio, pretende fazer para equilibrar essa balança é ampliar as áreas de interesse social para fins de urbanização e regularização fundiária.  Um grupo de técnicos composto por arquitetos, engenheiros e urbanistas iniciaram um importante estudo do reordenamento urbano e do gabarito de construções na cidade, principalmente em bairros cortados pelas TRANS (Oeste, Olímpica e Brasil). Esse estudo vai virar um projeto maior onde serão revisto os planos de estruturação urbana (PEU) dos bairros de Madureira e Ilha do Governador e o licenciamento de obras, que concede ao cidadão o direito de construir, lotear ou se instalar comercialmente na cidade.

O Rio de Janeiro é um exemplo peculiar de crescimento. Além de capital do estado, já foi capital da República, é cidade litorânea e possui vocação turística reconhecida internacionalmente. Carrega a carga emblemática de polo cultural. Daqui partem os padrões comportamentais, os modismos, as reflexões sobre cultura. Mas o avanço prioritário sempre foi no sentido centro-sul. No passado havia um sentido lógico. A perspectiva de litoral põe a cidade de frente para os horizontes do além-mar e de costas para o interior. Mesmo antes da internet existir, quando a informação era trazida fisicamente por navios ou aviões, era pelo litoral que se fazia o contato das culturas internacionais.  Porém essa não é mais a realidade do município, que registra grande adensamento das regiões litorâneas.

Aristóteles, em sua obra já se preocupava com a relação entre aumento do número de habitantes de uma comunidade e o espaço físico constante. Segundo o filósofo, haveria um limite “ideal” que, transposto, afetaria as relações entre esses habitantes e o “caráter” da cidade. Vinte séculos depois, a evidência de sua tese continua valida. A ordem social, a organização do espaço físico e o controle urbano têm que dar conta de uma estrutura altamente complexa. É nesse sentido que a secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação trabalha.

 

Conselho de Planejamento Urbano do Rio quer investir em iniciativa privada para as zonas Norte e Oeste

Conselho de Planejamento Urbano do Rio quer investir em iniciativa privada para as zonas Norte e Oeste

Indio disse que novo Conselho vai pensar novas operações e formas de melhorar a cidade

Os integrantes do Conselho Municipal de Planejamento Urbano do Rio de Janeiro (COPUR) tomaram posse, nesta segunda-feira (16), no Palácio da Cidade, sede da prefeitura, na Zona Sul. De acordo com o secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, Indio da Costa, o Conselho tem como objetivo pensar novas operações e formas de melhorar a cidade, com a participação da iniciativa privada.

Para Indio da Costa, as zonas Norte e Oeste da cidade serão os principais focos desse novo Conselho para direcionar as parcerias público-privadas.

“A intenção de a gente atender as necessidades da Zona Norte e da Zona Oeste, que acabam esquecidas. Bangu, Realengo, Padre Miguel, e toda área da Leopoldina e Zona Norte que acabam não tendo tanta atenção do poder público como deveria. A nossa intenção é pensar a cidade como um todo, sobretudo nas áreas que tem menos investimentos, como a gente vai atrair investimento privado pra essas regiões da cidade”, disse o secretário.

O Conselho tem duração de dois anos, não é remunerado e seus membros não trabalham direto para a Prefeitura, de acordo com Indio da Costa. O presidente do COPUR, Augusto Ivan de Freitas Pinheiro, afirmou que o investimento na infraestrutura de transportes, tendo o trem como ponto de partida os trens, será um dos principais pontos para ser discutido pelo Conselho.

“É pensar essas duas áreas como as áreas de maior concentração de pessoas da cidade, são as áreas que mais crescem, são as áreas que têm uma infraestrutura de transportes razoavelmente boa, múltipla, trem, metrô, ônibus, e ver como é que a gente pode melhorar ainda mais essa situação e usar como eixo principal o trem. Ter o trem como grande parceiro e como um motor de desenvolvimento dessa área”, afirmou Augusto.

A reformulação das áreas por onde passam os trens também foi um dos pontos citado pelo presidente do COPUR.

“Hoje, o trem transporta pessoas, mas não ajuda as áreas por onde ele passa. Melhorar a questão do comércio, trazer novas atividades de emprego (…). A própria estação do trem pode se transformar em troca de recurso financeiro. A prefeitura pode usar essa região, que hoje é uma área que não paga IPTU, e transformar aquilo em uma área, em parte, ocupada”, explicou Augusto.

Fonte: G1 Rio

Foto: Fernanda Rouvenat / G1

Urbanismo virá sempre antes da obra, diz secretário Indio da Costa

Urbanismo virá sempre antes da obra, diz secretário Indio da Costa

Secretário expôs principais diretrizes de seu trabalho, que inclui até prevenir crimes           

Em seus primeiros dias à frente da Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, o secretário Índio da Costa admite que ainda está em processo de montagem de sua equipe, mas declara já ter as diretrizes básicas a serem seguidas: pensar a cidade a partir da perspectiva urbanística, avançar na regularização fundiária e integrar todos os projetos da secretaria à prevenção de crimes.

“Em três períodos, o último no governo [Luiz Paulo] Conde, a cidade era pensada a partir do urbanismo, antes de iniciar as obras. O Rio Cidade, por exemplo, retomou espaços que estavam entregues à desordem, graças a essa ideia de elaborar o projeto a partir dos aspectos urbanísticos. Nos mandatos do Eduardo [Paes], quase tudo do que foi feito havia sido pensado antes, alguns projetos eram da época do [Carlos] Lacerda”, afirmou Índio, em conversa com jornalistas na sexta-feira (13).

Segundo o secretário, esse foco no urbanismo poderia ter sido empregado no aumento do número de moradias na Zona Oeste, principalmente graças ao programa Minha Casa Minha Vida, criando alternativas de geração de empregos para evitar que a região se tornasse um mero “dormitório” e minimizar o impacto no sistema de transportes e no trânsito.

Índio da Costa disse que as obras realizadas pela prefeitura deverão ser pensadas também sob o conceito de arquitetura preventiva do crime. “A segurança do equipamento a ser construído deve ser pensada já na fase de projeto, que vai orientar a segurança a ser oferecida depois de construído. Um bom exemplo recente é o Maracanã, que antes demandava muitos homens para vigilância, devido aos muros baixos e ao grande número de acessos ao estádio. Isso mudou com a última reforma, facilitando o planejamento da segurança”, afirmou.

Promessa de menos burocracia e mais títulos de propriedade

A união de três secretarias – Obras, Habitação e Urbanismo – visa também o avanço na regularização fundiária, aproveitando a Medida Provisória publicada pelo governo federal no fim de dezembro. O secretário lembrou que cerca de 20% da população da cidade vive em comunidades, sem a propriedade do terreno.

“Vamos ter uma área na secretaria dedicada a essa questão, comandada por uma procuradora do município que se dedica ao tema. Vamos começar os estudos pelo Morro da Providência, a primeira favela da cidade, depois seguiremos para Mangueira, Salgueiro, Dendê, Serrinha, Alemão, Batam e Jacarezinho, entre outras comunidades”.

Outra meta da nova secretaria é reduzir a burocracia existente hoje para legalizar construções na cidade. Hoje é um processo que leva mais de um ano, o que certamente contribui para as invasões. “Não faz sentido levar tanto tempo para decidir se o sujeito pode ou não construir. Com a demora, a invasão e a irregularidade se consolidam e fica mais difícil desfazer depois”, disse Índio.

Conclusão do BRT Transbrasil

O secretário também não soube dizer quantas obras estão paralisadas atualmente no Rio. “Prefiro fazer essa conta direito e só depois dar essa informação”, justificou-se – e falou sobre a conclusão do corredor de BRT Transbrasil, cujas obras foram suspensas em julho de 2016, para a realização da Olimpíada, e deveriam ter sido retomadas em setembro. Segundo Índio, a orientação do prefeito Marcelo Crivella é para que a obra seja concluída.

“Em 60 dias saberemos como retomar as obras da Transbrasil. Hoje, 47% já foram executados e 53% do valor previsto no contrato já foi pago. Vamos nos reunir com o consórcio responsável pelo trabalho para que o corredor seja finalizado e entregue, até o início de março saberemos que caminho seguir”, afirmou Índio da Costa, que não soube dizer qual é a extensão da Transbrasil prevista no projeto: “Não sei se vai até o Caju ou até a Central do Brasil, preciso me informar sobre isso”.

Ainda sobre a Avenida Brasil, o secretário declarou que há intenção de revitalizar o entorno da via, possivelmente por meio de Parceria Público-Privada (PPP), para oferecer moradias de qualidade. Uma solução que pode ser adotada é a de lançar Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac) para a área.

Fonte: G1 Rio

Foto: Alessandro Ferreira/G1

Sonhei!

Sonhei!

Há bastante trabalho a realizar. Vou a ele com muita disposição para recuperar o Rio para as pessoas.            

Qual é o meu sonho? Humanizar o Rio de Janeiro! Torná-lo um espaço que não oprima as pessoas nem dificulte a vida delas. Eu sonho com uma cidade em que todas as pessoas, indistintamente, se sintam bem nela. Será esse um sonho sem possibilidade de ser real?

Para realizar esse sonho, fui candidato a prefeito. Não venci, mas segui a orientação do craque urbanista Jaime Lerner. Ele sempre lembra que, quando a gente não realiza um sonho, não precisa se frustrar. Basta se dedicar a ele com profundidade, porque um dia ele volta e cutuca a gente. Esse momento, será a nossa segunda chance.

No domingo, eu assumirei a Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a convite do prefeito Marcelo Crivella. Nós nos enfrentamos no primeiro turno da campanha, com propostas parecidas. Eu gostaria de ter vencido, é evidente.

No segundo turno, contudo, percebi o meu sonho me cutucar e eu não poderia perder a chance. Então, dediquei-me à campanha de Crivella, porque vi, entre as propostas, a dele como a mais próxima do meu sonho: ter uma administração que pense nas pessoas e cuide para que elas tenham qualidade de vida. Faça com que todos nós que vivemos o Rio de Janeiro tenhamos paz e não o sentimento de opressão e medo.

O compromisso do prefeito está claro e sempre foi o meu: mudar a realidade ruim que há no Rio de Janeiro, uma cidade em colapso. Para mudar realidades ruins, é preciso vontade política e visão solidária. É preciso também usar a estratégia para fazer de cada problema uma solução. Os problemas da cidade afetam todas as pessoas, indistintamente.

No Urbanismo, a prefeitura esqueceu as normas técnicas e até mesmo éticas. O setor virou um balcão que cria exigências sem pé nem cabeça, burocracias e taxas absurdas. Seria obrigação do urbanismo estimular a integração da questão urbana à beleza natural e às virtudes do povo. Se há uma área na prefeitura com responsabilidade absoluta, mas nunca solitária, ela é o Urbanismo.

Na Infraestrutura, tenho o dever de implantar um conceito novo. A cidade passou por uma grande cirurgia e não tem como nem razão para fazer outras. É hora de entrar com a acupuntura, pequenas intervenções que para ter escolas, unidades de saúde e todos os órgãos públicos com ambientes agradáveis e funcionais. As ruas, praças e, principalmente, calçadas, com estruturas decentes.

Na Habitação, é preciso inserir o conceito de residência, de lar. Não é suficiente construir. É preciso conservar e integrar o ambiente. Tentar aproximar lar, trabalho e mobilidade. Na habitação será essencial também ter um projeto para segurança dos conjuntos habitacionais.

Enfim, há bastante trabalho a realizar. Vou a ele com muita disposição para recuperar o Rio para as pessoas.

Crédito da foto: Reprodução/Internet