O Complexo do Alemão está em guerra

O Complexo do Alemão está em guerra

A polícia anunciava a tomada do território e os bandidos saíam pelo outro lado            

As cinco pessoas mortas em seis dias seguidos de tiroteio e o absurdo número de 245 confrontos desde o ano passado só nas UPPs de Nova Brasília, Fazendinha e Alemão confirmam uma triste realidade: o Complexo do Alemão está em guerra. O fracasso do programa das Unidades de Polícia Pacificadora no conjunto de favelas é simbólico. Representa o colapso da política de segurança pública adotada pelo Governo do Estado, evidenciando tudo de positivo que poderia – e deveria – ter sido feito, e como o plano foi mal executado. Segundo estudo recente da PM, os confrontos em áreas com UPPs aumentaram 13.746% nos últimos cinco anos (de 13, em 2011, para 1.555 em 2016). Hoje, a população paga um alto preço.

O Alemão é emblemático porque a ideia das UPPs surgiu justamente como resposta a uma chacina promovida pela polícia na comunidade. Assim que assumiu seu primeiro mandato no governo, em 2007, Sergio Cabral adotou a política de partir para o confronto direto com o tráfico. Quis ganhar a guerra contra o crime no grito, na marra. Em junho daquele ano, uma mega-operação no Complexo do Alemão, que mobilizou 1.350 policiais, resultou na morte de 19 pessoas. A intervenção, adotada como modelo pela Secretaria de Segurança Pública, foi na verdade uma ação de extermínio, conforme apontaram a Secretaria Especial de Direitos Humanos, em um laudo independente, e o relator da Organização das Nações Unidas (ONU), Phillip Alston, no relatório sobre o Brasil.

Após a péssima repercussão da chacina no complexo, o governo resolveu elaborar a política de ocupação sem confronto. Surgiam então as UPPs. Foi por isso que as unidades foram instaladas sem tiros. A polícia anunciava a tomada do território e os bandidos saíam pelo outro lado. Quem não se lembra da entrada pirotécnica da polícia no Alemão, em 2010?

O problema é que o governo não concluiu o programa. Fez a ocupação e deixou tudo nas mãos da polícia. Não levou de fato o estado para dentro das favelas. Um erro gritante.

Temos que recuperar o modelo de ocupação, mas com a implantação de um trabalho social consistente e projetos de urbanização.

A situação hoje é grave, mas tem solução. É necessário trabalhar a política de segurança pelas estratégias corretas, com inteligência, combatendo as causas do crime e não apenas as consequências.  O Rio precisa de um plano de ação bem elaborado, que reestruture a polícia e interrompa definitivamente o domínio do crime sobre a vida das pessoas.

Crédito imagem: Agência O Globo/ Gabriel de Paiva

Rio precisa de plano de ação para a segurança pública

Rio precisa de plano de ação para a segurança pública

A transformação social é a única solução possível para a crise de segurança no Rio            

Virou rotina: todos os jornais cariocas trazem manchetes sobre a onda de criminalidade na cidade. Mas a capa da edição de hoje do ‘O Dia’ chamou minha atenção. Ela apresenta uma trágica lista com os números absurdos da violência no Rio de Janeiro neste ano e faz um apelo: Chega! É uma súplica em nome de toda a população fluminense. A crise na segurança pública é um tema que venho abordando exaustivamente há tempos – inclusive já falei sobre minhas impressões, ideias e estudos em outros artigos. O fato é que hoje está evidenciada a ruína do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e, principalmente, a falência do governo estadual.

Os números levantados pelo jornal são assustadores: Foram 1.216 mortes violentas no Rio só nos dois primeiros meses deste ano; quatro mortes em cinco dias de guerra no Complexo do Alemão; 58 policiais assassinados no estado em 2017; a cada 76 minutos, um veículo de carga é roubado; a crise do governo tira diariamente 500 PMs das ruas; os roubos de passageiros em ônibus cresceram 34,5%; os índices de violência voltaram aos índices anteriores às UPPs.

Quase tudo o que se podia dizer sobre os erros da política de segurança do Rio já foi dito. E todas as análises de como resolver já foram feitas. O problema cresce porque se tenta resolver as consequências e nunca as causas. Temos pelo menos duas: o uso político que se faz do tema e a importância nenhuma que se dá à polícia e ao papel da prefeitura.

Hoje, o trabalho de segurança é pontual e defensivo. Ou seja, a polícia só age depois que o fato acontece. Minha proposta é que se crie um plano de ação fundamentado no serviço de inteligência. É preciso conversar e aprender com quem entende do assunto, e isso não implica apenas em consultar especialistas. A população em geral sabe o risco que corre, qual ônibus é assaltado, qual rua é segura de andar ou não. Além disso, há a necessidade de reestruturar a polícia e interromper definitivamente o domínio do crime sobre a vida de crianças e adolescentes na sociedade. Este plano de ação deve ser avaliado constantemente, com indicadores para a análise. Infelizmente, hoje só se toma conhecimento quando as estatísticas chegam aos jornais.

E agora? É fundamental recuperar o programa das UPPs com o braço da pacificação, que deveria vir com a ocupação. Uma pacificação que inclua a conscientização da própria polícia. Quero fazer a minha parte e estou tentando, com uma atuação da prefeitura mais presente nas favelas.

Tenho agora como secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação a oportunidade de urbanizar as comunidades e trabalhar na legalização dos imóveis (o que já aconteceu em Fernão Cardim, no Engenho de Dentro, no bairro Barcelos, na Rocinha, e em Marechal Hermes), além de melhorar serviços básicos, como escola e atendimento médico.

A transformação social é a única solução possível para a crise de segurança no Rio. Mas como promover uma mudança significativa na cultura da transgressão quando o poder público é o pior exemplo? Que moral tem um governo em que o principal nome está atrás das grades por diversos crimes de corrupção? Infelizmente, temos um governador que é uma influência tão ruim quanto qualquer traficante ou miliciano.

O modelo de sociedade que se deseja tem que partir sim de suas lideranças.

Saúde ferida a tiros

Saúde ferida a tiros

Deve existir um meio de livrar o Rio dos confrontos armados entre policiais e bandidos      

Os confrontos armados entre policiais e bandidos acontecem há tanto tempo no Rio de Janeiro que a sociedade e os governos adotam mecanismos para conviver com eles. Um deles justifica a matéria publicada pelo jornal O Globo de hoje.

“Em dez meses, violência fechou um terço das clínicas e dos postos do município…Os confrontos registrados no Rio de Janeiro ferem gravemente os serviços de 232 unidades básicas de saúde. De janeiro a outubro deste ano, 77 delas, ou um terço do total (33,2%) fecharam em algum momento devido a tiroteios…E o prejuízo não é apenas para o bem-estar da população: como houve 380 paralisações no período e o custo médio de cada unidade é de R$ 32 mil por dia, a estimativa é que a insegurança tenha provocado perdas de cerca de R$ 12,1 milhões…”.

Os dados e outros tantos publicados na matéria (disponível abaixo) são do programa “Acesso Mais Seguro”, da prefeitura do Rio, que fixa regras de como devem proceder os profissionais que trabalham nas unidades de saúde do Rio, na ocasião dos confrontos armados. As condições de segurança são representadas por cores expostas nas unidades.

No mesmo momento que o programa demonstra o cuidado da prefeitura com os profissionais da saúde e com a própria população, representa a lamentável resignação de todos com uma situação crítica de violência e crime.  Deve existir um meio de livrar o Rio de Janeiro dos confrontos armados entre policiais e bandidos. As medidas de ocasião, aplicadas após ou durante as ocorrências, não têm dado resultado. Pelo contrário: geram prejuízos, tiram vidas de policiais e de gente indefesa de todas as idades e danificam as finanças tanto do governo como das empresas e iniciativas privadas.

Eu permaneço na defesa de metas que alcancem o médio e o longo prazo. A primeira seria o desarmamento: estrangular o sistema que fornece armas aos bandidos. As UPPs perderam a oportunidade de serem mais ativas nesse sentido. E, nesse ponto, seria fundamental, envolver o Ministério da Defesa. As armas têm registro e é medida primordial rastrear o caminho delas da produção ao momento da apreensão, para investigar e punir quem trafica. Isso poderia ser feito por uma Força-Tarefa, que envolvesse o Ministério da Defesa, o Ministério Público, a Polícia Federal e outros órgãos.

Para o longo prazo, a educação, com o conceito amplo de ensino integrado no horário integral, que dê aos alunos desde a primeira infância, acesso ao esporte, à cultura e ao lazer sadio, enquanto ensina.

Foto: Divulgaçao/Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/em-dez-meses-violencia-fechou-um-terco-das-clinicas-dos-postos-de-saude-do-rio-20668742#ixzz4TIg3n7y0

Passeio fatal

Passeio fatal

É preciso combater o tráfico e o comércio livre de armas para os bandidos              

Até quando seguiremos sem dar solução a uma situação absurda, que, no Rio de Janeiro, se tornou banal?

Roberto e Rino, dois turistas italianos, motociclistas, foram abordados por traficantes em Santa Teresa, na entrada do Morro dos Prazeres. Roberto foi assassinado e Rino ficou como refém dos assassinos durante duas horas sem saber se seria morto também. O chefe do tráfico decidiu deixá-lo com vida, porque é assim que a coisa acontece na cidade. Os bandidos têm o poder de deixar e de não deixar viver.

O fato sem outros detalhes já seria um absurdo. Mas ocorreu às 11 horas da manhã, no bairro de Santa Teresa, uma das áreas de maior movimento de turistas no Rio de Janeiro e recebeu de um dos mais experientes estudiosos do crime, o sociólogo Ignácio Cano, a seguinte observação: “É um fato triste, mas, que, infelizmente, não surpreende quem conhece a cidade…”.

É verdade. Não surpreende. Não causa mais espanto. Como também não causam as notícias de “troca de tiros entre policiais e bandidos”, que matam outras pessoas, vítimas de balas perdidas. Isso acontece todos os dias.

O fator principal é o porte livre de armas pelos bandidos. Armas de todo tipo e tamanho.

A notícia do crime cometido contra os turistas italianos mostra que, às 11 horas da manhã de um dia comum, traficantes estavam armados, posicionados para proteger o território onde operam a venda de drogas.

Por tudo o que se sabe, é possível acreditar que, retirando-se as armas do crime, ele ficará enfraquecido o suficiente para ser dominado. Então, está evidente a necessidade de uma ação organizada e inteligente do Estado Brasileiro, que abrange as duas polícias, em especial a de investigação, o Ministério Público, o Poder Judiciário e o Legislativo, para tirar as armas das ruas.

Quando a gente examina o Estatuto do Desarmamento, concordando com ele ou não, fica sem entender as causas de ainda existirem armas nas mãos dos bandidos. A lei é de 22 de dezembro de 2003. Está em vigor, portanto, há 13 anos. Ela impõe uma série de providências de controle de armas, medidas suficientes para tornar incompreensível existirem armas nas mãos de bandidos. E não só armas de baixo calibre, mas fuzis etc.

O que falta para o Estado Brasileiro agir com firmeza no combate à posse de armas pelos bandidos?

Por que não rastreiam as armas, que são apreendidas, desde a origem delas na fabricação?  Seria uma providência essencial. O Estatuto do Desarmamento exige o cadastro. Então, com base nele, seria possível rastrear, para responsabilizar e punir quem facilita a posse de armas pelos bandidos.

Enquanto não se conhecer com exatidão a causa de existirem armas nas mãos de bandidos, armas, inclusive de uso restrito das Forças Armadas e das forças policiais, o combate ao crime no Rio será como tem sido até aqui: enxugar gelo.

Eis aí uma boa tarefa para os Ministérios da Defesa e de Justiça: agir logo e de forma eficaz no combate ao tráfico e comércio livre de armas para os bandidos.

Foto: Os primos Roberto Bardella e Rino Polato – Reprodução Facebook

 

“A verdade dói” – para não doer, a verdade deveria ser outra

“A verdade dói” – para não doer, a verdade deveria ser outra

Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Precisamos de medidas efetivas para combatê-la

Ao retornar ontem de Brasília para o Rio vi nos aeroportos, de lá e de cá, os cartazes “A verdade dói”, que chamam a atenção para o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, que acontece hoje, sexta-feira, 25 de novembro.

Quantas verdades existem no tema? E quantas doem para valer?

Uma dor está nos 67.692 casos denunciados de estupro por ano no Brasil – 13 por dia -, dados do Ligue 180. E os casos não denunciados? Certamente, o número será bem maior porque há mulheres que fogem do sentimento de uma dor dupla, a de sofrer o estupro e ser exposta. Culpa dos governos que não oferecem o apoio devido nas delegacias com atendimento especializado e inquéritos e processos ágeis contra os agressores. O Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fez pesquisa sobre o tema e mostrou que 64% dos policiais militares não estão preparados para atender as mulheres.

A pesquisa dá notícia de outra dor: 37% dos entrevistados declararam que a mulher estuprada é vítima de si mesma porque não se dá ao respeito. Uma situação muito controversa na vida de uma sociedade que quer ser moderna, democrática e humana.

Mas a violência contra a mulher não se configura só nos crimes de estupro. Há as que apanham dos homens; as que sofrem assédio sexual e moral nas empresas; as que são agredidas pelo deboche, pela discriminação. Atos de homens covardes que se transformam em valentões diante da fragilidade de uma mulher. Essa também é uma verdade doída.

Só conhecer o problema e denunciá-lo não é solução. Precisamos de medidas efetivas.

Eu defendo que as polícias e, em especial, as guardas municipais, tenham segmentos próprios e especializados para o atendimento à mulher agredida, violentada, que sofra discriminação. Defendo a ampliação do número de delegacias especializadas, com atendimento melhor e inquéritos ágeis, que desestimulem o crime pela punibilidade.

Foto: Agência Alesc/Divulgação

Mais insegurança, menos investimentos

Mais insegurança, menos investimentos

O problema da violência está tendo o mesmo efeito da burocracia para o investidor            

Um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pedido do jornal O Globo, revela um dado alarmante: os crimes e os gastos com segurança consomem R$ 130 bilhões das empresas brasileiras por ano. Ou seja: o dinheiro é usado no combate à violência e não em produção. Um risco tanto para o setor empresarial quanto para a população.

Para investir no Brasil, os empresários levam em conta, agora, não apenas os já conhecidos gastos com infraestrutura precária ou com a burocracia, aponta o estudo da CNI. Cenas de violência e a sensação de falta de segurança também são levadas em conta. A luz amarela acendeu!

Um exemplo simples: quatro milhões de metros de cabos de cobre são roubados a cada ano, o que gera um custo de R$ 320 milhões para as empresas de telecomunicações. Outro: entre 2010 e 2015, o número de roubo e furto de carga no país cresceu 64%. Mais: o gasto das empresas com segurança privada é 14 vezes mais que o orçamento empenhado do governo do estado do Rio para a área, de R$ 8,8 bilhões.

Fato é que os governos estaduais gastam muito e mal e obrigam as empresas a mudar o caminho dos investimentos. Em outras palavras: os empresários se veem na obrigação de cuidar da segurança, papel este que cabe ao poder público. Retira-se recursos de produção e os direcionam à segurança.

Vale lembrar que o problema da violência está tendo o mesmo efeito da burocracia para o investidor. Resultado: novos postos de trabalho deixam de existir. Os produtos ficam mais caros. A economia não anda. O país fica menos competitivo. É uma bola de neve. Menos emprego e renda, consequentemente o mercado informal, abastecido por cargas roubadas, cresce.

Os estados precisam ser mais eficientes com os gastos e, principalmente, na prevenção da violência e do vandalismo. Caso contrário, o assunto será tema das reuniões de empresários por muito tempo.

Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Tecnologia e informação no combate à violência

Tecnologia e informação no combate à violência

Uma rede de informações permanente pode ajudar a evitar barbáries que assolam o Rio de Janeiro

O confronto deste sábado entre policiais, bandidos e milicianos no Rio é o retrato do descontrole da segurança pública do governo do estado. A grave crise financeira – ao ponto de carros da polícia não saírem do pátio dos quartéis por falta de gasolina – estimula as ações de marginais. A queda do helicóptero que matou quatro militares, na Cidade de Deus (comunidade com UPP!), marca a disputa pelo controle daquela região. Sitiada, a população sofre as consequências desse descalabro.

Obviamente, a prefeitura não pode entrar na guerra contra o tráfico e a milícia. No entanto, tem a obrigação de contribuir com informações à polícia para as investigações e à Justiça. O objetivo é um só: pôr criminosos na cadeia e evitar a morte de inocentes. Durante toda a minha campanha a prefeito da cidade, eu já alertava e defendia a importância desta parceria.

Acredito na sensibilidade do prefeito eleito Marcelo Crivella no combate à violência. Tecnologia e a guarda municipal têm papel fundamental no processo. Afinal, somente a criação de uma rede de informações permanente pode ajudar a evitar barbáries que assolam o Rio de Janeiro. Apesar de necessário em determinados momentos, o confronto direto, com troca de tiros, é burro. Câmeras com reconhecimento facial, por exemplo, e uma gestão inteligente, podem ajudar e muito.

É triste ver policiais morrerem no exercício da função. Também é triste ver vítimas inocentes, trabalhadores honestos de comunidades carentes, chorarem por seus mortos. É triste sair de casa e não saber se vai voltar. Hoje, trafegar por vias expressas tornou-se um risco. Eu, você, os nossos filhos, ou qualquer um podemos ser alvos de arrastões, balas perdidas.

Não basta pôr apenas governantes corruptos na prisão. O Rio de Janeiro quer mais, quer paz. E o papel do estado e da prefeitura em trabalhar com parceria é a ponta de esperança de cariocas. Estamos todos no mesmo barco.

Foto:  Agência O Globo

A prefeitura deve assumir seu papel na Segurança

A prefeitura deve assumir seu papel na Segurança

Roberto Sá tem capacidade para fazer um bom trabalho se a prefeitura fizer a parte dela

Muita gente lamentou a saída do secretário estadual de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. Eu também. Não só por ele ser um profissional dedicado e competente, mas porque a saída dele significa, na verdade, que a política de segurança do Estado ruiu. É verdade que não da forma como nas outras vezes. Beltrame deixa um legado importante: as UPPs e uma aula sobre as causas do insucesso.

Na última entrevista que deu como secretário, Beltrame confirmou a angústia, com certa dose de frustração. Disse ele: “Estou angustiado como servidor público. Afinal, angustia muito saber que você tem um problema. Você tem planos para enfrentar este problema. Você sabe elaborar e executar esses planos, mas não pode executar”.

Em seguida, Beltrame identifica as dificuldades: “Falta entrelaçamento entre as diversas instâncias do poder. As polícias Militar e Civil tocam sozinhas quando a questão da segurança não é só das polícias ou da falta de apoio social. A desordem pública cria a violência. É a ocupação desordenada do solo e o crescimento totalmente desordenado das comunidades”.

Faltou à prefeitura do Rio fazer a parte dela. Por isso, tenho defendido um papel de maior participação dela na área de segurança. Quando fui secretário municipal de Esportes, criei um programa de incentivo ao esporte para as áreas de atuação das UPPs. Não consegui implantar, porque o prefeito Eduardo Paes – me respondeu ele – “não queria colocar azeitona na empada do Beltrame”.

O substituto do Beltrame, escolhido por ele, o delegado da Polícia Federal, Roberto Sá, tem capacidade para fazer um bom trabalho se a prefeitura dessa vez fizer a parte dela. A prefeitura deve agir com mais eficácia na manutenção da ordem pública, no treinamento da Guarda Municipal para o policiamento ostensivo e integração com a Polícia Civil para disponibilizar os dados e informações que consegue coletar e que possam ser úteis na investigação dos crimes.

Apresentei este projeto na campanha e entreguei ao candidato Marcelo Crivella.
O programa que defendi para a Segurança Pública está no meu site. Ele nasceu de uma série de depoimentos de especialistas, coordenados pelo Leandro Piquet. O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, deu também uma significativa contribuição. Ele enfrentou em Nova York, com sucesso, os crimes urbanos, bem semelhantes aos que ocorrem no Rio hoje.

Confira a matéria sobre a troca de secretário de Segurança do Rio no Jornal O Globo, de hoje:  http://zip.net/bmtvkH.

Foto: Jornal O Globo 17/10/2016

Roberto Dias – Folha de S.Paulo: Um corpo que cai e o nosso desaprumo civilizatório

Roberto Dias – Folha de S.Paulo: Um corpo que cai e o nosso desaprumo civilizatório

Confronto no morro Pavão-Pavãozinho: É espantoso como a barbárie assusta pouco            

Ouvem-se 13 tiros e também aquele silêncio macabro da queda livre. A única lei vigente ali, a da gravidade, evidencia sua força por cerca de cinco segundos. Não fosse o penhasco, inexistente em Manhattan, bem poderia passar como uma cena de Martin Scorsese em “Gangues de Nova York”, panorama da vida sanguinária da ilha lá pela metade do século 19.

Só que são Copacabana e Ipanema, no meio de uma tarde de segunda do século 21. O cineasta é na verdade um morador vizinho ao morro do Cantagalo, zona sul do Rio. Com o celular, ele registra o momento em que um homem despenca durante tiroteio entre a polícia e supostos traficantes. O corpo foi identificado como sendo de André Lourenço, 22 anos.

É espantoso como a barbárie assusta pouco. Nesse novo normal, uma cena assim, numa área rica da cidade, serve como enchimento viral das redes sociais, consumido sem pipoca. Mas ela mostra, sim, que a coisa não está dando certo não. Já se foram oito anos da criação das UPPs e da coroação da “mãe do PAC” no Alemão. Sete anos desde que o Rio ganhou a Olimpíada — os gringos já vieram, viram, venceram e foram embora, mas as favelas continuam lá.

O desaprumo civilizatório carioca tem paralelo claro em São Paulo. Quem caminha pela região central já dá de ombros quando se depara com uma horda de pessoas a vagar de maneira desconexa, gente de diversas idades e origens. Peste negra da Idade Média? Não, a Cracolândia.

Também ali o progresso a cargo do Estado pouco se faz notar. No caso, dois governos, municipal e estadual, cada um puxando as pessoas para um lado. Não é preciso entender de vetor para enxergar a resultante.

Nesta semana, Obama disse que mandará voo tripulado a Marte nas próximas duas décadas. Nesse ritmo, os americanos talvez encontrem marcianos antes de os brasileiros percebermos humanos na esquina das nossas maiores metrópoles.

COMENTÁRIO DO INDIO:

Quase tudo o que se podia dizer sobre os erros da política de segurança do Rio já se disse. E todas as análises de como resolver já se fez. O problema cresce porque se tenta resolvê-lo pelas consequências e nunca pelas causas.

Temos, pelo menos duas: o uso político que se faz do tema e a importância nenhuma que se dá à polícia e ao papel da prefeitura sobre o tema.

As UPPs fizeram-se publicidade fácil para a reeleição do governador Luiz Fernando Pezão, em 2014, que as instituiu, e para perpetuação do grupo dele no poder. Parou-se aí.

Beltrame deixou o governo e relembrou o alerta que fez no início do projeto: a UPP é anestesia, que preparará o organismo para uma cirurgia. A segunda parte não aconteceu e o organismo está agora resistente à anestesia.

O intervalo entre as eleições dita o calendário de ações. Por isso, não se reforma a polícia e não se aplicam políticas sociais permanentes e avaliadas corretamente.

Não venci a eleição para a prefeitura, mas sai feliz com pelo menos um resultado: consegui que todos os candidatos conferissem importância à prefeitura na política de segurança. Avançamos tanto com o discurso insistente, que até o prefeito Eduardo Paes e o candidato dele, Pedro Paulo, antes refratários ao tema, cederam.

Creio que o senador Marcelo Crivella, se eleito, integre a política de segurança no conjunto das políticas públicas municipais e isso está posto no documento que assinamos, eu e ele, em razão do segundo turno.

Fonte: Folha de S.Paulo: 13/10/2016

G1: Indio da Costa participa de conversa sobre políticas para mulheres

G1: Indio da Costa participa de conversa sobre políticas para mulheres

Ele falou sobre propostas para acolher vítimas de violência. Reunião aconteceu em Laranjeiras          

O principal compromisso de hoje do candidato do PSD à prefeitura do Rio, Indio da Costa, foi em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Ele se reuniu com um grupo de mulheres de partidos que o apoiam, entre candidatas a vereador do PMB e PSB, além de simpatizantes.

A reunião foi na calçada, em frente ao prédio onde funcionam várias atividades sociais da prefeitura, inclusive o conselho tutelar. Índio da costa explicou para elas como é a  proposta de criar um abrigo 24 horas para mulheres.

Depois do encontro, Indio da Costa falou sobre o seu principal projeto, se for eleito, de defesa e proteção de mulheres vítimas da violência no Rio.

“A ideia é o seguinte: é ter um telefone, um trabalho com aplicativo celular e também telefone para a pessoa poder acessar a Prefeitura 24 horas. E a partir dali seja a Prefeitura indo na casa da pessoa, acompanhado com psicólogo, com guarda municipal feminina ou mesmo abrindo as portas para receber as pessoas. E aí depois encaminha a mulher para uma casa, um abrigo”, explicou.

Fonte: G1 27/09/2016