Precisamos recuperar a imagem da Polícia

Precisamos recuperar a imagem da Polícia

Uma das providências fundamentais é acabar com a ousadia dos bandidos             

A série de reportagens “Rio Sem Polícia” do jornal O Dia retratou com precisão o quadro deprimente da segurança pública no Rio de Janeiro. Foi apresentado o diagnóstico de um governo que não dá prioridade ao combate à violência e não tem noção de como travar a guerra contra os bandidos. Os dados do Conselho Nacional do Ministério Público apontados nas matérias da série são alarmantes e ajudam a explicar os números absurdos da criminalidade no Estado: batalhões atuam com 60% do efetivo necessário, mais de 2 mil PMs estão cedidos a outros órgãos e quase 40% dos carros da corporação estão parados por falta de manutenção.

A consequência do pouco efetivo nas ruas e estrutura precária da polícia é um sinal verde para a criminalidade. Essa sensação de insegurança que a população fluminense vive não pode ser considerada normal. Enquanto nos conformarmos com o injustificável, nada vai mudar. É preciso ficar indignado a cada notícia trágica sobre a violência no Rio.

O primeiro impacto negativo de todos estes números é justamente na imagem do serviço de segurança pública. Diante de uma criminalidade cada vez mais sofisticada, o governo mostra uma polícia cada vez menos estruturada, menos equipada. Se você está em guerra – sim hoje o Rio de Janeiro está em guerra – mostrar fragilidade é uma desvantagem brutal. A imagem de policiais empurrando uma viatura no meio da rua não só ridiculariza a corporação como estimula a bandidagem.

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Uma estratégia básica de qualquer organização militar para a manutenção da paz é dissuadir o inimigo por projeção de força. Em outras palavras, para que a guerra não aconteça, é preciso mostrar superioridade ao inimigo. As nações do mundo inteiro fazem isso para desestimular o outro lado a atacar. É uma lição que a segurança pública por aqui não aprendeu.

O quadro apresentado na série também deixa evidente que polícia não é prioridade para o governo. Dos 2657 carros da PM, 990 estão parados para conserto. Por outro lado, pode apostar que não existem secretários do estado nem deputados estaduais andando a pé ou empurrando seus veículos oficiais. Estes têm manutenção adequada e rodam sem problemas. Fica claro que a prioridade é a burocracia, a mordomia.

Isso fica ainda mais evidente quando, num quadro em que o efetivo nas ruas é longe do ideal, mais de 2 mil agentes estão fora da linha de frente, cedidos a outros órgãos. Ou seja, para que as autoridades andem mais protegidas, retiram policiais da já escassa segurança da população.

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Quando a polícia mostra fragilidade e o governo deixa evidente que a segurança não é prioridade, o criminoso se sente encorajado e se torna mais ousado. Afinal, ele sabe que para enfrentá-lo há uma organização despreparada e desprovida de equipamentos, sem qualquer perspectiva de transformação em curto prazo. Não à toa, só neste ano 86 policiais foram assassinados. Uma estatística absurda, que não pode nem deve ser tratada com naturalidade.

E como se reverte o quadro? É preciso mudar a relação. Uma das providências fundamentais é acabar com a audácia dos bandidos. E para isso, não podemos oferecer este tipo de imagem da polícia. O governo tem que mostrar que não está de brincadeira, que a segurança pública é uma prioridade, e que a polícia está equipada, preparada, e tem agentes em condições de operar em todos os pontos. Garanto que os criminosos serão menos ousados.

Créditos imagens: O Dia online

Violência no Brasil mata mais do que terrorismo

Violência no Brasil mata mais do que terrorismo

O Rio de Janeiro teve mais de 34 mil jovens executados em dez anos.      
        
O mundo inteiro fica perplexo, com justo motivo, com os atentados terroristas na Europa, com a guerra na Síria, com as mortes na Venezuela por causa da crise política. Mas, quando o tema é a violência nas ruas do Rio de Janeiro, isso parece não incomodar mais e menos ainda deixar as pessoas perplexas. É impossível abrir o jornal e ficar indiferente a estas estatísticas da violência. Fiquei abismado com o resultado da pesquisa “Altas da Violência”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicável (Ipea). Dentre outras coisas, o estudo mostra que temos uma média de quase 60 mil homicídios por ano no Brasil. Isso significa que o número de pessoas assassinadas no país a cada três semanas (3.381, em média) é maior do que o total de vítimas do terrorismo ao redor do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 (3.314). Em dez anos, o Brasil teve 318 mil jovens executados!
Nós não podemos aceitar isso! Esse desastre na segurança pública não pode ser considerado normal. Se acharmos que é, vai continuar acontecendo.
Ao analisar a pesquisa, fica evidente o impacto inicial positivo da implantação do programa das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro. Houve uma redução de 36,4% dos homicídios entre 2005 e 2015. Mas não temos motivos para comemorar. Primeiro porque foram mais de 63 mil vidas tiradas no estado durante este período – é preciso ficar alarmado com este número. Segundo porque o estudo foi feito com dados computados até 2015. Portanto, a crise de segurança pública no estado nos últimos dois anos, evidenciado pela falência das UPPs, só será refletida nos próximos índices.
Já falei sobre este tema diversas vezes. É fundamental que seja retomado o programa das UPPs com o foco na transformação social, como foi concebido pelo ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame. Aproveitar a ocupação e a ausência de conflitos para levar a urbanização às favelas e entrar com todo o arsenal de possibilidades de serviços e intervenções públicas.
O Rio de Janeiro teve mais de 34 mil jovens executados em dez anos. Ou seja, estamos interrompendo o futuro. Some isso aos números gritantes de desemprego e à crise na educação. O que podemos esperar dessa juventude?
A situação é grave, mas tem solução. É necessário trabalhar a política de segurança pelas estratégias corretas, com inteligência, combatendo as causas do crime e não apenas as consequências.
Tenho me dedicado em busca de soluções para a questão da violência. Na semana passada, escrevi um artigo em que falei sobre a necessidade de um serviço sério de investigação aliado à tecnologia para reprimir entrada de armas no Rio. Afinal, este cenário de terror só existe porque os bandidos estão armados.  A pesquisa comprova exatamente o que venho afirmando. As armas de fogo foram responsáveis por 71,9% dos homicídios no país.
Não é à base apenas de analgésicos que um médico vai conseguir tratar um paciente portador de doença grave. Ao invés de combater só os sintomas, é preciso agir contra as causas. O Rio precisa de um plano de ação bem elaborado, baseado no serviço de inteligência, que reestruture a polícia e interrompa definitivamente o domínio do crime sobre as pessoas. Não podemos mais perder tantas vidas por conta dessa onda desenfreada de violência.
Crédito imagem: portal EBC

Como combater a entrada de armas no Rio

Como combater a entrada de armas no Rio

Coibir a entrada de armas no estado significa enfraquecer o crime.             

Não podemos mais aceitar com naturalidade essa onda de violência que assola o Rio de Janeiro. Um estado inteiro ser obrigado a conviver com milhares de bandidos equipados com armamento militar pesado não pode ser considerado normal. É preciso ficar chocado e tomar providências quando se lê no noticiário que, no mês de abril, o Instituto de Segurança Pública registrou no Rio o maior número de assaltos dos últimos 27 anos.  Foram quase 23 mil roubos!

De acordo com os dados divulgados pelo ISP, desde que o os números da violência começaram a ser registrados estatisticamente, em 1991, o mês de abril deste ano teve o maior número de ocorrências para cinco diferentes modalidades de roubos — a pedestre (8.551), em coletivo (1.591), de carga (1.032), de veículo (4.891) e de celular (2.519). Vale ressaltar que o quadro real é ainda mais grave, visto que, com a greve da Polícia Civil, os índices divulgados foram afetados por uma grande subnotificação.

Este cenário de terror só existe porque há armas nas mãos dos bandidos – afinal, os assaltos acontecem porque os criminosos estão armados. Mas não é só o roubo que preocupa a população fluminense. A sociedade vive assustada com o tiroteio cotidiano. Pessoas inocentes são vítimas de balas perdidas todos os dias.

Arma não se produz em casa. Para chegar à mão do bandido no Rio de Janeiro, ela precisou se transportada de algum outro lugar. É fundamental que haja um serviço sério de investigação e inteligência para reprimir sua entrada no estado. Neste contexto, a tecnologia pode ser uma grande aliada.

Há tempos estou convencido da gravidade da situação no estado e, por isso, tenho me dedicado exaustivamente ao tema da violência. Conhecer modelos já existentes que efetivamente funcionam em outras praças é um passo para encontrarmos a solução definitiva para o Rio. Na semana passada, aproveitei minha estadia em Madrid e visitei a polícia municipal e o Aeroporto de Barajas para conhecer a aplicação do uso da tecnologia na segurança pública.

Um sistema interessante utilizado por lá, e que poderia ser adaptado para a nossa realidade, é o escaneamento de veículos. Com este recurso tecnológico, é possível identificar se caminhões ou carros estão transportando armas ou drogas. Imagine se dispuséssemos deste equipamento para controlar nossas fronteiras rodoviárias, portos e aeroportos.

Coibir a entrada de armas no estado significa enfraquecer o crime. É o melhor caminho para reduzir os números absurdos da violência no Rio de Janeiro.

Crédito imagem: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

 

Caos no Rio é reflexo da acefalia do governo estadual

Caos no Rio é reflexo da acefalia do governo estadual

Ontem tivemos mais um dia de terror no Rio. A guerra entre traficantes pelos pontos de venda de droga na Cidade Alta bloqueou a Avenida Brasil e a Rodovia Washington Luiz, causando congestionamento de até 66 km na cidade. Motoristas e passageiros ficaram no fogo cruzado por horas. Nove ônibus e dois caminhões foram incendiados e saqueados. O pânico foi instalado, o episódio ganhou grande repercussão na mídia, mas infelizmente o fato não isolado. O estado acabou e os índices de violência dispararam.

Não foi apenas a população, vítima, que percebeu a inépcia da segurança. Os bandidos agem sem medo. Só para exemplificar, na última sexta-feira, em plena luz do dia, criminosos de moto obrigaram os comerciantes da Tijuca e do Rio Comprido a fecharem as portas em luto pela morte de um dos chefes do tráfico do Morro do Turano. Uma situação inacreditável.

Nada disso é novidade. Há tempos, venho denunciando que o Estado perdeu a capacidade de gerenciar a segurança pública. O governo está acéfalo, ninguém manda. O servidor público não tem direcionamento, não tem salário, não tem respeito da sociedade nem dos governantes.

No ano passado, em agosto, fui pessoalmente ao presidente Michel Temer e entreguei um pedido de intervenção. Naquela época, ouvi muita gente dizer que era um exagero. Hoje, já concordam.

Não podemos nos calar. Precisamos insistir numa solução efetiva. Minha proposta é que se crie um plano de ação de segurança pública fundamentado no serviço de inteligência, avaliado constantemente, com indicadores para a análise. A polícia precisa ser reestruturada. Se a fronteira do país é extensa e praticamente impossível de ser controlada, o governo que cuide das divisas do Rio e não deixe entrar tantas armas e drogas.

É fundamental a integração das forças de segurança, da polícia às forças armadas. O governo tem a obrigação apresentar e executar uma política que amplie as oportunidades econômicas e a qualidade de vida para a população mais sujeita à captura pelo crime.

Crédito imagem: Extra / Fabiano Rocha

O Complexo do Alemão está em guerra

O Complexo do Alemão está em guerra

A polícia anunciava a tomada do território e os bandidos saíam pelo outro lado            

As cinco pessoas mortas em seis dias seguidos de tiroteio e o absurdo número de 245 confrontos desde o ano passado só nas UPPs de Nova Brasília, Fazendinha e Alemão confirmam uma triste realidade: o Complexo do Alemão está em guerra. O fracasso do programa das Unidades de Polícia Pacificadora no conjunto de favelas é simbólico. Representa o colapso da política de segurança pública adotada pelo Governo do Estado, evidenciando tudo de positivo que poderia – e deveria – ter sido feito, e como o plano foi mal executado. Segundo estudo recente da PM, os confrontos em áreas com UPPs aumentaram 13.746% nos últimos cinco anos (de 13, em 2011, para 1.555 em 2016). Hoje, a população paga um alto preço.

O Alemão é emblemático porque a ideia das UPPs surgiu justamente como resposta a uma chacina promovida pela polícia na comunidade. Assim que assumiu seu primeiro mandato no governo, em 2007, Sergio Cabral adotou a política de partir para o confronto direto com o tráfico. Quis ganhar a guerra contra o crime no grito, na marra. Em junho daquele ano, uma mega-operação no Complexo do Alemão, que mobilizou 1.350 policiais, resultou na morte de 19 pessoas. A intervenção, adotada como modelo pela Secretaria de Segurança Pública, foi na verdade uma ação de extermínio, conforme apontaram a Secretaria Especial de Direitos Humanos, em um laudo independente, e o relator da Organização das Nações Unidas (ONU), Phillip Alston, no relatório sobre o Brasil.

Após a péssima repercussão da chacina no complexo, o governo resolveu elaborar a política de ocupação sem confronto. Surgiam então as UPPs. Foi por isso que as unidades foram instaladas sem tiros. A polícia anunciava a tomada do território e os bandidos saíam pelo outro lado. Quem não se lembra da entrada pirotécnica da polícia no Alemão, em 2010?

O problema é que o governo não concluiu o programa. Fez a ocupação e deixou tudo nas mãos da polícia. Não levou de fato o estado para dentro das favelas. Um erro gritante.

Temos que recuperar o modelo de ocupação, mas com a implantação de um trabalho social consistente e projetos de urbanização.

A situação hoje é grave, mas tem solução. É necessário trabalhar a política de segurança pelas estratégias corretas, com inteligência, combatendo as causas do crime e não apenas as consequências.  O Rio precisa de um plano de ação bem elaborado, que reestruture a polícia e interrompa definitivamente o domínio do crime sobre a vida das pessoas.

Crédito imagem: Agência O Globo/ Gabriel de Paiva

Rio precisa de plano de ação para a segurança pública

Rio precisa de plano de ação para a segurança pública

A transformação social é a única solução possível para a crise de segurança no Rio            

Virou rotina: todos os jornais cariocas trazem manchetes sobre a onda de criminalidade na cidade. Mas a capa da edição de hoje do ‘O Dia’ chamou minha atenção. Ela apresenta uma trágica lista com os números absurdos da violência no Rio de Janeiro neste ano e faz um apelo: Chega! É uma súplica em nome de toda a população fluminense. A crise na segurança pública é um tema que venho abordando exaustivamente há tempos – inclusive já falei sobre minhas impressões, ideias e estudos em outros artigos. O fato é que hoje está evidenciada a ruína do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e, principalmente, a falência do governo estadual.

Os números levantados pelo jornal são assustadores: Foram 1.216 mortes violentas no Rio só nos dois primeiros meses deste ano; quatro mortes em cinco dias de guerra no Complexo do Alemão; 58 policiais assassinados no estado em 2017; a cada 76 minutos, um veículo de carga é roubado; a crise do governo tira diariamente 500 PMs das ruas; os roubos de passageiros em ônibus cresceram 34,5%; os índices de violência voltaram aos índices anteriores às UPPs.

Quase tudo o que se podia dizer sobre os erros da política de segurança do Rio já foi dito. E todas as análises de como resolver já foram feitas. O problema cresce porque se tenta resolver as consequências e nunca as causas. Temos pelo menos duas: o uso político que se faz do tema e a importância nenhuma que se dá à polícia e ao papel da prefeitura.

Hoje, o trabalho de segurança é pontual e defensivo. Ou seja, a polícia só age depois que o fato acontece. Minha proposta é que se crie um plano de ação fundamentado no serviço de inteligência. É preciso conversar e aprender com quem entende do assunto, e isso não implica apenas em consultar especialistas. A população em geral sabe o risco que corre, qual ônibus é assaltado, qual rua é segura de andar ou não. Além disso, há a necessidade de reestruturar a polícia e interromper definitivamente o domínio do crime sobre a vida de crianças e adolescentes na sociedade. Este plano de ação deve ser avaliado constantemente, com indicadores para a análise. Infelizmente, hoje só se toma conhecimento quando as estatísticas chegam aos jornais.

E agora? É fundamental recuperar o programa das UPPs com o braço da pacificação, que deveria vir com a ocupação. Uma pacificação que inclua a conscientização da própria polícia. Quero fazer a minha parte e estou tentando, com uma atuação da prefeitura mais presente nas favelas.

Tenho agora como secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação a oportunidade de urbanizar as comunidades e trabalhar na legalização dos imóveis (o que já aconteceu em Fernão Cardim, no Engenho de Dentro, no bairro Barcelos, na Rocinha, e em Marechal Hermes), além de melhorar serviços básicos, como escola e atendimento médico.

A transformação social é a única solução possível para a crise de segurança no Rio. Mas como promover uma mudança significativa na cultura da transgressão quando o poder público é o pior exemplo? Que moral tem um governo em que o principal nome está atrás das grades por diversos crimes de corrupção? Infelizmente, temos um governador que é uma influência tão ruim quanto qualquer traficante ou miliciano.

O modelo de sociedade que se deseja tem que partir sim de suas lideranças.

Saúde ferida a tiros

Saúde ferida a tiros

Deve existir um meio de livrar o Rio dos confrontos armados entre policiais e bandidos      

Os confrontos armados entre policiais e bandidos acontecem há tanto tempo no Rio de Janeiro que a sociedade e os governos adotam mecanismos para conviver com eles. Um deles justifica a matéria publicada pelo jornal O Globo de hoje.

“Em dez meses, violência fechou um terço das clínicas e dos postos do município…Os confrontos registrados no Rio de Janeiro ferem gravemente os serviços de 232 unidades básicas de saúde. De janeiro a outubro deste ano, 77 delas, ou um terço do total (33,2%) fecharam em algum momento devido a tiroteios…E o prejuízo não é apenas para o bem-estar da população: como houve 380 paralisações no período e o custo médio de cada unidade é de R$ 32 mil por dia, a estimativa é que a insegurança tenha provocado perdas de cerca de R$ 12,1 milhões…”.

Os dados e outros tantos publicados na matéria (disponível abaixo) são do programa “Acesso Mais Seguro”, da prefeitura do Rio, que fixa regras de como devem proceder os profissionais que trabalham nas unidades de saúde do Rio, na ocasião dos confrontos armados. As condições de segurança são representadas por cores expostas nas unidades.

No mesmo momento que o programa demonstra o cuidado da prefeitura com os profissionais da saúde e com a própria população, representa a lamentável resignação de todos com uma situação crítica de violência e crime.  Deve existir um meio de livrar o Rio de Janeiro dos confrontos armados entre policiais e bandidos. As medidas de ocasião, aplicadas após ou durante as ocorrências, não têm dado resultado. Pelo contrário: geram prejuízos, tiram vidas de policiais e de gente indefesa de todas as idades e danificam as finanças tanto do governo como das empresas e iniciativas privadas.

Eu permaneço na defesa de metas que alcancem o médio e o longo prazo. A primeira seria o desarmamento: estrangular o sistema que fornece armas aos bandidos. As UPPs perderam a oportunidade de serem mais ativas nesse sentido. E, nesse ponto, seria fundamental, envolver o Ministério da Defesa. As armas têm registro e é medida primordial rastrear o caminho delas da produção ao momento da apreensão, para investigar e punir quem trafica. Isso poderia ser feito por uma Força-Tarefa, que envolvesse o Ministério da Defesa, o Ministério Público, a Polícia Federal e outros órgãos.

Para o longo prazo, a educação, com o conceito amplo de ensino integrado no horário integral, que dê aos alunos desde a primeira infância, acesso ao esporte, à cultura e ao lazer sadio, enquanto ensina.

Foto: Divulgaçao/Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/em-dez-meses-violencia-fechou-um-terco-das-clinicas-dos-postos-de-saude-do-rio-20668742#ixzz4TIg3n7y0

Passeio fatal

Passeio fatal

É preciso combater o tráfico e o comércio livre de armas para os bandidos              

Até quando seguiremos sem dar solução a uma situação absurda, que, no Rio de Janeiro, se tornou banal?

Roberto e Rino, dois turistas italianos, motociclistas, foram abordados por traficantes em Santa Teresa, na entrada do Morro dos Prazeres. Roberto foi assassinado e Rino ficou como refém dos assassinos durante duas horas sem saber se seria morto também. O chefe do tráfico decidiu deixá-lo com vida, porque é assim que a coisa acontece na cidade. Os bandidos têm o poder de deixar e de não deixar viver.

O fato sem outros detalhes já seria um absurdo. Mas ocorreu às 11 horas da manhã, no bairro de Santa Teresa, uma das áreas de maior movimento de turistas no Rio de Janeiro e recebeu de um dos mais experientes estudiosos do crime, o sociólogo Ignácio Cano, a seguinte observação: “É um fato triste, mas, que, infelizmente, não surpreende quem conhece a cidade…”.

É verdade. Não surpreende. Não causa mais espanto. Como também não causam as notícias de “troca de tiros entre policiais e bandidos”, que matam outras pessoas, vítimas de balas perdidas. Isso acontece todos os dias.

O fator principal é o porte livre de armas pelos bandidos. Armas de todo tipo e tamanho.

A notícia do crime cometido contra os turistas italianos mostra que, às 11 horas da manhã de um dia comum, traficantes estavam armados, posicionados para proteger o território onde operam a venda de drogas.

Por tudo o que se sabe, é possível acreditar que, retirando-se as armas do crime, ele ficará enfraquecido o suficiente para ser dominado. Então, está evidente a necessidade de uma ação organizada e inteligente do Estado Brasileiro, que abrange as duas polícias, em especial a de investigação, o Ministério Público, o Poder Judiciário e o Legislativo, para tirar as armas das ruas.

Quando a gente examina o Estatuto do Desarmamento, concordando com ele ou não, fica sem entender as causas de ainda existirem armas nas mãos dos bandidos. A lei é de 22 de dezembro de 2003. Está em vigor, portanto, há 13 anos. Ela impõe uma série de providências de controle de armas, medidas suficientes para tornar incompreensível existirem armas nas mãos de bandidos. E não só armas de baixo calibre, mas fuzis etc.

O que falta para o Estado Brasileiro agir com firmeza no combate à posse de armas pelos bandidos?

Por que não rastreiam as armas, que são apreendidas, desde a origem delas na fabricação?  Seria uma providência essencial. O Estatuto do Desarmamento exige o cadastro. Então, com base nele, seria possível rastrear, para responsabilizar e punir quem facilita a posse de armas pelos bandidos.

Enquanto não se conhecer com exatidão a causa de existirem armas nas mãos de bandidos, armas, inclusive de uso restrito das Forças Armadas e das forças policiais, o combate ao crime no Rio será como tem sido até aqui: enxugar gelo.

Eis aí uma boa tarefa para os Ministérios da Defesa e de Justiça: agir logo e de forma eficaz no combate ao tráfico e comércio livre de armas para os bandidos.

Foto: Os primos Roberto Bardella e Rino Polato – Reprodução Facebook

 

“A verdade dói” – para não doer, a verdade deveria ser outra

“A verdade dói” – para não doer, a verdade deveria ser outra

Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Precisamos de medidas efetivas para combatê-la

Ao retornar ontem de Brasília para o Rio vi nos aeroportos, de lá e de cá, os cartazes “A verdade dói”, que chamam a atenção para o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, que acontece hoje, sexta-feira, 25 de novembro.

Quantas verdades existem no tema? E quantas doem para valer?

Uma dor está nos 67.692 casos denunciados de estupro por ano no Brasil – 13 por dia -, dados do Ligue 180. E os casos não denunciados? Certamente, o número será bem maior porque há mulheres que fogem do sentimento de uma dor dupla, a de sofrer o estupro e ser exposta. Culpa dos governos que não oferecem o apoio devido nas delegacias com atendimento especializado e inquéritos e processos ágeis contra os agressores. O Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fez pesquisa sobre o tema e mostrou que 64% dos policiais militares não estão preparados para atender as mulheres.

A pesquisa dá notícia de outra dor: 37% dos entrevistados declararam que a mulher estuprada é vítima de si mesma porque não se dá ao respeito. Uma situação muito controversa na vida de uma sociedade que quer ser moderna, democrática e humana.

Mas a violência contra a mulher não se configura só nos crimes de estupro. Há as que apanham dos homens; as que sofrem assédio sexual e moral nas empresas; as que são agredidas pelo deboche, pela discriminação. Atos de homens covardes que se transformam em valentões diante da fragilidade de uma mulher. Essa também é uma verdade doída.

Só conhecer o problema e denunciá-lo não é solução. Precisamos de medidas efetivas.

Eu defendo que as polícias e, em especial, as guardas municipais, tenham segmentos próprios e especializados para o atendimento à mulher agredida, violentada, que sofra discriminação. Defendo a ampliação do número de delegacias especializadas, com atendimento melhor e inquéritos ágeis, que desestimulem o crime pela punibilidade.

Foto: Agência Alesc/Divulgação

Mais insegurança, menos investimentos

Mais insegurança, menos investimentos

O problema da violência está tendo o mesmo efeito da burocracia para o investidor            

Um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pedido do jornal O Globo, revela um dado alarmante: os crimes e os gastos com segurança consomem R$ 130 bilhões das empresas brasileiras por ano. Ou seja: o dinheiro é usado no combate à violência e não em produção. Um risco tanto para o setor empresarial quanto para a população.

Para investir no Brasil, os empresários levam em conta, agora, não apenas os já conhecidos gastos com infraestrutura precária ou com a burocracia, aponta o estudo da CNI. Cenas de violência e a sensação de falta de segurança também são levadas em conta. A luz amarela acendeu!

Um exemplo simples: quatro milhões de metros de cabos de cobre são roubados a cada ano, o que gera um custo de R$ 320 milhões para as empresas de telecomunicações. Outro: entre 2010 e 2015, o número de roubo e furto de carga no país cresceu 64%. Mais: o gasto das empresas com segurança privada é 14 vezes mais que o orçamento empenhado do governo do estado do Rio para a área, de R$ 8,8 bilhões.

Fato é que os governos estaduais gastam muito e mal e obrigam as empresas a mudar o caminho dos investimentos. Em outras palavras: os empresários se veem na obrigação de cuidar da segurança, papel este que cabe ao poder público. Retira-se recursos de produção e os direcionam à segurança.

Vale lembrar que o problema da violência está tendo o mesmo efeito da burocracia para o investidor. Resultado: novos postos de trabalho deixam de existir. Os produtos ficam mais caros. A economia não anda. O país fica menos competitivo. É uma bola de neve. Menos emprego e renda, consequentemente o mercado informal, abastecido por cargas roubadas, cresce.

Os estados precisam ser mais eficientes com os gastos e, principalmente, na prevenção da violência e do vandalismo. Caso contrário, o assunto será tema das reuniões de empresários por muito tempo.

Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo