Retomada de obras gera empregos no Rio

Retomada de obras gera empregos no Rio

Uma obra paralisada antes da conclusão significa prejuízo para os cofres públicos      
     
As obras do BRT Transbrasil, na Avenida Brasil, seguem a todo vapor. Quando o prefeito Crivella e eu anunciamos a retomada dos trabalhos entre Deodoro e Caju, estivemos em um canteiro e pudemos ver de perto a satisfação de centenas de operários. Esta obra significou geração imediata de dois mil empregos diretos e outros quatro mil indiretos para a cidade do Rio de Janeiro. Em Guadalupe, o início das obras de expansão do Parque Madureira, criou mais 400 empregos diretos e 800 indiretos.
Em outras palavras, só com estas duas obras cobrimos mais de 2% do buraco de desemprego no Rio, se considerarmos que hoje temos 340 mil pessoas sem trabalho no município. Fico feliz em ver o sorriso do trabalhador que tem oportunidade para seguir a sua luta e cuidar da sua família.
Mas queremos fazer mais. Vamos oferecer, no final do dia, nas obras públicas, cursos de qualificação profissional para que nossos operários, serventes, carpinteiros, pedreiros e muitos outros, aprendam a ler plantas e entendam com mais profundidade seu ofício. Afinal, a qualificação de mão de obra é fundamental para cada trabalhador ter mais oportunidades.
É importante esclarecer que as obras do BRT Transbrasil que reiniciamos foram suspensas em agosto de 2016. A paralisação e as dívidas deixadas no caixa foram irresponsabilidades da antiga gestão da prefeitura. O ex-prefeito não registrou como Restos a Pagar o custo de mais de R$ 900 milhões de obras já realizadas e não pagas. Com isso, promoveu uma nova modalidade de pedalada: É a “motocicletada”, uma pedalada fiscal turbinada com gasolina.
Uma obra paralisada antes da conclusão significa prejuízo para os cofres públicos. É dobrar a despesas com aluguéis de equipamentos, mobilização dos canteiros, com operários que foram demitidos e receberam seus direitos e agora terão que ser recontratados. De acordo com o Consórcio Transbrasil o custo de manutenção no período que as obras estavam suspensas foi de R$ 6 milhões por mês, o que onerou a obra em quase R$ 48 milhões nos oito meses em que ficou parada. Isso tudo durante um período de dificuldades financeiras.

Porque o Rio deve seguir o exemplo de Cingapura

Porque o Rio deve seguir o exemplo de Cingapura

É por isso que estamos implantando um plano de projetos para o futuro que interesse ao Rio de Janeiro            

A entrevista com o arquiteto Liu Thai Ker, publicada nesta semana, no Estadão, apresenta ideias que coincidem com o que eu penso para o Rio de Janeiro. Liu, de 79 anos, nasceu em Muar, na Malásia, obteve sua formação acadêmica em universidades da Austrália e Estados Unidos, e conquistou diversos prêmios internacionais de arquitetura e urbanismo. Ele foi responsável pelo projeto urbano que transformou Cingapura em referência internacional de sustentabilidade, e defende que o segredo para cidades agradáveis está em moradia, meio ambiente e oportunidades iguais para todos.

Os problemas encontrados por Liu Thai Ker em Cingapura eram parecidos com o que enfrentamos no Rio de Janeiro: desigualdade social, falta de planejamento urbano e baixo nível educacional. A solução foi um programa habitacional massivo, mas planejado sob a ótica do urbanismo. “As melhores cidades são aquelas que funcionam. Além da questão da moradia, elas precisam resolver questões de mobilidade, que passam pelo conceito de oferecer opções de trabalho mais próximas dessas moradias. Morar em uma cidade preocupada com o meio ambiente é outra forma de se conservar a beleza. De diferentes maneiras, as pessoas querem se sentir parte da cidade”.

Concordo com ele. É por isso que estamos implantando um plano de projetos para o futuro que interesse ao Rio de Janeiro. Nosso primeiro passo foi juntar as pastas de urbanismo, infraestrutura e habitação na mesma secretaria.

Priorizamos o urbanismo em relação a obras e habitação. Ou seja, primeiro vem o planejamento, depois a execução. O que o Rio fazia era exatamente o contrário. Muitos condomínios do “Minha Casa Minha Vida”, do Governo Federal, foram construídos em áreas que não têm transporte, infraestrutura, escola e posto de saúde.

É fundamental criar alternativas de geração de empregos para evitar que as regiões mais distantes do centro se tornem meros “dormitórios” e, assim, minimizar o impacto no sistema de transportes e no trânsito.

De fato, “as pessoas querem se sentir parte da cidade”. É por acreditar nisso que a legalização das propriedades em situação irregular, com o cuidado de não estimular novas invasões ou irregularidades, é de especial interesse desta secretaria. Inclusive, em três meses, já entregamos títulos a moradores de Fernão Cardim, Rocinha e Marechal Hermes.

A prudência e os cuidados necessários não estão em conflito com a velocidade de atuação pública e com o olhar atento aos conceitos do urbanismo.

Crédito imagem: Tiago Dantas, O Globo.

Urbanismo virá sempre antes da obra, diz secretário Indio da Costa

Urbanismo virá sempre antes da obra, diz secretário Indio da Costa

Secretário expôs principais diretrizes de seu trabalho, que inclui até prevenir crimes           

Em seus primeiros dias à frente da Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, o secretário Índio da Costa admite que ainda está em processo de montagem de sua equipe, mas declara já ter as diretrizes básicas a serem seguidas: pensar a cidade a partir da perspectiva urbanística, avançar na regularização fundiária e integrar todos os projetos da secretaria à prevenção de crimes.

“Em três períodos, o último no governo [Luiz Paulo] Conde, a cidade era pensada a partir do urbanismo, antes de iniciar as obras. O Rio Cidade, por exemplo, retomou espaços que estavam entregues à desordem, graças a essa ideia de elaborar o projeto a partir dos aspectos urbanísticos. Nos mandatos do Eduardo [Paes], quase tudo do que foi feito havia sido pensado antes, alguns projetos eram da época do [Carlos] Lacerda”, afirmou Índio, em conversa com jornalistas na sexta-feira (13).

Segundo o secretário, esse foco no urbanismo poderia ter sido empregado no aumento do número de moradias na Zona Oeste, principalmente graças ao programa Minha Casa Minha Vida, criando alternativas de geração de empregos para evitar que a região se tornasse um mero “dormitório” e minimizar o impacto no sistema de transportes e no trânsito.

Índio da Costa disse que as obras realizadas pela prefeitura deverão ser pensadas também sob o conceito de arquitetura preventiva do crime. “A segurança do equipamento a ser construído deve ser pensada já na fase de projeto, que vai orientar a segurança a ser oferecida depois de construído. Um bom exemplo recente é o Maracanã, que antes demandava muitos homens para vigilância, devido aos muros baixos e ao grande número de acessos ao estádio. Isso mudou com a última reforma, facilitando o planejamento da segurança”, afirmou.

Promessa de menos burocracia e mais títulos de propriedade

A união de três secretarias – Obras, Habitação e Urbanismo – visa também o avanço na regularização fundiária, aproveitando a Medida Provisória publicada pelo governo federal no fim de dezembro. O secretário lembrou que cerca de 20% da população da cidade vive em comunidades, sem a propriedade do terreno.

“Vamos ter uma área na secretaria dedicada a essa questão, comandada por uma procuradora do município que se dedica ao tema. Vamos começar os estudos pelo Morro da Providência, a primeira favela da cidade, depois seguiremos para Mangueira, Salgueiro, Dendê, Serrinha, Alemão, Batam e Jacarezinho, entre outras comunidades”.

Outra meta da nova secretaria é reduzir a burocracia existente hoje para legalizar construções na cidade. Hoje é um processo que leva mais de um ano, o que certamente contribui para as invasões. “Não faz sentido levar tanto tempo para decidir se o sujeito pode ou não construir. Com a demora, a invasão e a irregularidade se consolidam e fica mais difícil desfazer depois”, disse Índio.

Conclusão do BRT Transbrasil

O secretário também não soube dizer quantas obras estão paralisadas atualmente no Rio. “Prefiro fazer essa conta direito e só depois dar essa informação”, justificou-se – e falou sobre a conclusão do corredor de BRT Transbrasil, cujas obras foram suspensas em julho de 2016, para a realização da Olimpíada, e deveriam ter sido retomadas em setembro. Segundo Índio, a orientação do prefeito Marcelo Crivella é para que a obra seja concluída.

“Em 60 dias saberemos como retomar as obras da Transbrasil. Hoje, 47% já foram executados e 53% do valor previsto no contrato já foi pago. Vamos nos reunir com o consórcio responsável pelo trabalho para que o corredor seja finalizado e entregue, até o início de março saberemos que caminho seguir”, afirmou Índio da Costa, que não soube dizer qual é a extensão da Transbrasil prevista no projeto: “Não sei se vai até o Caju ou até a Central do Brasil, preciso me informar sobre isso”.

Ainda sobre a Avenida Brasil, o secretário declarou que há intenção de revitalizar o entorno da via, possivelmente por meio de Parceria Público-Privada (PPP), para oferecer moradias de qualidade. Uma solução que pode ser adotada é a de lançar Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac) para a área.

Fonte: G1 Rio

Foto: Alessandro Ferreira/G1

A Crise que esconderam aparece

A Crise que esconderam aparece

A dívida da prefeitura com as empreiteiras seria de pelo menos R$ 700 milhões             

Durante toda a minha campanha para prefeito do Rio, eu busquei sempre uma relação sincera e honesta com o eleitor carioca. Não fiz promessas mirabolantes e inconsequentes em busca desesperada pelo voto. Pelo contrário, demonstrei preocupação com as finanças do município e o tamanho do desafio do próximo prefeito eleito. Fiz, também, questão de mostrar o problema. Na contramão, o meu então adversário do PMDB, Pedro Paulo, e o atual prefeito, Eduardo Paes, pautaram a eleição com projetos faraônicos. Eu avisei!

Pois bem. Reportagem publicada pelo jornal O Globo, no último domingo, mostra a gravidade da situação. O texto conta que “no apagar das luzes do primeiro turno eleitoral, a prefeitura teria determinado que dezenas de obras na cidade parassem, sem informar o motivo aos responsáveis pelos trabalhos”. A denúncia, conforme noticiou o jornal, é da Associação de Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj).

Segundo a Aeerj, depois do primeiro fim de semana deste mês, 26 notificações de construtoras relataram a situação. Elas são responsáveis por pelo menos 26 obras, principalmente de urbanização, como o programa Bairro Maravilha, anunciado com pompa por Pedro Paulo na propaganda eleitoral de TV. Os trabalhos do BRT Transbrasil também estão na lista e não têm prazo para ser retomado. A dívida da prefeitura com as empreiteiras seria de pelo menos R$ 700 milhões.

E o mais grave: em e-mails recebidos pela Aeerj (e obtidos pelo Globo), “empresários relatam ter sido surpreendidos pela decisão do município de desmobilizar os canteiros (de obras). Uma das mensagens eletrônicas conta que a prefeitura chegou a pedir que as obras fossem executadas com força total antes do primeiro turno das eleições e, depois, determinou o contrário”, relata a reportagem. As obras suspensas beneficiariam principalmente comunidades pobres. Um desrespeito!

No “planeta Pedro Paulo”, tudo era possível. O programa de governo dele só se falava em fazer obras e mais obras. De onde viria o dinheiro? Ninguém sabia explicar. Fez igual a ex-presidente Dilma Rousseff e ao governador licenciado Luiz Fernando Pezão: prometeram tudo! Pedro Paulo disse, por exemplo, que construiria 314 novas escolas, 10 superclínicas, seis parques iguais ao de Madureira, 58 quilômetros de BRT e ainda um VLT ligando Botafogo até a Gávea.

Agora, o prefeito Eduardo Paes diz em entrevista que não deve dinheiro a nenhuma construtora e ainda ameaça cancelar os contratos. O eleitor carioca fez sua escolha nas urnas: deixou Pedro Paulo de fora do segundo turno e provou não acreditar mais em Papai Noel, Saci Pererê, Coelhinho da Páscoa e Mula sem Cabeça.

Foto: Jornal O Globo 23/10/2016